segunda-feira, agosto 15, 2016

EM PREJUÍZO DOS AGRICULTORES

O  cientista Louis Pasteur afirmava que “o vinho é a mais saudável das bebibas ingeridas às refeições”. Infelizmente parece não ser esse o mesmo parecer e opinião do governo federal brasileiro. Esse acaba de sobretaxar as chamadas bebidas destiladas ( dentre essas a cachaça, o uísque, a vodka) somando a essas o vinho que nós cidadãos comuns consideramos um complemento alimentar, não é uma bebida de elevado teor alcoólico, portanto não deveria ser incluída entre as chamadas bebidas quentes
.O vinho é considerado um patrimônio cultural e complemento alimentar em países europeus como a Itália, a França, Portugal e outros países. Na América destacamos o uso saudável e valorização do vinho em várias regiões como a Califórnia norte-americana e em nossos hermanos vizinhos do Uruguai,  Argentina e Chile.Respeitáveis instituições nacionais e internacionais de pesquisas,
 Universidades e Centros Especializados vem demonstrando os efeitos benéficos do vinho sobre o corpo humano ( nos ossos, coração, aparelho digestivo e cérebro dentre outros).  É claro que tudo isso vem acompanhado da recomendação oportuna do consumo adequado e moderado.
 Outro lamentável equívoco do governo federal brasileiro refere-se ao prejuízo que essa tributação excessiva sobre os vinhos pode causar à uma grande cadeia de  produtores  agrícolas nas várias regiões de vitivinicultura. Nesses locais a prática é exercida  em pequenas e médias propriedades, algumas reunidas em cooperativas, de famílias de imigrantes e outros descendentes que colhem seu sustento na vitivinicultura. Além do mais com a extensão  à novas regiões como a campanha do Estado, vários pequenos municípios e exitosas cooperativas  passam  a ser punidos pelo governo federal brasileiro.
Como afirma o deputado estadual Sérgio Turra, descendente de imigrantes, “ No intuito de arrecadar, o governo  federal  brasileiro não efetua a redução de seus gastos( 31 Ministérios e outros penduricalhos)  e para evitar o déficit em suas contas penaliza os produtores e consumidores”.
 Com novas taxas a carga tributária federal atualmente superior a 50% vai se tornar mais pesada para o consumidor ao pagar sua garrafa de vinho.Para o bem de todos, seria de bom alvitre o governo federal ter a coragem de revisar sua atual posição, o que se tornaria bem simpático e até melhorar seus índices de receptividade na opinião pública. Os agricultores agradeceriam e os consumidores comemorariam com um bom cálice de vinho de alta qualidade nacional.
P.S.: Publicado na revista Fundamental de agosto/2016 sob o título O Vinho que Faz Bem

quinta-feira, agosto 11, 2016

UMA ACADEMIA EXEMPLAR


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O Estado de São Paulo é considerado tradicionalmente “ A Locomotiva do Brasil” em virtude de possuir o mais expressivo complexo econômico: mais de 50%  da movimentação financeira nacional gira naquele Estado da Federação. Sua  Bolsa de Valores é a principal do país.
 Mas não é só em economia e finanças o destaque, na área cultural a diversidade é enorme: A USP é considerada a melhor na América Latina e é destaque internacional no ensino e pesquisa. O Museu de Arte de São Paulo-MASP, na avenida Paulista possui um acervo de obras de arte de elevado valor, o Museu de Arte Contemporânea da USP  expõe em seu acervo artistas nacionais e internacionais( Modigliani é um exemplo). Além da Academia Paulista de Letras várias cidades  do interior patrocinam suas academias de letras.

Destacamos nesta crônica a Academia Bauruense de Letras da cidade de Bauru Ela reúne um grupo expressivo de escritores, jornalistas, professores e outros autores que atuam em jornais, revistas, universidades, órgãos públicos e igrejas.

Merece comentário a mais recente publicação da Academia Bauruense de Letras, lançada em dezembro passado “Natal Sempre Natal”, uma leitura para  o ano todo pelo seu conteúdo humanístico-afetivo. Cecilia Lara, coordenadora da Oficina da Palavra, prefaciou o livro comentando: - “...fui encarregada por Rosa Leda Accorsi Gabrielli(Organizadora) de coletar as colaborações dos participantes da Oficina da Palavra que quisessem escrever textos em prosa e poesia...cada um expressando um momento marcante...e o resultado final está aqui: uma diversidade muito grande de abordagens sobre lembranças ou reflexões...dentro dessa grande variedade, persiste a expectativa de reafirmação de sentimentos de solidariedade e de fraternidade humanas, pois no fundo, não se pode ignorar certa magia, certa vibração contagiante, que que impele o indivíduo na direção do próximo, como um sopro de alguma coisa que se renova.”...

A Organizadora do livro é a Dra. Rosa Leda Accorsi Gabrielli, advogada, professora de história e geografia, artista plástica e jornalista, formada pelas melhores  Universidades de São Paulo. Possui extensa vida profissional escrevendo textos pastorais da Igreja Católica, membro da União Brasileira de Escritores. É detentora de cadeira na Academia Bauruense de  Letras que tem Cora Coralina como patronesse. Ela é como esse cronista, neta de Bortolo Accorsi, comerciante e produtor rural, co-fundador da Colonia Italiana de São Roque, distrito de Bento Gonçalves.

A Dra.Rosa Leda participa também como autora de dois textos: Um sobre imblóglios de uma família de origem italiana e outro sobre um pai que não comemorava festividades de origem religiosa. Ela está assumindo a presidência da Academia neste ano.

Esse livro é um alento para tornarmos  pessoas melhores, transformar-nos e também ao mundo, conflitos, reflexões sobre o tempo líquido, a fluidez dos relacionamentos...tempo de acreditar e de pensar que sempre vale a pena.

O PREFEITO QUE ERA POETA


O Prefeito de Novo Hamburgo Eugênio Nelson Ritzel foi eleito pela oposição à época MDB, contra os candidatos da ARENA (pró-governo militar), com expressiva margem de votos. Era pessoa bem conhecida na comunidade,  formação militar, dispensou o carro oficial e caminhava desde sua casa próxima à Sociedade Ginástica no Bairro Rio Branco até a Prefeitura na Praça da Bandeira na divisa de Centro com Hamburgo Velho.

 Professor conhecido como disciplinador, organizado e culto dedicou boa parte de seu mandato em favor da cultura. Tinha sido patrão de CTG e criou em sua gestão o Grupo Folclórico NH que apresentou-se na maioria das capitais brasileiras, viajou pela América Latina e participou do Folkmoot/USA, festival internacional  na Carolina do Norte.

Discordei dele por não ter desapropriado o antigo Cine Theatro Lumière que virou uma igreja, em compensação ele teve  coragem  ao declarar de utilidade pública e adquiriu o prédio  onde hoje se encontra a Biblioteca Pública Municipal que vivia peregrinando de um lado para outro sem uma sede própria. Também construiu o Centro de Cultura onde estão instalados a Secretaria de Cultura, o Teatro Paschoal Carlos Magno e a Escola Municipal de Artes . Foi membro co-fundador da Seccional do Movimento de Defesa do Patrimônio Cultural Gaúcho.

Fiquei vivamente impressionado quando tomei conhecimento de sua inusitada obra poética: IMIGRÍADES  o Poema Épico das Gerações de Origem Alemã no Rio Grande do Sul. Publicado num encarte do Jornal NH, do Grupo Editorial Sinos, dentro das comemorações do Sesquicentenário  da Imigração Alemã.

É uma composição em 173 versos relatando dentre outros:   A invasão da Europa por Napoleão, Pródromos da Imigração, João Daniel Hillebrand, a aparição de Jorge Antonio Schaeffer, A partida do lar e o início da Imigração, Chegada ao Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Leopoldo, A Feitoria do Linho Cânhamo, breve alusão aos Muckers, Os Brummers, lanceiros imperiais, O Musterreiter (Caixeiro Viajante), Vultos em Destaque na Colonização, O índios, os bugres e as Missões Jesuíticas e finalmente uma homenagem  merecida à mulher do colono.

Ao final de seu mandato Eugênio Nelson Ritzel resumiu: - “Com quase insignificante ajuda Estadual e Federal, foi demonstrado o quanto pode ser feito em educação, cultura, infraestrutura, transporte,  asfaltamento, saúde e lazer, sem mordomias e sem parentes na área da Prefeitura. Média municipal de arrecadação de 92% e média de aprovação de 82%  nos exames finais da Rede Municipal de Ensino. De mãos dadas tudo é mais fácil.”




0 HOMEM DA LINGUAGEM LOGO



No início dos anos 80 o jornalista Paulo Sérgio Gusmão, diretor do Grupo Editorial Sinos com seu irmão Mário Alberto, incentivaram a comunidade regional e em especial as Escolas a utilizarem a informática para o ensino e para o trabalho. Daí surgiu o Projeto Agora, com a participação decisiva do professor Ernest Sarlet, Secretário Municipal da Educação, grande líder educacional.

Com o apoio material e institucional da FEEVALE foi criado o Congresso Nacional de Informática Educacional e o Congresso Internacional de Linguagem Logo. Com a participação de profissionais locais, do país e do exterior. Especialistas de vários países estiveram presentes.

O principal convidado foi o professor e matemático Dr. Seymour Papert, diretor do Laboratório de Inteligência Artificial do MIT. A razão era muito simples: tratava-se do criador da linguagem Logo, processo de formação educacional de crianças para o uso do computador.


Até hoje tenho em minha biblioteca o livro “LOGO: Computadores e Educação” editado pela Brasiliense em 1986, com uma dedicatória a mim endereçada quando de sua estada conosco.

A contracapa do livro resume: Você já pensou na possibilidade de o computador servia para o desenvolvimento intelectual da criança¿ Pois esse livro não só demonstra que isso é possível, como também apresenta um revolucionário sistema que viabiliza uma nova concepção de ensino. Seymour Papert revela aqui a facilidade com que a criança pode dominar a tecnologia dos computadores.

No último dia 31 Seymour Papert, nascido na África do Sul, faleceu em sua residência nos Estados Unidos, deixando-nos um legado de grande amizade e uma obra prima da educação para as crianças, também sob inspiração do grande educador suíço Jean Piaget. O Núcleo de Educação Informática e os computadores nas Escolas municipais criados pelo Professor Sarlet, tiveram o impulso decisivo do Projeto Agora e da passagem inspiradora de Seymour Papert aqui entre nós em 1986.





































ALCEU FEIJÓ: A IMAGEM ALÉM DO TEMPO

Desde garoto tenho acompanhado as notícias e as imagens dos nossos jornais e revistas. Meu s pais sempre incentivaram a leitura em nossa casa. Textos de Vinícius Bossle e fotografias instigantes de Alceu Feijó sempre foram e ainda são minhas preferidas.

A coluna Sala de Leitura da Jane Regina Mathias no Jornal ABC define com extrema propriedade o longevo e profícuo trabalho fotográfico de Alceu Feijó, o nosso  amigo de tanto tempo: “...lugares comuns e incomuns. Imagens que revelam o olhar sensível e mágico de quem dedicou a existência ao fotojornalismo.
..
Fui convidado pela professora Tuti, filha do Feijó, para o lançamento bem em tempo do livro de fotografias que foram magistralmente produzidas  e publicadas nos veículos de comunicação do Grupo Editorial Sinos e outros meios de comunicação.

Dispensável justificar, porém é interessante especificar as inúmeras e diversificadas abordagens de instantes fotográficos que podemos contemplar:  a história do futebol( Pelé e a Copa do Mundo), administradores públicos e políticos bem como cidadãos comuns, a escola e o sindicato. São tantos que somente vendo para apreciar o encantamento em nós produzido.

A história do fotojornalismo e da fotografia em geral em nossa comunidade e no Brasil, não estariam completos se não houvesse a presença de Alceu Feijó, um verdadeiro mago da comunicação.

 Esse livro de fotografias é uma enciclopédia que não deve faltar em casa, na escola, na universidade e principalmente na Biblioteca Pública, tão carente de grandes novidades pela carência de recursos destinados à cultura pelo poder público.

quarta-feira, novembro 25, 2015

100 ANOS DE ALDO LOCATELLI



Neste ano de 2015, mais precisamente no dia 18 de agosto, comemoramos o centenário de nascimento de Aldo Locatelli,  nascido em Bergamo, na Itália, veio ao Brasil a convite de Dom Antonio Zattera bispo de Pelotas.  Chegou em 1948, estava acompanhado por dois patrícios seus; Adolfo Gardoni e Emilio Sessa, com a missão de ornamentar com imagens sacras a Catedral de São Francisco de Paula de Pelotas. Após a conclusão de seus trabalhos gostou tanto e foi tão bem recebido pela comunidade riograndense que decidiu permanecer no Brasil, acompanhado pela esposa onde tiveram dois filhos.

Embora tenha falecido prematuramente aos 47 anos de idade (em 1962) deixou um precioso legado artístico de simbologia impar e revestido de imenso humanismo, por sua obra e seu comportamento como professor em Pelotas, onde criou a Escola de Belas Artes  daquela cidade e em Porto Alegre para onde mudou-se onde tinha muitos pedidos e encomendas de trabalhos artísticos. Também lecionou no Instituto de Artes da Universidade do Rio Grande do Sul.

No terminal do antigo Aeroporto Salgado Filho encontra-se o magnífico painel sobre a Conquista do Espaço. No Palácio Piratini estão painéis expressivos da simbologia e cultura gaúcha: A Formação Histórico-Etnográfica do Povo Riograndense  e O Estado. Na FIERGS um painel à óleo sobre tela mostra a formação as diversas etnias que formaram o Rio Grande do Sul a partir da colonização portuguesa em Rio Grande. A UFRGS tem dois painéis importantes: As Profissões, na Reitoria e uma homenagem às artes visuais no Instituto de Artes.


Na Igreja Santa Terezinha, de Porto Alegre, estão várias pinturas de Locatelli. Na Catedral São Pelegrino de Caxias do Sul e em Santa Maria e Novo Hamburgo estão contempladas também. Na Catedral São Luiz vários painéis mostram a vida, a sagração e extrama unção de São Luiz Gonzaga. As pessoas religiosas ou não, que apreciem as belas artes e que ainda não estiveram nessa Catedral, devem aproveitar a próxima oportunidade e verificar o extraordinário trabalho artístico desse inesquecível pintor que tanto honra as artes plásticas.





  

domingo, julho 19, 2015

Os Relações Públicas Honorários


O exercício profissional de Relações Públicas é estabelecido por Lei e regulamentado por decreto específico. Fica ao encargo do Conselho Federal e dos Regionais a fiscalização e o registro de seus inscritos, para o bom e legal andamento da atividade. Pessoas que atuavam nesta profissão em data anterior à regulamentação foram registradas como provisionados podendo exercer as atividades inerentes com os mesmos direitos dos novos profissionais.

Tive o prazer de conhecer algumas pessoas especiais  em nossa comunidade que por sua conduta inusitada poderíamos chamar de Relações Públicas Honorários. Esses foram meus tipos inesquecíveis: O professor Lauro Diogo de Jesus, aposentado pelo SENAI, passou à Associação Comercial e Industrial de Novo Hamburgo-ACI/NH. Ele era um verdadeiro “homem dos sete instrumentos”: Secretariava reuniões, organizava eventos e chefiava o cerimonial. Com experiência obtida no SENAI organizou os Cursos de aperfeiçoamento dos recursos humanos das empresas e instituições públicas e privadas.

 Foi num desses cursos que conheci Lauro Diogo.  Sabedor de minha classificação em 1º lugar num concurso público estadual para Secretário de Escola indicou-me para Secretário Executivo da Fundação Liberato Salzano. Graças a ele tive meu primeiro  emprego.  Lauro Diogo era uma pessoa alegre, comunicativo e culto recebia a todos com atenção e dedicava o melhor de seu conhecimento e experiência nos cursos e seminários que organizava.

Meu próximo tipo inesquecível foi Octávio Oscar Bender. Compartilhamos o esforço no projeto do então Prefeito Alceu Mosmann de criação da ASPEUR que viria a ser a mantenedora da FEEVALE. Seu Otávio,  tínhamos o hábito de assim chamá-lo, foi com o motorista Sady e a professora Gessy Sfair Silveira, visitar os vários municípios da região, durante meses em 1969, colhendo apoio das  comunidades.

 Mais tarde tive o privilégio de contar com seu apoio na Chefia de Gabinete do então prefeito municipal Miguel Henrique Schmitz, um administrador público gentleman que valorizou nosso trabalho.  Seu Otávio não media esforços, era de uma cortesia sem fim, extremamente cordial em todos os momentos, tinha um vocabulário especial e uma palavra de atenção para todos, sem distinção de cargos. Assumia a representação da prefeitura sempre que convocado, sacrificando às vezes o lazer com a bela família que possuía mas que sabia do bom homem que tinha lá em casa
.
Poderia enumerar outros nomes, por hoje ficamos nesses dois exemplos marca

Ação da Polícia Civil em Novo Hamburgo



No último final de semana as emissoras de televisão, rádios e jornais apresentaram um noticiário inusitado para não dizer difícil de acreditar: empresa ou pessoas assaltadas em Porto Alegre, prenderam os bandidos. Telefonando para a polícia militar ou civil,( não sei certo qual foi), as vítimas receberam a notícia que faltava viatura para o atendimento da ocorrência. De acordo com o noticiário da capital existem viaturas depositadas no pátio de um órgão público, mas, que ainda não podem ser utilizadas porque o Sr.Governador não tem agenda disponível para entrega oficial das mesmas.

Felizmente em Novo Hamburgo, embora as dificuldades materiais, a Central de Policia Civil está localizada num prédio moderno (sede anterior da Prefeitura) reformado com apoio da comunidade em  acordo com o governo do Estado. Os recursos humanos ( delegados, inspetores, escrivães ) estão plenamente capacitados em suas funções.

Esse cronista pode testemunhar um fato ocorrido nos últimos dias: Uma família teve sua residência assaltada. O ladrão ao fugir da casa foi identificado por operários de uma obra vizinha à residência. A família vitimada foi à Central de Polícia Civil de Novo Hamburgo para fazer o registro da ocorrência de roubo onde, prontamente atendidos pelo inspetor Giovanni, o mesmo de imediato  encaminhou o assunto para a Divisão de Investigações da 1ª Delegacia. O inspetor Lemos passou a acompanhar o caso colhendo informações sobre um dos objetos roubados: um celular de última geração tinha  rastreador  seguindo o assaltante até quem adquiriu o aparelho roubado. Essa pessoa, uma mulher de Porto Alegre teve seus registros sociais e familiares rastreados( numa piscina e academia de clube, ruas e comércio da cidade).  Com esses dados e uma diligência minuciosa e persistente o inspetor Lemos conseguiu identificar a receptadora. Ele passou trabalho com a mulher que criou as maiores dificuldades para apresentar-se numa delegacia. Finalmente intimada fez a entrega do aparelho com arrogância.

Embora a receptadora tenha devolvido o celular roubado sem o cartão de memória, as imagens dela estão todas arquivadas no computador da polícia, graças aos inspetores Lemos, Giovanni e Lourenço.



As Relíquias Sagradas de Hitler



O livro de Sidney D. Kirkpatrick é uma história real, baseada nos diários, cartas, entrevistas e registros militares da 2ª guerra mundial. O 1ºtenente Walter Horn, alemão, filho de um pastor luterano, fez seu doutorado em artes na Universidade de Hamburgo, em 1943 emigrou para os Estados Unidos e passou a servir o exército. Agente da inteligência americana foi designado pelos generais Dwight D.Eisenhower e George S. Patton para resgatar em Nuremberg as Jóias da Coroa que haviam sido roubadas pelos nazistas do Kunshistoriches Museum de Viena.



Quando interrogava o prisioneiro nazista Fritz Hüber, ficou sabendo que havia um tesouro oculto e vigiado por guardas, num “bunker” sob o Castelo de Nuremberg, só o Reichsführer Heinrich Himmler e algumas pessoas da alta confiança sabiam disso: Obras de Albrecht Dürer, esculturas de Veit Stoss(da Polonia) códices medievais, mapas,  e relíquias ecumênicas do Sacro Império Romano (a coroa imperial, o orbe, a lança sagrada, o cetro e duas espadas).



Com ordens secretas e expressas de seu alto comando, Walter Horn teve enormes dificuldades junto aos oficias locais por ciúmes das grandes atribuições recebidas de Eisenhover e Patton. Somava-se ainda aos cidadãos locais alguns com medo outros por terem sido membros do governo Hitler. Lamentáveis foram os casos de roubos praticados por militares americanos: Um oficial chamado Alter sofreu um acidente com seu jipe levando moedas de ouro, jóias, libras, relógios de ouro e diamantes que roubara de um depósito do próprio exército.  Alto oficial americano roubou a cama de Göring, com todas roupas de cama e enviou para sua casa em Atlanta. Um soldado vendeu o punhal de Göring porque desejava comprar uma granja no Texas. Outro oficial roubou o melhor uniforme, as medalhas e a espada cravejada de brilhantes.




Horn e sua equipe nem procurou outros aspectos indecorosos revelados pelos arquivos da inteligência militar.Nesses casos erros, roubos e negligências ocorreram da parte dos nazistas e de alguns poucos das forças aliadas de ocupação.

Ao final dois alemães expatriados (Felix Rosenthal e Walter Horn), um prisioneiro de guerra (Fritz Hüber) e um grupo de ex-nazistas de fidelidade duvidosa foram os principais responsáveis pela recuperação do tesouro pelas forças Aliadas.



domingo, junho 28, 2015

Recursos para a Cultura


Em crônica anterior publicada em meu blog CULTURA ESCRITA.Blogspot.com denominei São Leopoldo “A Capital da Cultura”. É sede da Universidade do Vale do Rio dos Sinos-UNISINOS com um Centro Tecnológico reconhecido internacionalmente e o Instituto Anchietano de Pesquisas especializado em Antropologia e Arqueologia, dentre outros. As Faculdades Evangélicas no Morro do Espelho, O Museu Histórico Visconde de São Leopoldo e dezenas de pequenas e médias instituições de educação, ciência e cultura.

Fiquei preocupado com algumas notícias veiculadas na mídia: A Casa do Imigrante, situada no Bairro da Feitoria é símbolo da chegada dos primeiros imigrantes alemães no sul no Brasil. Seu rico acervo de móveis e utensílios corre o risco de ser danificado pelas goteiras do telhado. Por outro lado a Biblioteca Municipal Viana Moog teve suas instalações interditadas pelo Corpo de Bombeiros. Um acervo de 40 mil títulos corre o risco de perder-se. Parte dele (em torno de 3000 livros) foi alocado para doação ao público interessado. Uma reforma ocorrida não resolveu as infiltrações de goteiras e a falta de um plano de prevenção de incêndios.

A atual administração municipal que assumiu em janeiro deste ano tem encontrado dificuldades para operar o orçamento feito no ano anterior. Pelo noticiário da imprensa recebeu uma dívida de difícil cumprimento. Além de nossa colaboração pessoal às autoridades responsáveis, desejamos também oferecer exemplos que podem incentivar novas iniciativas: Porto Alegre e Pelotas, dentre outras cidades brasileiras, tem utilizado recursos do Governo Federal (Projeto Monumenta).

 Desse modo foram e têm sido restaurados monumentos e prédios históricos públicos e privados. Pelos últimos dados oficiais publicados as despesas com a cultura no país é de 0,3%. O Estado do Rio Grande do Sul é o 14º em investimentos, enquanto os  municípios, embora com menos recursos gastam mais, ficando em 6º lugar. Em 2011 foram gastos R$ 16 milhões, e a promessa é de R$85 milhões em 2014. Porto Alegre gastou R$48 milhões e promete R$80 milhões para 2014.

As pessoas interessadas em colaborar com a Casa do Imigrante podem telefonar para (51) 3592.4557. Para a Biblioteca, ligar com a Prefeitura Municipal de São Leopoldo.

Patrimônio Cultural da Cidade

Todos os anos, mais precisamente no mês de novembro, o Brasil comemora o dia do Patrimônio Histórico Nacional, baseado num Decreto Federal que visa incentivar, preservar e manter os valores culturais da Nação. No entanto se for perguntado a qualquer pessoa o nome de quem já foi  Ministro da Cultura tenho certeza que será difícil encontrar alguém. Aliás, a última Ministra, senadora Martha Suplicy, socióloga, especialista em Estudos de Gênero, adepta do “volta Lula”, decepcionada com as últimas eleições pediu demissão e foi prontamente aceita pela Presidenta Dilma Roussef, não deixando saudades.

O Ministério da Cultura é o menor participante do orçamento da União, não chegando a um por cento do total. Em nível de Estados da Federação o Rio Grande do Sul ocupa a incômoda décima terceira colocação. Nos últimos noticiários a Prefeitura de Porto Alegre aplicou mais recursos do que o Estado embora o atual Secretário da Cultura tenha se esforçado ao máximo para melhorar a situação.
Como sempre a salvação vem dos municípios e dos particulares. Porto Alegre e Pelotas, por exemplo, tem preservado, restaurado e conservado vários monumentos, prédios e instituições públicos e privados com recursos próprios e do Projeto Monumenta ( de origem federal com modelo Da UNESCO). Pequenos municípios desenvolvem projetos culturais extraordinários embora detenham uma parcela insignificante  ou inexistente de recursos federais. De acordo com o IDESE, as cidades de Ivoti, Picada Café, Dois Irmãos, Harmonia, Tupandi e Nova Petrópolis estão entre as 47 melhores cidades do Estado para se viver e em termos de educação.

O Núcleo de Casas em Enxaimel dos primitivos imigrantes alemães foi preservado pela Prefeitura de Ivoti num projeto inicial de convênio do governo Alemão e a Feevale. Em Picada Café é publicado o jornal  Amigos de Picada Café “Recontando o Patrimônio de Picada Café”, sendo convidadas personalidades internacionais para seminários, cursos e palestras como o Dr. Hugue De Varine, ex-presidente do Instituto Internacional de Museus( ICOM da UNESCO), e no Núcleo Histórico do Parque Municipal Jorge Kuhn foi restaurado o antigo Açougue Progresso.

Muitos outros exemplos de municípios poderiam ser colocados, pela exiguidade de espaço ficamos apenas nesses que já estão dando um belo retrato de que ainda o município “é a célula mater da nacionalidade.”



sábado, setembro 20, 2014

PELO CURDISTÃO BRAVIO

Das minhas leituras da juventude  Karl Friedrich May (foto) foi um dos escritores que mais me impressionou pela  vibrante e realística forma de descrever suas aventuras pelas regiões e países mais exóticos e distantes. Ele nasceu em 25.2.1842  na Saxônia e faleceu em 30.3.1912  na  Alemanha. Em seu país a popularidade de sua literatura oportunizou a venda de mais de 75 milhões de livros. Traduzido em mais de 100 países alcançou a venda de mais de 200 milhões de livros.



A instigante diversidade de sua obra literária deveu-se à sua grande curiosidade e a estudos de línguas orientais e dialetos de tribos indígenas americanas e de outros continentes. Os escritores James Fenimore Cooper e Julio Verne serviram de inspiração ao seu estilo fantástico e realista. Dentre os muitos títulos criados por Karl May,  destacamos alguns: A trilogia Winnetou,  Através do Deserto, No Oceano Pacífico, Percorrendo as Cordilheiras, Caravanas de Escravos, O Testamento do Inca, De  Bagdá a Istambul, e finalmente Pelo Curdistão Bravio.

O livro de aventuras de Karl May reavivou meu interesse para  a atual  população curda do norte do Iraque que é alvo das principais manchetes da mídia internacional. A ação dos radicais  do assim chamado Estado Islâmico tem como parte de suas vítimas os curdos.

A população curda é a etnia com o maior número de pessoas ( 40 milhões) sem um Estado autônomo. Encontra-se  espalhada em regiões do Irã, Iraque, Síria, Turquia, Armênia, Georgia e Azerbaijão. Nas últimas décadas foram também para Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Austrália, Alemanha, Áustria, Suiça e França. Seu idioma é o curdo, língua indo-européia do ramo iraniano. Os curdos são geralmente bilíngues e poliglotas, falando línguas vizinhas, árabe, turco e persa. O aramaico, de origem semita, é falado pelos cristãos e judeus curdos.

A criação artificial de Estados pelas potências ocidentais reuniu tribos e culturas incompatíveis entre sí. Um exemplo dessa confusão é o Iraque onde as lideranças sunitas poderosas durante o governo de Sadan Hussein não aceitam o atual governo central dominado pelos xiitas.

Enquanto isso a população curda no norte, organizada e progressista é pressionada tradicionalmente pelo governo central. O representante da comunidade curda em Londres, respondendo a uma pergunta de um jornalista ocidental afirmava que o motivo de tanta perseguição era de “pura inveja"!

UMA ESCOLA DE ARTE

No mes de junho passado, um Decreto reconheceu a decisão do início deste ano da diretoria do Atelier Público Municipal que passou a chamar-se Escola Municipal de Artes Carlos Alberto de Oliveira.

É uma justa e oportuna homenagem ao pintor e desenhista "Carlão", assim apelidado por seus íntimos e conhecidos. Nascido em Novo Hamburgo e falecido aos 62 anos de idade em 2012, foi um exemplar funcionário público municipal servindo a Secretaria Municipal de Educação atendendo na maior parte de seu tempo crianças, jovens e adultos com carinho e paciência. Modesto e de poucas palavras, quando enfrentava uma sala de aula ou mesmo uma oficina de artes, tornava-se um comunicador nato, transmitindo com clareza e distinção seus ensinamentos.

Por mais de dez anos desenvolveu um projeto de arte nas Escolas municipais onde deixou em cada uma delas ao menos um exemplar de sua pintura ou desenho.
Como pintor e desenhista participou de inúmeros concursos e mostras de arte na cidade, no Estado e no País, sendo várias vezes premiado. Tem obras expostas em prédios públicos, escolas, museus e galerias de arte.

A arte de Carlos Alberto de Oliveira retrata o cotidiano das pessoas, das famílias, dos bairros, das cidades. A religiosidade da procissão, alegria dos jogos mais diversos. As fortes cores encantam e contagiam nossos sentimentos. "Carlão" soube reproduzir os embates dos grupos, das multidões, o casario antigo e as igrejas.

Sua arte pode ser chamada de "ARTE Näif", têrmo utilizado pela primeira vez para identificar a obra de Henri Rousseau pintor autodidacta. É arte ingênua( em francês), original, instintiva, arte popular nacional. Definiu-se como a corrente que aborda a arte de modo expontâneo, com toda liberdade estética. Seus seguidores a chamam " a arte livre de convenções". Não se enquadra na designação de Arte Popular, pois é diferente dela na medida que se trata de uma obra de criação individual que mostra peças artísticas únicas e originais.

De acordo com os artistas "NÄif" enquanto os acadêmicos pintam com o cérebro, os ingênuos(primitivos) pintam só com a alma. Essa é a essência da arte "NÄif", o estilo de quem já nasce com o dom de ser artista.

CULTURA PEDE SOCORRO

Fiquei preocupado com algumas notícias veiculadas na mídia: A Casa do Imigrante, situada no Bairro da Feitoria é símbolo da chegada dos primeiros imigrantes alemães no sul no Brasil. Seu rico acervo de móveis e utensílios corre o risco de ser danificado pelas goteiras do telhado. Por outro lado a Biblioteca Municipal Viana Moog, também em São Leopoldo, teve suas instalações interditadas pelo Corpo de Bombeiros. Um acervo de 40 mil títulos corre o risco de perder-se. Parte dele (em torno de 3000 livros) foi alocado para doação ao público interessado. Uma reforma ocorrida não resolveu as infiltrações de goteiras e a falta de um plano de prevenção de incêndios.

A atual administração municipal que assumiu em janeiro deste ano tem encontrado dificuldades para operar o orçamento feito no ano anterior. Pelo noticiário da imprensa recebeu uma dívida de difícil cumprimento. Além de nossa colaboração pessoal às autoridades responsáveis, desejamos também oferecer exemplos que podem incentivar novas iniciativas: Porto Alegre e Pelotas, dentre outras cidades brasileiras, tem utilizado recursos do Governo Federal (Projeto Monumenta). Desse modo foram e têm sido restaurados monumentos e prédios históricos públicos e privados. Pelos últimos dados oficiais publicados as despesas com a cultura no país é de 0,3%. O Estado do Rio Grande do Sul é o 14º em investimentos, enquanto os  municípios, embora com menos recursos gastam mais, ficando em 6º lugar. Em 2011 foram gastos R$ 16 milhões, e a promessa é de R$85 milhões em 2014. Porto Alegre gastou R$48 milhões e promete R$80 milhões para 2014.

Em boa hora, os responsáveis pela Casa do Imigrante, a presidente Infrid Marxen e o diretor Márcio Linck, do Museu Histórico, acompanhados pela arquiteta responsável Hannelore Tessmer, vistoriaram a casa, com a arquiteta Alice Cardoso, do Instituto do  Patrimônio Histórico e Artístico do Estado que tombou a casa como patrimônio histórico do Estado.

As pessoas interessadas em colaborar com a Casa do Imigrante podem telefonar para (51) 3592.4557. Para a Biblioteca, ligar com a Prefeitura Municipal de São Leopoldo

O HÁBITO DA LEITURA

Se decidirmos falar a respeito de hábito de leitura chegaremos a uma triste conclusão no que se refere aos brasileiros. Segundo os últimos dados estatísticos, nosso País está entre os piores classificados neste assunto.

 As causas dessa lamentável posição é de ordem histórica e cultural: A América dominada pelos espanhóis criou em 1551 a Universidade Nacional de São Marcos no Peru, e a Universidade Autônoma do México no mesmo ano. No Brasil, sob domínio português, somente em 1911 criou-se a primeira universidade (São Paulo) e a Federal do Paraná(1912). O Colégio dos Jesuítas da Bahia, de fins do século XVII seguia o Estatuto da Universidade de Évora, sem reconhecimento dos colonizadores portugueses. O primeiro jornal impresso no Brasil em 1808 foi a Gazeta. Em 1ºde julho de 1808 Hipólito José da Costa, exilado em Londres publicou O Correio Braziliense que era trazido ao Brasil de navio, clandestinamente. A primeira Revista foi impressa na Bahia em 1812 – “As Variedades ou Ensaios de Literatura”. A Revista do Instituto Histórico e Geográfico(de 1839) é uma das raras publicações que subsistem até hoje por tanto tempo.

A família, a escola e a sociedade, cada uma em sua área de competência tem a responsabilidade de incentivar a leitura de jornais, livros e revistas às crianças, jovens e adultos. Recordo de meu tempo de garoto que meu pai, além da assinatura de dois jornais, sempre que retornava de viagens, trazia livretos para pintar ou preencher espaços, livros e revistas infantis. Para meus irmãos e para mim eram os melhores presentes. Até hoje cada um de nós possui uma biblioteca em casa.

No início dos anos sessenta conheci em Novo Hamburgo uma professora da Escola Estadual João Ribeiro, no bairro Canudos. Ela, mais tarde passou a lecionar na Escola Estadual 25 de Julho e seu Anexo. Desde o início de sua carreira desenvolvia atividades práticas com os alunos. Uma delas era a leitura do jornal em sala de aula. Organizavam grupos de debates, recortes de notícias consideradas mais importantes e redação de textos sobre os temas dos jornais. A professora incentivava a leitura, a escrita, oratória,  desinibição, fraternidade e participação social das crianças e jovens.

No âmbito da sociedade cabe salientar o Programa de Leitura de Jornais em Sala de Aula, patrocinado pelo Grupo Editorial Sinos com apoio de Universidades, Secretarias Municipais de Educação, direção e professores de Escolas do Estado e municípios. Esse programa exemplar tem servido de modelo para vários outros no Estado.


quarta-feira, novembro 20, 2013

RECURSOS PARA A CULTURA

Em crônica anterior publicada em meu blog CULTURA ESCRITA.Blogspot.com denominei São Leopoldo “A Capital da Cultura”. É sede da Universidade do Vale do Rio dos Sinos-UNISINOS com um Centro Tecnológico reconhecido internacionalmente e o Instituto Anchietano de Pesquisas especializado em Antropologia e Arqueologia, dentre outros. As Faculdades Evangélicas no Morro do Espelho, O Museu Histórico Visconde de São Leopoldo e dezenas de pequenas e médias instituições de educação, ciência e cultura.

Fiquei preocupado com algumas notícias veiculadas na mídia: A Casa do Imigrante, situada no Bairro da Feitoria é símbolo da chegada dos primeiros imigrantes alemães no sul no Brasil. Seu rico acervo de móveis e utensílios corre o risco de ser danificado pelas goteiras do telhado.




Fotos:


Por outro lado a Biblioteca Municipal Viana Moog teve suas instalações interditadas pelo Corpo de Bombeiros. Um acervo de 40 mil títulos corre o risco de perder-se. Parte dele (em torno de 3000 livros) foi alocado para doação ao público interessado. Uma reforma ocorrida não resolveu as infiltrações de goteiras e a falta de um plano de prevenção de incêndios.



A atual administração municipal que assumiu em janeiro deste ano tem encontrado dificuldades para operar o orçamento feito no ano anterior. Pelo noticiário da imprensa recebeu uma dívida de difícil cumprimento. Além de nossa colaboração pessoal às autoridades responsáveis, desejamos também oferecer exemplos que podem incentivar novas iniciativas: Porto Alegre e Pelotas, dentre outras cidades brasileiras, tem utilizado recursos do Governo Federal (Projeto Monumenta). 

Desse modo foram e têm sido restaurados monumentos e prédios históricos públicos e privados. Pelos últimos dados oficiais publicados as despesas com a cultura no país é de 0,3%. O Estado do Rio Grande do Sul é o 14º em investimentos, enquanto os  municípios, embora com menos recursos gastam mais, ficando em 6º lugar. Em 2011 foram gastos R$ 16 milhões, e a promessa é de R$85 milhões em 2014. Porto Alegre gastou R$48 milhões e promete R$80 milhões para 2014.

As pessoas interessadas em colaborar com a Casa do Imigrante podem telefonar para (51) 3592.4557. Para a Biblioteca, ligar com a Prefeitura Municipal de São Leopoldo.

A SERVIÇO DA SAÚDE

Em minhas andanças de administrador hospitalar tomei conhecimento, no início dos anos 2000, da existência de um Centro altamente especializado no tratamento do câncer. É o Serviço de Oncologia Centenário, dirigido pelo Dr.Adalberto Broecker Neto. Localiza-se próximo ao Hospital Centenário, em São Leopoldo. 

Possui uma infraestrutura equipada com a mais moderna tecnologia de combate ao câncer numa área de 2.500 m², setores especializados e medicamentos desenvolvidos na atualidade para o combate ao câncer. Tem consultórios, salas de exames clínicos, raios X, planejamento, sala do acelerador linear Clinac 600 CD, com Multileaf de 120 lâminas, permitindo aplicar Radioterapia de Intensidade Modulada ( IMRT).

O Serviço de Oncologia atende em torno de 42 municípios da Encosta da Serra, Vales do Caí, Sinos e Paranhana. A média diária de mais de 100 atendimentos, será duplicada até o início do próximo ano quando um novo equipamento importado ocupará uma  área em concreto especial para evitar vazamentos de radiação.

Encaminhado pelo Dr. André Kruse passei, nos últimos três meses, a ser paciente do Serviço sob orientação da Dra. Márcia Medaglia, e apoio da enfermeira Fernanda.O atendimento radioterápico é feito pelos técnicos Josiane, Fábio e Peti com extrema dedicação, carinho e respeito ao paciente. As secretárias Renata, Karina, Andréia e Luiza são afáveis e mui atenciosas aos pacientes e seus familiares, oferecendo todas as informações e encaminhamentos adequados, muitas vezes em momentos de angústia e dúvida.

Existe uma harmonia no funcionamento do Serviço de Oncologia Centenário demonstrando que um serviço médico organizado e com gerenciamento eficiente pode oferecer conforto e segurança aos seus pacientes e familiares. O atendimento de todos os convênios de saúde e o Sistema Único de Saúde caracterizam-no como um autêntico serviço de utilidade pública.

domingo, setembro 22, 2013

O DRAMA DAS BIBLIOTECAS PÚBLICAS

A Agência Brasileira de Notícias(ABN) informou da grave carência de bibliotecas públicas escolares no Brasil . Há necessidade de serem construídas 130 mil bibliotecas até 2020 para cumprir uma lei que obriga a existência de ao menos um livro por aluno em cada escola da rede pública do País. É um drama do conhecimento daqueles que tem ao menos um pouco de interesse pela leitura escolar tanto quanto à de ficção e entretenimento.

Atualmente na rede pública escolar apenas 27, 5 % das escolas possuem bibliotecas. Em nossa região ao menos são vários os pequenos municípios que possuem as mais significativas formas de incentivos à leitura: Em Morro Reuter um monumento ao livro está numa praça central da cidade, atestando o carinho da municipalidade. Picada Café promove leituras e entrevistas de estudantes além das feiras de livros com distribuição de mesada para que cada aluno possa ao menos comprar um livro. O mesmo ocorre com Dois Irmãos, com incentivos à leitura patrocinados pela municipalidade.

A Biblioteca Pública Estadual, em Porto Alegre, agora denominada Moacir Scliar, funciona parcialmente. Alvo de uma reforma, estará à disposição total do público no início do próximo ano. Ela foi vítima de um lamentável equívoco de ex-diretor de cultura que mandou cobrir as belas pinturas das paredes internas alegando que distraiam os leitores.



O descaso de governos da república velha fez com que 40.000 títulos e um sem número de obras de arte do período Brasil Colonial  e Portugal fossem parar na Universidade Católica da América, em Washington. O diplomata e historiador Manoel de Oliveira Lima, detentor daquele acervo entregou-o àquela Universidade em virtude do desrespeito que fora tratado pelo governo brasileiro.  No momento 60.000 títulos, estão no sub-solo daquela universidade que vem arrecadando fundos para dar um local mais adequado ao acervo.

Enquanto isso no Brasil autoridade alguma, através do tempo, demonstrou algum interesse a respeito desse acervo bibliográfico e artístico que poderiam enriquecer uma ou até mais bibliotecas públicas.

Fotos: http://www.bibliotecapublica.rs.gov.br/

O CRONISTA DAS MISSÕES

Quando garoto em Porto Alegre acompanhava meu pai nas visitas aos amigos no centro da cidade. Um dos encontros mais agradáveis era com nosso primo o Professor Antonio Valentin Grando, inspetor do ensino técnico. Seu escritório na Secretaria de Educação era um local movimentado. O professor Grando era comunicador nato, amigo dos diretores, colegas e demais funcionários.

Sua liderança permitiu-lhe a eleição à presidência da Frente Agrária Gaúcha, entidade em defesa dos agricultores. Católico fervoroso mantinha as melhores relações de apoio e amizade com padres e bispos identificados com a causa. Durante a ditadura civil-militar sofreu a vigilância dos agentes dos governos. Seus passos, viagens, participação em seminários, cursos e congressos eram acompanhados de perto e gravados pelos arapongas da ditadura. Durante mais de dez anos foi convocado para esclarecimentos junto à policia politica( famigerada DOPS). Nada foi provado em desabono de sua conduta, pois ele educador, sabia de seus  direitos e deveres cívicos.

Onde o professor Grando destacou-se de modo especial foi no jornalismo. Dotado de ampla cultura geral e poliglota, além do português, dominava o italiano, francês e o espanhol. Foi publicado em periódicos do interior e dos países vizinhos próximos. Suas crônicas, contos e novelas descreviam as venturas e desventuras de brancos, negros, caboclos, índios, castelhanos e imigrantes que povoaram o interior do Estado, de modo particular a região missioneira onde residia. Alguns títulos: El Cerro Del Monje, “Eu vi matar Saldanha da Gama”, Tesouros Jesuíticos dos Sete Povos, Índios Remanescentes, Episódio da Revolução de L.C. Prestes, 1ºCaudilho Gaúcho Sepé Tiarajú Herói Missioneiro, e muitos outros.


O professor Antonio Valetin Grando, o Cronista das Missões, marcou de forma indelével sua passagem pela Cultura do Mercosul. Tinha paixão pela arqueologia.Foi ele quem no início dos anos 70 localizou a Redução de Candelária (em S.Luiz Gonzaga, hoje Rolador).


UM MUNICÍPIO EXEMPLAR

Um Convênio Internacional, em meados dos anos noventa, celebrou o esforço conjunto BrasilxAlemanha para a preservação e conservação de antigas casas do século XIX edificadas pelos imigrantes alemães no sul do Brasil.
Foram responsáveis pelo acordo o Centro Alemão de Johannesberg em Fulda, a Feevale, tendo como coordenadora a historiadora Angela  Thereza Sperb e a arquiteta Maria Criastina Hofer do Instituto Brasileiro do Patrimônio Cultural, realizando estudos especializados na Alemanha. O município de Ivoti, através de seu prefeito municipal Arnaldo Kney interessou-se pelo projeto e o subscreveu, indicando o Núcleo da Feitoria Nova, adquirindo imóvel para restauro.

Um Curso de Recuperação e Saneamento de Estruturas de Madeira foi desenvolvido em dois módulos: um teórico no Campus da Feevale, com palestras do Dr.Engº Manfred Gerner sobre  Construções em Madeira e Estruturas Enxaimel e Contribuição das Construções em Madeira e seu legado Cultural. O Chefe de Marcenaria Bernd Kuschnick falou sobre Métodos de Investigação e ferramentas/instrumentos. O arq.Edgar B.da Luz, relatou Experiências de Restauração no RGS pelo IPHAN.

No curso prático junto às casas da Feitoria Nova, as pessoas que passavam pela rua a pé ou de carro, paravam e perguntavam o que estava sendo feito. Ao saberem do restauro alguns elogiavam, a maioria ridicularizava ou criticava o gasto de dinheiro público em casas velhas. Passados mais de dez anos, a Prefeitura de Ivoti deu uma resposta altamente positiva: urbanizou o local recuperando o arroio que inundava as casas, as ruas estão calçadas, casas restauradas e ocupadas.

Para felicidade de Ivoti o Prefeito Arnaldo Kney foi eleito para um novo mandato, calou os críticos antigos:  restaurou com sua equipe técnica e apoio da comunidade a Feitoria Nova que estava abandonada e agora trata de preservar um imóvel no centro da cidade: a Casa Hotter, considerada a maior casa em enxaimel do Estado.

Vemos em alguns municípios prédio doado pela comunidade desabar pelo abandono do poder público ou goteiras que ameaçam danificar os cômodos e mobiliários de uma casa símbolo da imigração alemã. Em Ivotí ao contrário, a Prefeitura com apoio da comunidade, restauram um bairro inteiro e agora preservam também um imóvel no centro da cidade. Ivoti é sem dúvida alguma: Um Município Exemplar!

Foto: http://ivoti.rs.gov.br/pontos-turisticos