PATRIMÔNIO CULTURAL
Em 2003 foi foi registrado no 1º Tabelionato de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, o
Estatuto da ASSOCIAÇÃO PARA A PRESERVAÇÃO E CONSERVAÇÃO DO
PATRIMÔNIO CULTURAL, aprovado em Assembléia Geral realizada na Câmara
Municipal.
A idéia e proposição para criar essa nova entidade foi de IVAR PAULO HARTMANN,
Advogado, Procurador de Justiça aposentado do Estado, com o apoio decisivo do então
Secretário de Cultura da Cidade CARLOS FINK.
Os objetivos da ASSOCIAÇÃO podem ser resumidos de acordo com o Art.5º de seu
Estatuto: A Associação tem por finalidade principal congregar todas as pessoas da
comunidade interessadas pelo Patrimônio Cultural, com o intuito de:
I- Desenvolver programas que visem a preservação do Patrimônio Cultural do Municí-
pio, tombado ou não, constituído através do tempo e sob as mais variadas formas e
expressões.
II- Promover, sempre que possível, atividades que propiciem a conservação dos bens
culturais existentes, através de iniciativas próprias, de terceiros ou do poder público.
III- Promover atividades que propiciem a troca de experiências e desenvolvimento de
técnicas e atualizações entre os associados, visando o enriquecimento qualitativo das
iniciativas da Associação.
IV- Defender o princípio da livre expressão cultural, um dos aspectos fundamentais
do exercício da cidadania.
V-Colaborar, sempre que solicitado, ou por iniciativa própria,com a Secretária Munici-
pal de Cultura e outros Orgãos Culturais.
VI-Formalizar convênios, contratos e intercâmbio com pessoas, instituições e entidades
públicas e privadas, locais, regionais, estaduais, nacionais e internacionais, que tem
finalidades e patrocínio a preservação, a conservação, a promoção e o fomento da
Cultura, em quaisquer de suas formas e expressões.
VII-Para a consecução desses objetivos, a Associação deverá atuar em colaboração e
sintonia com o Conselho Municipal de Cultura, o governo municipal, e com entidades
congêneres sediadas no país ou no exterior, Secretaria Estadual e Conselho Estadual de
Cultura, o Conselho Federal e a Secretaria Nacional de Cultura, o Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e a UNESCO.
São considerados Sócios Fundadores presentes na Assembléia Geral de Fundação:
IVAR PAULO HARTMANN, advogado, promotor público, PLÍNIO DALL´AGNOL,
professor universitário, Mestre em Educação, LIENE MARIA MARTINS SCHUTZ,
professora e Historiadora, INÊS CAROLINA REICHERT, professora e Historiadora,
MAURO GUILHERME KOCH, Corretor de Seguros, Músico, Acadêmico,
MARKUS WILLIMZIG, professor universitário e Biólogo, WILSON PACHECO,
livreiro, OSVALDO RICARDO MULLER, publicitário, CRISTIANA SCHMITZ,
Arquiteta e Restauradora, SUZANA VIELITZ DE OLIVEIRA, Arquiteta, MARILZA
KRECHE PORTAL BITTENCOURT, Professora.
Crônica cultural e memórias assinadas por um gaúcho, do Vale dos Sinos para o Mundo.
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sábado, maio 30, 2020
domingo, maio 24, 2020
CINE TEATRO LUMIÉRE
CINE TEATRO LUMIÉRE
Em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, o CINE TEATRO LUMIÉRE, era localizado
em pleno Centro da Cidade, na Rua General Neto transformada hoje em dia no Calçadão
Osvaldo Cruz.
As famílias proprietárias do Cine Teatro Lumiére eram cultas e de bom gosto criando uma
casa de espetáculos de causar inveja a outras cidades: Construída num belo prédio de alve-
naria, com luxuosas entradas envidraçadas com vidros de cristal francês, possuindo 1.800
confortáveis poltronas, amplo mezanino, cabines duplas de projeção de filmes, amplo
palco em condições de receber projeção de filmes, apresentações teatrais, com recursos
bem adequados para os músicos e artistas eventuais.
Construído em 1953 era considerado o maior e mais luxuoso do interior do Estado.
O nome do Cine Teatro Lumiére era homenagem aos Irmãos Auguste e Louis Lumiére,
considerados os pais do cinema, inventaram o cinematógrafo, registrando-o em 1895,
embora tenha sido inventado por Léon Bouly em 1892 que esqueceu de patentear.
São considerados os inventores da Sétima Arte, junto com Georges Méliès, também
francês, considerado o Pai do Cine de Ficção.
Fechado em 1982, o Cine Teatro Lumiére foi colocado à venda. O procurador dos donos
Dr.Roberto Jaeger, foi encarregado de oferecer a propriedade à Pefeitura Municipal de
Novo Hamburgo, por um preço abaixo do valor de mercado para que ficasse como uma
casa de espetáculos comunitária.
No entretanto, o presidente de uma Fundação Comunitária convenceu o Prefeito a não
aceitar a oferta, porque a Fundação iria fazer uma coleta pública para arrecadar fundos e
adquirir o Lumiére para ser transformado numa Entidade Comunitária sede da Fundação
junto com outras entidades sociais e comunitárias.
Pura conversa fiada que em nada progrediu. Passado o tempo legal da oferta dos herdeiros
para a venda ao Município, o imóvel foi à leilão público, sendo adquirido pela Igreja do
Bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino do Deus.
Ao menos o Cine Teatro Lumiére teve um fim auspicioso e bom, foi transformado em
sede de uma Igreja Cristã.
domingo, maio 07, 2017
CINQÜENTA ANOS DE LIBERATO SALZANO
No início de 1967 em reunião na Associação
Comercial e Industrial de Novo Hamburgo fui incentivado por Lauro Diogo de
Jesus, Coordenador da ACI/NH e cronista do jornal N.H., a participar do
concurso para os cargos de funcionários e professores da Escola Liberato
Salzano Vieira da Cunha.
O Diretor recém nomeado pelo Governo do Estado
era o professor Orlando Razzera, matemático e físico do Colégio Júlio de
Castilhos, o famoso "Julinho". Após entrevista com o Diretor e tendo
ainda o crédito de ter sido aprovado em primeiro lugar no Concurso Estadual para
o cargo de Secretário de Escola, fui nomeado Secretário Executivo.
A aula inaugural foi ministrada pelo Dr.Níveo
Leopoldo Friedrich, líder empresarial e Prefeito Municipal que falou do
Convênio tripartite Governo Federal (Obras e Equipamentos) Municipal (doação de
uma área de terras de 20 hectares) e Estado (pessoal e custeio de manutenção).
O início em 12 de abril deveu-se ao atraso
pelo Governo do Estado(como sempre?) para publicação dos Atos de criação da
Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, com os Cursos
Técnicos em IIº Grau em Química em 1967.
Eletrotécnica coordenado por Fernando
Fabiano da Rosa, formado pela E.T.Parobé de Porto Alegre e especializado em
Eletrecité de France e Mecânica, coordenado
pelo Engenheiro Adolf Sajovic, com especialização na Europa, ambos
começaram em 1968.
O Corpo Docente
altamente qualificado comprovou através dos anos o sucesso do empreendimento
com a formação de técnicos profissionais competentes aceitos pelas melhores
empresas e mesmo órgãos governamentais no Estado, no País e no exterior.
Lembramos que alguns estagiários de Química receberam bolsas de estudo no
exterior (América Latina, Alemanha e Suécia por exemplo).
Importante salientar que os Cursos eram à
época totalmente gratuitos e como funcionavam em tempo integral os alunos,
funcionários e professores recebiam o almoço na Escola sem ônus para eles.
Com o decorrer do tempo e por necessidades do
mercado foram criados novos cursos e passou-se também a prestar serviços de
assessoria e assistência técnica às empresas tendo em vista a alta qualidade e
precisão dos equipamentos, laboratórios e recursos humanos da Fundação.
domingo, dezembro 11, 2016
MEU TIPO INESQUECÍVEL
Quando o Prefeito Alceu Mosmann organizou uma comissão para estudar a viabilidade
de uma Universidade Regional fui convidado a participar da equipe do projeto pelo
Deputado e ex-prefeito Martins Avelino Santini presidente da ASPEUR que seria a
mantenedora da Universidade. O Secretário de Educação e Cultura João Carlos Schmitz
foi designado Diretor do Projeto Universidade e colocou uma equipe da SEMEC à
disposição, elegendo meu nome como Secretário Executivo e tive então a feliz
oportunidade de conhecer os funcionários da SEMEC e o Coordenador do Serviço
Militar Tenente Tito Alvim da Silva Borges, exímio datilógrafo e redator integrando à
equipe.
Foi nessa ocasião que tive o privilégio de conhecer e conviver durante meses com
Arlindo Feiten apelidado de “Gringo”. Esse apelido inusitado era fruto provável de sua
maneira expansiva e descontraída de dirigir-se às pessoas, contrário ao vigente
costume circunspeto e reservado daqueles de origem alemã de um modo geral,
contrário aos de origem italiana.
Era Arlindo Feiten um dos melhores e mais destacado funcionário da Prefeitura
Municipal de Novo Hamburgo, ótimo datilógrafo ( atualmente seria um digitador).
Entendia com perfeição os “garranchos” dos textos redigidos à mão que chegavam até
ele para decifrar documentos e dar redação final. Não tinha vergonha nem escrúpulos
para perguntar quando havia alguma dúvida ou mal entendido.
O que mais me cativou tornando o “Gringo” meu tipo inesquecível foi que durante 45
anos, desde o início do Projeto, nas manhãs do dia de meu aniversário Arlindo Feiten
ligava para minha casa e cantava o parabéns à você. Fiquei sabendo que era um hábito
cordial dele para seus amigos íntimos, colegas e familiares. O que leva uma pessoa a
ser tão polida e cordial¿
Para Éric Mension-Rigau “A polidez mostra-se sobretudo como um meio de civilidade
cujos instrumentos são ao mesmo tempo a linguagem verbal e corporal, a polidez
confere aos gestos, ao discurso, à maneira de caminhar, propriedades distintivas que
são insígnias de classe.”
E o Professor Ernest Sarlet dizendo: “- Para ser amigo basta ter sentimento, ter
coração, saber falar, calar, mas sobre tudo saber ouvir, saber conversar de coisas
simples, poder contar a ele o que ouviu de bom, dos anseios das realizações, dos
sonhos e realidades.”
Nesse ano, após comemorarmos juntos nossos aniversários, Arlindo Feiten deixou-nos
para a vida eterna...
*Plínio Dall´Agnol é professor Pós-Graduado em Antropologia Cultural
de uma Universidade Regional fui convidado a participar da equipe do projeto pelo
Deputado e ex-prefeito Martins Avelino Santini presidente da ASPEUR que seria a
mantenedora da Universidade. O Secretário de Educação e Cultura João Carlos Schmitz
foi designado Diretor do Projeto Universidade e colocou uma equipe da SEMEC à
disposição, elegendo meu nome como Secretário Executivo e tive então a feliz
oportunidade de conhecer os funcionários da SEMEC e o Coordenador do Serviço
Militar Tenente Tito Alvim da Silva Borges, exímio datilógrafo e redator integrando à
equipe.
Foi nessa ocasião que tive o privilégio de conhecer e conviver durante meses com
Arlindo Feiten apelidado de “Gringo”. Esse apelido inusitado era fruto provável de sua
maneira expansiva e descontraída de dirigir-se às pessoas, contrário ao vigente
costume circunspeto e reservado daqueles de origem alemã de um modo geral,
contrário aos de origem italiana.
Era Arlindo Feiten um dos melhores e mais destacado funcionário da Prefeitura
Municipal de Novo Hamburgo, ótimo datilógrafo ( atualmente seria um digitador).
Entendia com perfeição os “garranchos” dos textos redigidos à mão que chegavam até
ele para decifrar documentos e dar redação final. Não tinha vergonha nem escrúpulos
para perguntar quando havia alguma dúvida ou mal entendido.
O que mais me cativou tornando o “Gringo” meu tipo inesquecível foi que durante 45
anos, desde o início do Projeto, nas manhãs do dia de meu aniversário Arlindo Feiten
ligava para minha casa e cantava o parabéns à você. Fiquei sabendo que era um hábito
cordial dele para seus amigos íntimos, colegas e familiares. O que leva uma pessoa a
ser tão polida e cordial¿
Para Éric Mension-Rigau “A polidez mostra-se sobretudo como um meio de civilidade
cujos instrumentos são ao mesmo tempo a linguagem verbal e corporal, a polidez
confere aos gestos, ao discurso, à maneira de caminhar, propriedades distintivas que
são insígnias de classe.”
E o Professor Ernest Sarlet dizendo: “- Para ser amigo basta ter sentimento, ter
coração, saber falar, calar, mas sobre tudo saber ouvir, saber conversar de coisas
simples, poder contar a ele o que ouviu de bom, dos anseios das realizações, dos
sonhos e realidades.”
Nesse ano, após comemorarmos juntos nossos aniversários, Arlindo Feiten deixou-nos
para a vida eterna...
*Plínio Dall´Agnol é professor Pós-Graduado em Antropologia Cultural
domingo, julho 19, 2015
Ação da Polícia Civil em Novo Hamburgo
No último final de semana as emissoras de televisão,
rádios e jornais apresentaram um noticiário inusitado para não dizer difícil de
acreditar: empresa ou pessoas assaltadas em Porto Alegre, prenderam os
bandidos. Telefonando para a polícia militar ou civil,( não sei certo qual
foi), as vítimas receberam a notícia que faltava viatura para o atendimento da
ocorrência. De acordo com o noticiário da capital existem viaturas depositadas
no pátio de um órgão público, mas, que ainda não podem ser utilizadas porque o
Sr.Governador não tem agenda disponível para entrega oficial das mesmas.
Felizmente em Novo Hamburgo, embora as dificuldades
materiais, a Central de Policia Civil está localizada num prédio moderno (sede
anterior da Prefeitura) reformado com apoio da comunidade em acordo com o governo do Estado. Os recursos
humanos ( delegados, inspetores, escrivães ) estão plenamente capacitados em
suas funções.
Esse cronista pode
testemunhar um fato ocorrido nos últimos dias: Uma família teve sua residência
assaltada. O ladrão ao fugir da casa foi identificado por operários de uma obra
vizinha à residência. A família vitimada foi à Central de Polícia Civil de Novo
Hamburgo para fazer o registro da ocorrência de roubo onde, prontamente
atendidos pelo inspetor Giovanni, o mesmo de imediato encaminhou o assunto para a Divisão de
Investigações da 1ª Delegacia. O inspetor Lemos passou a acompanhar o caso
colhendo informações sobre um dos objetos roubados: um celular de última
geração tinha rastreador seguindo o assaltante até quem adquiriu o
aparelho roubado. Essa pessoa, uma mulher de Porto Alegre teve seus registros
sociais e familiares rastreados( numa piscina e academia de clube, ruas e
comércio da cidade). Com esses dados e
uma diligência minuciosa e persistente o inspetor Lemos conseguiu identificar a
receptadora. Ele passou trabalho com a mulher que criou as maiores dificuldades
para apresentar-se numa delegacia. Finalmente intimada fez a entrega do aparelho
com arrogância.
Embora a receptadora tenha devolvido o celular roubado
sem o cartão de memória, as imagens dela estão todas arquivadas no computador
da polícia, graças aos inspetores Lemos, Giovanni e Lourenço.
quarta-feira, dezembro 09, 2009
PRESERVANDO A CASA ADAMS
A casa localizada à Rua Silveira Martins n° 780, esquina com a Rua Julio de Castilhos, no Bairro Centro, chama a atenção das pessoas que por ela passam, por sua beleza arquitetônica,embora atualmente encontra-se em estado lamentável: problemas no telhado e pichações em suas portas e paredes externas.
É uma construção em alvenaria de tijolos salpicados, em sua cobertura possui manzardas, telhas canal, telhas francesas (as que são em número maior) e telhas de zinco. Possui uma cúpula externa na fachada lateral. Na fachada principal possui elementos em alto relevo com formas geométricas, óculo com vitral colorido e cachorro de madeira no beiral. Paredes internas, pisos e forro são confeccionados em madeira, do mesmo modo as portas e janelas internas e externas. O piso geral é de madeira com exceção do banho e cozinha que são de ladrilhos e as paredes de alvenaria. Há um espaço lateral externo com frente para a Rua Júlio de Castilhos, que serviu como um jardim com duas grandes árvores que prejudicam o prédio, principalmente alicerces e o telhado. Poda ou remoção das mesmas deveriam ser providenciadas para salvaguarda da casa.
Pode-se dizer que o estado atual da casa é regular, exigindo uma restauração o mais urgente possível, pois sua deterioração está a caminho.
De acordo com a assessoria dos proprietários atuais, existe o interesse em restaurá-la e conservá-la, assim que tiveram a autorização da Prefeitura Municipal para as devidas obras de restauração, e demais obras.
A Casa Adams possui 188m² de área construída, encontra-se na extremidade nordeste de um terreno de 5.166 m² de área, que também abriga o que resta da antiga fábrica de Calçados Adams. A empresa passou ao controle do Banco do Brasil em meados dos anos 70, sendo a seguir adquirida por uma das empresas do Grupo Franciscano.
Essa casa, cuja data de construção é da primeira metade do século passado, foi residência da Família Pedro Adams Filho por três gerações.
A importância de sua preservação, restauração e conservação, pode ser comprovada através dos meios de comunicação, principalmente o Jornal N.H.(exemplo: edição de 17 de outubro de 2000, página 4). Crônicas e fotos do Fotógrafo e Jornalista Alceu Mário Feijó e outros cronistas.
O escritor hamburguense Paulo Henrique Kern, escreveu, e Ariadne Decker ilustrou, um interessante livro “ Ruas e Praças de Novo Hamburgo- Quem é Quem”. Em sua 2ª edição, de 2002, Novo Hamburgo, RS, edição do autor. Nele está registrada a importância de Pedro Adams Filho, dando nome à Avenida Pedro Adams Filho,que cruza a zona Central da cidade,de norte, do Bairro Operário, do Guarani, Vila Rosa, passando pelo Centro e seguindo ao sul na direção de Pátria Nova, Ouro Branco-Pátria Nova, novamente Ouro Branco, Rondônia e Industrial, Santo Afonso e Industrial novamente.
Para Paulo Henrique Kern “PEDRO ADAMS FILHO (1870-1935), o pioneiro da indústria calçadista do Vale do Rio dos Sinos, nasceu no município de Lajeado, iniciou as atividades profissionais aos dezoito anos de idade, quando ele e seu pai se estabeleceram com sapataria e selaria em Dois Irmãos. Naquela época,começou a confeccionar chinelos. Mudou-se para Novo Hamburgo em 1898. Utilizando maquinaria importada da Alemanha, instalou a primeira fábrica de calçados da Cidade. Essa empresa teve extraordinária importância, pois serviu de escola a muitos sapateiros que depois fundaram outras indústrias. Adams foi também o primeiro a vender seus produtos no Estado de São Paulo. Participou ainda da criação de uma empresa geradora e distribuidora de eletricidade, denominada Energia Elétrica Hamburguesa Limitada. Atuando na política, fez parte do Conselho Municipal de São Leopoldo ( correspondente à atual Câmara Municipal de Vereadores), desde 1917 até a emancipação de Novo Hamburgo,em 5 de abril de 1927. Teve participação ativa na campanha emancipacionista. Foi presidente da Sociedade Ginástica de Novo Hamburgo no período de 1910 a 1911.”
Pela Lei Municipal 47, de 1964, a avenida foi oficializada como via pública principal de Novo Hamburgo.
A Profª Ms. Claudia Schemes et allii, também registra de forma enfática, a importância de Pedro Adams Filho, no livro do qual é co-autora “Memória do Setor Coureiro-Calçadista: Pioneiros e Empreendedores do Vale do Rio dos Sinos”, editora da Feevale, 2005, Novo Hamburgo, RS, Brasil.
No capítulo “Empresários e Trabalhadores”, à pagina 17, os autores citam :
“Um dos marcos do crescimento da atividade calçadista em Novo Hamburgo foi a criação da primeira fábrica de calçados,em 1898, por Pedro Adams Filho, que já trabalhava desde os 18 anos com seu pai, também sapateiro, na confecção de chinelos.
Ele foi, portanto, o pioneiro da indústria calçadista de Novo Hamburgo e Vale dos Sinos. ...Esta primeira fábrica chamada Pedro Adams Filho & Cia. Ltda. Produziu itens diversificados, pois não havia especialização nem critérios na linha de produtos fabricados. O maquinário utilizado era da marca Moenus, importado da Alemanha, entretanto, durante a 1ª Guerra Mundial pressões econômicas e políticas o obrigaram a trocar estas máquinas por outras norte-americanas. Além disso, técnicos italianos e uruguaios foram contratados para melhorar o sistema de produção.
Pedro Adams tinha idéias bastante avançadas para a época.
A empresa que só fabricava calçados femininos e masculinos,em 1930, passou a concentrar as atividades na produção de sandálias masculinas. As botinas, que também eram fabricadas, eram vendidas por vendedores que utilizavam o cavalo ou a mula como meio de transporte para chegar ao interior do Estado.”
E mais adiante (página 18) “Este empresário, portanto, pode ser considerado uma das figuras mais importantes do complexo industrial do Vale dos Sinos, pois foi ele que financiou grande parte das indústrias de calçados e curtumes da região”.
Cabe dizer também, que a Empresa de Energia Elétrica, por ele criada, além de fornecer energia para a fábrica de calçados e o Curtume Hamburguez ( também criado por Pedro Adams Filho), era a fornecedora de energia para a cidade.
Os couros produzidos no Curtume de Adams Filho eram de tal qualidade que em 1917 passaram e ser exportados para a Suiça.
Da entrevista de Pedro Adams Neto (pág.19 a 26,op. cit.), extraímos alguns comentários bem interessantes:
- Meu primeiro trabalho foi no Curtume do Adams (Curtume Hamburguez), onde eu recebia os couros do matadouro Provenzano...Utilizando o método que aprendi com o Barreto,químico responsável do Curtume Hamburguez – a curtição de nonato deu certo.
...Com esse empreendimento, consegui formar capital para comprar uma participação no Adams S/A.
...A partir de então meu pai chamou-me para trabalhar na fábrica de sandálias do Adams, fazendo com que eu passasse por todas as máquinas e aprendesse todo o processo de fabricação.
...Depois fui ao Rio e São Paulo acompanhar a comercialização, trabalhando em depósitos de couros e calçados. Na volta, fui para a fábrica de calçados Adams, já como diretor.
De Ronaldo Romeu Meurer, um trabalhador entrevistado ( pág.53 a 59 ), extraímos algumas observações:
- Comecei a trabalhar com 14 anos de idade com carteira assinada...
-Na firma (Adams) passei por várias seções ( solaria, aviamento, corte, etc)...
- Dentro da firma eu me sentia muito bem. Tive propostas para trocar,mas eu me sentia bem dentro dessa firma, nunca fiz questão de mudar... foram 30 anos de serviço.
- A pedido dos patrões, depois de 30 dias aposentado, fui convidado a voltar, promovido a chefe de seção...
- Coisa boa acontecia diariamente porque tínhamos muitos amigos e os próprios patrões eram muito bons. Eu, mais dois irmãos e minha mãe trabalhávamos todos na mesma firma e os patrões deram-nos uma casa para morar, para pagarmos da maneira que podíamos pagar. Se pudesse pagar um mês estava bom; se não pudesse pagar num mês, não fazia mal. Isso é uma das coisas boas que tenho lembrança...
- O nome do patrão era Urbano Adams. Foi muito bom trabalhar ali, eles nos auxiliaram muito. O Adams fazia calçado de homem, um calçado de primeira classe...
No jornal NH de 17 de outubro de 2000 (pág.4), destacamos algumas considerações importantes do economista e Consultor da Associação de Curtumes do RS-AICSul, André Maurício dos Santos, a respeito do pioneiro Pedro Adams Filho:
-O impulso decisivo para o crescimento da emergente indústria calçadista aconteceu em 1888, com a criação da primeira fábrica de calçados propriamente dita: a Pedro Adams Filho & Cia. Ltda., de Pedro Adams Filho, proprietário de um curtume e fábrica de arreios. O Sr.Adams construiria,em 1901, um prédio de alvenaria na cidade, que mais tarde passaria por sucessivos aumentos...
- Pedro Adams se tornou agente do Banco da Província, cargo que lhe teria facilitado o acesso a empréstimos para sua fábrica...
Muito mais poderia ser dito a respeito de Pedro Adams Filho e sua trajetória extraordinária como pioneiro da indústria,empresário inovador, político, e líder social. Acima de tudo, um humanista exemplar para muitos outros donos de fábrica( como gostava de dizer o Professor Ernest Sarlet).
É mister inadiável a restauração da Casa Adams,e não só isso, sua preservação e manutenção como um Memorial para conhecimento dessa e das futuras gerações.
Esperamos que o entorno degradado possa também dar lugar a novos empreendimentos, incluímos aqui também a área da antiga Fábrica de Molduras P.Alles.
Todas essas áreas ociosas ( Adams, P.Alles, e arredores) voltem a ser revitalizadas, oferecendo novos espaços de negócios e empregos, os quais poderão trazer e atrair novos capitais e renda para os empresários, os trabalhadores e para o município através da arrecadação de impostos.
Uma área central do município, com antigos prédios industriais em petição de miséria, servindo apenas para abrigo de morcegos e atelier de pichadores, merece uma atenção melhor.
Projetos inovadores com aproveitamento adequado merecem o apoio e incentivo das autoridades e o aplauso da comunidade.
É uma construção em alvenaria de tijolos salpicados, em sua cobertura possui manzardas, telhas canal, telhas francesas (as que são em número maior) e telhas de zinco. Possui uma cúpula externa na fachada lateral. Na fachada principal possui elementos em alto relevo com formas geométricas, óculo com vitral colorido e cachorro de madeira no beiral. Paredes internas, pisos e forro são confeccionados em madeira, do mesmo modo as portas e janelas internas e externas. O piso geral é de madeira com exceção do banho e cozinha que são de ladrilhos e as paredes de alvenaria. Há um espaço lateral externo com frente para a Rua Júlio de Castilhos, que serviu como um jardim com duas grandes árvores que prejudicam o prédio, principalmente alicerces e o telhado. Poda ou remoção das mesmas deveriam ser providenciadas para salvaguarda da casa.
Pode-se dizer que o estado atual da casa é regular, exigindo uma restauração o mais urgente possível, pois sua deterioração está a caminho.
De acordo com a assessoria dos proprietários atuais, existe o interesse em restaurá-la e conservá-la, assim que tiveram a autorização da Prefeitura Municipal para as devidas obras de restauração, e demais obras.
A Casa Adams possui 188m² de área construída, encontra-se na extremidade nordeste de um terreno de 5.166 m² de área, que também abriga o que resta da antiga fábrica de Calçados Adams. A empresa passou ao controle do Banco do Brasil em meados dos anos 70, sendo a seguir adquirida por uma das empresas do Grupo Franciscano.
Essa casa, cuja data de construção é da primeira metade do século passado, foi residência da Família Pedro Adams Filho por três gerações.
A importância de sua preservação, restauração e conservação, pode ser comprovada através dos meios de comunicação, principalmente o Jornal N.H.(exemplo: edição de 17 de outubro de 2000, página 4). Crônicas e fotos do Fotógrafo e Jornalista Alceu Mário Feijó e outros cronistas.
O escritor hamburguense Paulo Henrique Kern, escreveu, e Ariadne Decker ilustrou, um interessante livro “ Ruas e Praças de Novo Hamburgo- Quem é Quem”. Em sua 2ª edição, de 2002, Novo Hamburgo, RS, edição do autor. Nele está registrada a importância de Pedro Adams Filho, dando nome à Avenida Pedro Adams Filho,que cruza a zona Central da cidade,de norte, do Bairro Operário, do Guarani, Vila Rosa, passando pelo Centro e seguindo ao sul na direção de Pátria Nova, Ouro Branco-Pátria Nova, novamente Ouro Branco, Rondônia e Industrial, Santo Afonso e Industrial novamente.
Para Paulo Henrique Kern “PEDRO ADAMS FILHO (1870-1935), o pioneiro da indústria calçadista do Vale do Rio dos Sinos, nasceu no município de Lajeado, iniciou as atividades profissionais aos dezoito anos de idade, quando ele e seu pai se estabeleceram com sapataria e selaria em Dois Irmãos. Naquela época,começou a confeccionar chinelos. Mudou-se para Novo Hamburgo em 1898. Utilizando maquinaria importada da Alemanha, instalou a primeira fábrica de calçados da Cidade. Essa empresa teve extraordinária importância, pois serviu de escola a muitos sapateiros que depois fundaram outras indústrias. Adams foi também o primeiro a vender seus produtos no Estado de São Paulo. Participou ainda da criação de uma empresa geradora e distribuidora de eletricidade, denominada Energia Elétrica Hamburguesa Limitada. Atuando na política, fez parte do Conselho Municipal de São Leopoldo ( correspondente à atual Câmara Municipal de Vereadores), desde 1917 até a emancipação de Novo Hamburgo,em 5 de abril de 1927. Teve participação ativa na campanha emancipacionista. Foi presidente da Sociedade Ginástica de Novo Hamburgo no período de 1910 a 1911.”
Pela Lei Municipal 47, de 1964, a avenida foi oficializada como via pública principal de Novo Hamburgo.
A Profª Ms. Claudia Schemes et allii, também registra de forma enfática, a importância de Pedro Adams Filho, no livro do qual é co-autora “Memória do Setor Coureiro-Calçadista: Pioneiros e Empreendedores do Vale do Rio dos Sinos”, editora da Feevale, 2005, Novo Hamburgo, RS, Brasil.
No capítulo “Empresários e Trabalhadores”, à pagina 17, os autores citam :
“Um dos marcos do crescimento da atividade calçadista em Novo Hamburgo foi a criação da primeira fábrica de calçados,em 1898, por Pedro Adams Filho, que já trabalhava desde os 18 anos com seu pai, também sapateiro, na confecção de chinelos.
Ele foi, portanto, o pioneiro da indústria calçadista de Novo Hamburgo e Vale dos Sinos. ...Esta primeira fábrica chamada Pedro Adams Filho & Cia. Ltda. Produziu itens diversificados, pois não havia especialização nem critérios na linha de produtos fabricados. O maquinário utilizado era da marca Moenus, importado da Alemanha, entretanto, durante a 1ª Guerra Mundial pressões econômicas e políticas o obrigaram a trocar estas máquinas por outras norte-americanas. Além disso, técnicos italianos e uruguaios foram contratados para melhorar o sistema de produção.
Pedro Adams tinha idéias bastante avançadas para a época.
A empresa que só fabricava calçados femininos e masculinos,em 1930, passou a concentrar as atividades na produção de sandálias masculinas. As botinas, que também eram fabricadas, eram vendidas por vendedores que utilizavam o cavalo ou a mula como meio de transporte para chegar ao interior do Estado.”
E mais adiante (página 18) “Este empresário, portanto, pode ser considerado uma das figuras mais importantes do complexo industrial do Vale dos Sinos, pois foi ele que financiou grande parte das indústrias de calçados e curtumes da região”.
Cabe dizer também, que a Empresa de Energia Elétrica, por ele criada, além de fornecer energia para a fábrica de calçados e o Curtume Hamburguez ( também criado por Pedro Adams Filho), era a fornecedora de energia para a cidade.
Os couros produzidos no Curtume de Adams Filho eram de tal qualidade que em 1917 passaram e ser exportados para a Suiça.
Da entrevista de Pedro Adams Neto (pág.19 a 26,op. cit.), extraímos alguns comentários bem interessantes:
- Meu primeiro trabalho foi no Curtume do Adams (Curtume Hamburguez), onde eu recebia os couros do matadouro Provenzano...Utilizando o método que aprendi com o Barreto,químico responsável do Curtume Hamburguez – a curtição de nonato deu certo.
...Com esse empreendimento, consegui formar capital para comprar uma participação no Adams S/A.
...A partir de então meu pai chamou-me para trabalhar na fábrica de sandálias do Adams, fazendo com que eu passasse por todas as máquinas e aprendesse todo o processo de fabricação.
...Depois fui ao Rio e São Paulo acompanhar a comercialização, trabalhando em depósitos de couros e calçados. Na volta, fui para a fábrica de calçados Adams, já como diretor.
De Ronaldo Romeu Meurer, um trabalhador entrevistado ( pág.53 a 59 ), extraímos algumas observações:
- Comecei a trabalhar com 14 anos de idade com carteira assinada...
-Na firma (Adams) passei por várias seções ( solaria, aviamento, corte, etc)...
- Dentro da firma eu me sentia muito bem. Tive propostas para trocar,mas eu me sentia bem dentro dessa firma, nunca fiz questão de mudar... foram 30 anos de serviço.
- A pedido dos patrões, depois de 30 dias aposentado, fui convidado a voltar, promovido a chefe de seção...
- Coisa boa acontecia diariamente porque tínhamos muitos amigos e os próprios patrões eram muito bons. Eu, mais dois irmãos e minha mãe trabalhávamos todos na mesma firma e os patrões deram-nos uma casa para morar, para pagarmos da maneira que podíamos pagar. Se pudesse pagar um mês estava bom; se não pudesse pagar num mês, não fazia mal. Isso é uma das coisas boas que tenho lembrança...
- O nome do patrão era Urbano Adams. Foi muito bom trabalhar ali, eles nos auxiliaram muito. O Adams fazia calçado de homem, um calçado de primeira classe...
No jornal NH de 17 de outubro de 2000 (pág.4), destacamos algumas considerações importantes do economista e Consultor da Associação de Curtumes do RS-AICSul, André Maurício dos Santos, a respeito do pioneiro Pedro Adams Filho:
-O impulso decisivo para o crescimento da emergente indústria calçadista aconteceu em 1888, com a criação da primeira fábrica de calçados propriamente dita: a Pedro Adams Filho & Cia. Ltda., de Pedro Adams Filho, proprietário de um curtume e fábrica de arreios. O Sr.Adams construiria,em 1901, um prédio de alvenaria na cidade, que mais tarde passaria por sucessivos aumentos...
- Pedro Adams se tornou agente do Banco da Província, cargo que lhe teria facilitado o acesso a empréstimos para sua fábrica...
Muito mais poderia ser dito a respeito de Pedro Adams Filho e sua trajetória extraordinária como pioneiro da indústria,empresário inovador, político, e líder social. Acima de tudo, um humanista exemplar para muitos outros donos de fábrica( como gostava de dizer o Professor Ernest Sarlet).
É mister inadiável a restauração da Casa Adams,e não só isso, sua preservação e manutenção como um Memorial para conhecimento dessa e das futuras gerações.
Esperamos que o entorno degradado possa também dar lugar a novos empreendimentos, incluímos aqui também a área da antiga Fábrica de Molduras P.Alles.
Todas essas áreas ociosas ( Adams, P.Alles, e arredores) voltem a ser revitalizadas, oferecendo novos espaços de negócios e empregos, os quais poderão trazer e atrair novos capitais e renda para os empresários, os trabalhadores e para o município através da arrecadação de impostos.
Uma área central do município, com antigos prédios industriais em petição de miséria, servindo apenas para abrigo de morcegos e atelier de pichadores, merece uma atenção melhor.
Projetos inovadores com aproveitamento adequado merecem o apoio e incentivo das autoridades e o aplauso da comunidade.
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