segunda-feira, novembro 19, 2012

O ANTIGO CAFÉ AVENIDA


O ANTIGO  CAFÉ  AVENIDA

Plínio Dall´Agnol

Assim como o Café Luna, criado por Rudy Lannius em 1954, passou em 1971 para Plínio Finck , do mesmo modo o Antigo Café  Avenida, criado em 1931 por Eduardo Kraemer, pai do Sr.Sadi Kramer, passou para novos proprietários em 1942( os irmãos Osmar e Oscar Guerreiro).  De acordo com entrevista de Seu Omar à revista Hoje(dez.1992) “ O Café de onde os políticos nunca se afastam. As mesas se tornaram tribunas para os mais conhecidos e os quase anônimos. Onde empresários, trabalhadores, advogados, médicos e seus pacientes, amigos e inimigos dividiam o mesmo espaço, democraticamente”.
Quando em algum sábado conseguia uma folga da Faculdade, vinha ao Centro com meus filhos os quais cumpriam suas tarefas de abastecer-se de guloseimas e revistinhas na Tabacaria do Seu Araújo, e atualizar suas coleções de playmobil   no Bazar Central da Família Selegar. Ao mesmo tempo eu curtia o convívio saudável do antigo Café Avenida próximo, na esquina da Pedro Adams com a General Netto. Meus diálogos com Fausto Wolff lá no Avenida foram marcantes e inesquecíveis: proveitosos e contribuíram para meus conhecimentos nas áreas do jornalismo e literatura. Fui apresentado a ele por sua cunhada, a Profa.Marlise Wolfenbüttel, Diretora da Faculdade de Belas Artes e minha colega na Feevale. Residindo no Rio, vinha a Porto Alegre rever amigos e visitar seus familiares em Novo Hamburgo.
Fausto Wolff, um dos fundadores de “O PASQUIM”, periódico irreverente e crítico da ditadura militar (1964-1985), foi obrigado a exilar-se na Europa por dez anos. Lecionou literatura nas Universidades da Dinamarca, Itália e França. Foi autor de uma valiosa bibliografia, incluindo dezenas de peças teatrais, mais de 20 livros. Era um exímio poliglota, dominando o alemão, norueguês, francês, inglês e italiano. Dividia seu trabalho de tradutor com o jornalismo, televisão e literatura. Nascido em 1940, em Santo Ângelo, faleceu em 2008, no Rio de Janeiro.
Ruy Castro sintetizou: “ Houve época no Rio, em que todos os homens queriam ser Fausto Wolff, Pela inteligência e pelas mulheres que ele conquistava”.
Foi um privilégio conhecer Fausto Wolff, no velho Café Avenida, em Novo Hamburgo.



quarta-feira, setembro 12, 2012

LA CHAUSSURE - O CALÇADO

Esse livro,  LA CHAUSSURE,  de MICHEL JUIGNET, é uma publicação do próprio autor: Paris, 1977. Chez l´auteur, 34, rue de l´Alouette, 94160 Saint-Mandé. Val-de Marne, France.

Michel JUIGNET, nessa edição em francês, conta a história do sapato naquele País, suas lendas, seus sapateiros, e suas associações profissionais mais conhecidas e célebres.
Os vários capítulos, distribuídos em 262 páginas, nos apresentam:

1-O PROFISSIONAL SAPATEIRO E PROFISSÕES AFINS
2-LENDAS DA PROFISSÃO e APELIDOS DOS  PROFISSIONAIS a da PROFISSÃO

3-AS DOENÇAS PROFISSIONAIS DOS SAPATEIROS
4-AS COMEMORAÇÕES CORPORATIVAS DAS ASSOCIAÇÕES CALÇADISTAS NA EUROPA


5-O CALÇADO
6-O FRANCÊS-INGLÊS(FRANGLAICAS) e OS TÊRMOS DESIGNATIVOS DO  CALÇADO

7-MINHAS IMPRESSÕES E REFLEXÕES DE UMA VISITA ÀS EMPRESAS DE CALÇADOS EUROPÉIAS
8-O ESTUDO DO CALÇADO E O SIMBOLISMO DO CALÇADO

9-MUSEUS DO CALÇADO NO MUNDO
10- AS ASSOCIAÇÕES DOS MESTRES/COLEGAS DE OFÍCIO NAS ÁREAS DE SAPATOS E BOTAS NO CIRCUITO FRANCÊS

11- OS ASSOCIADOS de 1975
12-PESSOAS IMPORTANTES NA ÁREA DO CALÇADO E QUE ALCANÇARAM CELEBRIDADE


Reproduções de fotos antigas, ilustram modelos de sandália egípcia, confeccionada em tecido de palmeira, calçado japonês ricamente dourado, sapatilha da Moravia(1923), mocassin de pele de bison, decorado com pérolas, bota russa do século XIX, botinha feminina de Pinet(1870). Marcas registradas de fábricas, modelos de botas: bota amazona, botas e botinas de caça, bota arqueada, sapato napolitano.Há também, a foto de um elegante senhor, em traje de festa, membro de uma associação calçadista no século XIX.
 
Reprodução do desenho feito por um associado (A.Fardin), de uma sede corporativa de calçadistas. Fotos de encontros festivos de sapateiros (calçadistas), em 1892, na localidade de Bordeaux,e em Paris,no ano de 1975. Um quadro, representando antigo sapateiro flamengo.

A publicação do livro foi feita numa época na qual não existiam  as facilidades das comunicações dos anos 2000. É valiosa para o tempo e o espaço que abrange, não tem caráter universal. Merecerá de nossa parte, outro comentário sobre calçados e afins. Foi na segunda metade do século passado que desenvolveu-se uma rica produção coureiro calçadista na América. No Brasil, criou-se uma rede de instituições e profissionais na área: empresários, trabalhadores, associações, caixeiros-viajantes, transportadoras, imprensa( o Grupo Editorial Sinos com o Brazil Export , O Exclusivo,Lançamentos), ANCA,FENAC, FRANCAL, ABICALÇADOS, exportadores, estilistas, escolas do calçado, escola de curtimento, tecnólogos de couros e tecnólogos de calçados da Feevale, museu nacional do calçado. Esse assunto merece uma crônica especial e detalhada.

CAFÉ LUNA BAR É CULTURA


O tradicional Café LUNA BAR foi inaugurado em primeiro de maio de 1954. É administrado pela família FINCK desde seu começo. Referência no centro de Novo Hamburgo ocupou durante décadas, uma das lojas do prédio do antigo Cine Theatro Lumière, na Rua General Neto, atual Calçadão Osvaldo Cruz, no coração da cidade.
Recentemente, teve que obedecer a ordem legal de despejo, patrocinada pela nova dona do  prédio, a igreja do pastor Edir Macedo. Embora o infortúnio, o LUNA não desapareceu. Ressurgiu qual Fênix revivida, num espaço novo, maior e melhor, na Rua Bento Gonçalves, ao lado da Escola Osvaldo Cruz e em frente ao Calçadão que leva o mesmo nome.

É um ambiente aconchegante, que vem agradando a seus frequentadores habituais, bem como, aos  novos clientes: a decoração de bom gosto, os  móveis de madeira vergada, dão uma sensação de conforto. Suas amplas paredes laterais internas são tomadas por quadros que ilustram os últimos sessenta anos de arte musical e cinematográfica. Podemos contemplar  James Dean, as motocicletas de Peter Fonda e Dennys Hopper, e m "Easy Ryder", a inesquecível Marilyn Monroe, os gênios musicais de Elvis Aaron Presley, Led Zeppelyn, Rolling Stones, Pink Floyd, o nosso Legião Urbana, de Renato Russo, e outros mais.
 
As tribos de fiéis clientes revezam-se nos vários turnos, da manhã à noite, da segunda-feira ao sábado. O atendimento é personalizado, os produtos oferecidos, da melhor qualidade, e o café tirado pelo barista chef Geraldo Finck, fazem a delícia de seus apreciadores. Israel (filho de Geraldo) e Dona Luíza são os colaboradores no atendimento da clientela.

Nesse ano, quem esteve no LUNA, teve a oportunidade de acompanhar pela TVHD, Il Giro d´Italia, Tour de France, O Torneio de Wimbledon, o US  Open e os Jogos Olímpicos de Londres, dentre outros. Os donos de Lap Tops/Notebooks, aproveitam a internet do LUNA.
Empresários, esportistas, professores, artistas plásticos, sejam quais forem as profissões, aposentados ou não, casais de todas as idades, trocam informações, batem papo, discutem política, alguns tentam salvar o país do mensalão.

Um aspecto que chama a atenção é a troca e empréstimo de CDs, livros e periódicos. No grupo que acompanho, circulam livros de economia, de História, Antropologia, Política, e até Auto Ajuda. Nomes de Eduardo Galeano, Mario Vargas Llosa, Miriam Leitão, Mário Simonsen, dentre outros, foram citados ou lidos. Recortes de jornais e revistas, com "a notícia ou a charge do dia", são frequentes.
Uma amiga relatou-me um episódio envolvendo seu filho, aluno de primeiro grau, na vizinha Escola Osvaldo Cruz: O garoto dirigiu-se à professora, solicitando permissão para sair da Escola durante o recreio. Explico o motivo: queria ir até o Luna, dar um alô para o vovô, o qual, segundo a vovó afirmara "passava todas as manhãs no Luna". Embora o simpático pedido da criança, a professora fez ver da responsabilidade e cuidados que a Escola deve ter, não autorizando a saída de alunos durante o período de aulas. Como podemos constatar, o Café Bar Luna, além de espaço de lazer e cultura, também é família.

Longa vida ao Café Bar Luna, um dos mais antigos e tradicionais pontos do Centro de Novo Hamburgo.

segunda-feira, agosto 27, 2012

O Livro de Ouro da História da Música


O Arte-educador e Professor Adalberto Xavier Barcellos   ofereceu-me a oportunidade de conhecer um extraordinário trabalho de erudição, um guia exemplar para os interessados e estudiosos da música: "O LIVRO DE OURO DA HISTÓRIA DA MÚSICA", de Otto Maria Carpeaux, editado pela Ediouro Publicações S/A, do Rio de Janeiro.
O autor, de origem judaica, nasceu na Áustria, em 1900, diplomou-se em  filosofia e letras, em 1925, pela Universidade de Viena. Era um estudante inveterado onde também estudou as matérias de física, química e matemática. Somou ainda estudos de sociologia, história e música.

Em 1939 saiu da Áustria indo para a Bélgica, residindo em Antuérpia para trabalhar num jornal em língua holandesa. Perseguido pelo  nazismo, veio para o Brasil, onde naturalisou-se em 1944. De sua residência inicial em São Paulo, foi para o Rio de Janeiro, onde trabalhou no Jornal Correio da Manhã. Foi Diretor da Biblioteca da Faculdade Nacional de Filosofia, de 1942  a 1944. Publicou seu primeiro livro "A Cinza do Purgatório", em 1942. De 1944 a 1949, dirigiu a Biblioteca da Fundação Getulio Vargas. É autor ainda de : Pequena Bibliografia Crítica da Literatura Brasileira(1949), Uma Nova História da Música(1958), Literatura Alemã(1964), História da Literatura Ocidental(1959 a 1966). De suas crônicas em jornais e revistas, publicou em 1964 "Brasil no Espelho do Mundo" e "A Batalha da América Latina", em 1965.

Oto Maria Carpeaux faleceu em 1978, no Rio de Janeiro.

Seu consagrado livro de História da Música, em 525 páginas, analisa com propriedade AS ORIGENS DA MÚSICA, A  POLIFONIA VOCAL, O BARROCO, A MÚSICA CLÁSSICA, OS ROMANTISMOS(analisando intensamente,desde a definição do romantismo na música, o fantástico, os semiclássicos, desde Schubert a Mendelsohn, a Ópera, Os nacionalistas, os franceses, italianos, alemães, tchecos, russos, escandinavos, até a Escola de Franck.), A CRISE DA MÚSICA EUROPÉIA, A MÚSICA NOVA. Um Apêndice A, traz a CRONOLOGIA DOS COMPOSITORES, e um Apêndice B, A CRONOLOGIA DAS OBRAS, e por fim um ÍNDICE ONOMÁSTICO.

Destacamos algumas palavras de um oportuno e detalhado comentário de HELOISA FISCHER, a respeito da História da Música, de Otto Maria Carpeaux:

"Fundamental para  a bibliografia musicológica em língua portuguesa desde o lançamento em 1958, este clássico(ou seria erudito ) de  Carpeaux é essencial na estante dos que têm música pulsando nas veias."

segunda-feira, agosto 20, 2012

Dia do Patrimônio Histórico





Dia 17 de agosto é comemorativo do Patrimônio Histórico. O ideal seria chamar-se "Dia do Patrimônio Cultural". Mais abrangente. Vale no entanto o esfôrço e o interesse, tanto público como particular, na preservação e conservação de nossos acêrvos culturais: a memória, as edificações, as bibliotecas, as culturas indígenas, os usos e costumes das nossas mais variadas etnias nacionais e de imigrantes aquí chegados, e tudo mais que possa interessar em matéria de patrimônio cultural.
 
Felizmente em Novo Hamburgo, a Organização não Governamental DEFENDER, entidade civil, sem fins lucrativos, decidiu organizar e promover O FÓRUM ''PATRIMÔNIO CULTURAL E PAISAGEM URBANA DE NOVO HAMBURGO".

Os Delegados, local e regional, bem como a presidência da DEFENDER, foram muito felizes na elaboração do programa e na listagem dos convidados conferencistas: A Superintendente Regional do IPHAN, Ana Goelzer Meira, o Arquiteto Eduardo Hann, do IPHAE, a Promotora Pública, especialista em Direito do Patrimônio Cultural Dra. Ana Marchesan, dentre outros.

O Delegado Regional da DEFENDER DEFESA CIVIL DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO, Jorge Luís Stocker, entrevistado pela jornalista Stephany Sander(Correio do Povo, 20/8/2012), assim se pronunciou:"A nossa missão é trazer este debate para o seio da comunidade e mostrar que possibilidades existem e são muitas. A oportunidade de que estamos proporcionando é inédita, pois buscamos finalidades práticas"!

Maiores detalhes e informações mais precisas, podem ser colhidas no site da DEFENDER:
ww.defender.org.br/forum

terça-feira, agosto 14, 2012

Capital da Cultura


Algumas cidades são privilegiadas em termos culturais. Um caso muito especial é de São Leopoldo. Localizada a 33 km ao norte de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul.
Berço da colonização alemã no RS, São Leopoldo possui uma das maiores e melhores universidades que temos o privilégio de conhecer: A UNISINOS, Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Mantida e administrada pela competente experiência de 5 séculos dos Padres Jesuitas. Além de seus tradicionais e conceituados cursos de graduação, especialização, mestrado e doutorado, possui um avançado parque tecnológico, abrigando empresas locais e internacionais, desenvolvendo produtos de ponta na área da informática e automação industrial. A Universidade participa de vários programas e projetos nacionais e internacionais(Programa na Antártida, em biologia e geologia). O Instituto Anchietano de Pesquisas, dirigido pelo Pe.Dr.Pedro Ignácio Schmitz, destaca-se em História, Arqueologia e Antropologia. As pessoas interessadas em conhecer melhor a Unisinos, podem entrar em seu site.


Podemos ainda destacar nessa cidade:


MUSEU DO TREM
Rua Lindolfo Collor, 40, Centro

MUSEU DA HISTÓRIA GEOLÓGICA
Av.Unisinos, 950, prédio 61, Fone 3591.1122

MUSEU ANTROPOLÓGICO ANCHIETANO
Rua Brasil, 725, Centro, Fone 3590.8409

MUSEU DO RIO
Rua da Praia, 50, Bairro Rio dos Sinos, Fone 3589.4343

MUSEU HISTÓRICO VISCONDE DE SÃO LEOPOLDO
Rua Dom João Becker,491, Fone 3592.4557,e-mail:museuhistoricosl@terra.com.br

CASA DO IMIGRANTE/CASA DA FEITORIA
Av. Feitoria, 3291, Bairro Feitoria, Fone 3592.4557

MUSEU ESCOLAR PROF.ARNILDO HOPPEN-MEPAH
Rua Mário Sperb, 874, Morro do Espelho, Fone 3592.1584
O museu mantem visitas guiadas para escolas, e durante o ano exposições temáticas: Uniformes, Fotos - Sinodal ontem e hoje. Livros de ex-professores e ex-alunos(autores).

MEMORIAL PADRE REUS
Rua Leonel França,134, Bairro Fião, Fone 3592.1574
Visitas ao Santuário e ao túmulo do Padre Reus

MEMORIAL JESUÍTA
Av.Unisinos, 950, Bairro Cristo Rei, Fone 3591.1122
Guarda Obras Raras e Especiais, e-mail: memorialsj@unisinos.br

quarta-feira, dezembro 09, 2009

PRESERVANDO A CASA ADAMS

A casa localizada à Rua Silveira Martins n° 780, esquina com a Rua Julio de Castilhos, no Bairro Centro, chama a atenção das pessoas que por ela passam, por sua beleza arquitetônica,embora atualmente encontra-se em estado lamentável: problemas no telhado e pichações em suas portas e paredes externas.

É uma construção em alvenaria de tijolos salpicados, em sua cobertura possui manzardas, telhas canal, telhas francesas (as que são em número maior) e telhas de zinco. Possui uma cúpula externa na fachada lateral. Na fachada principal possui elementos em alto relevo com formas geométricas, óculo com vitral colorido e cachorro de madeira no beiral. Paredes internas, pisos e forro são confeccionados em madeira, do mesmo modo as portas e janelas internas e externas. O piso geral é de madeira com exceção do banho e cozinha que são de ladrilhos e as paredes de alvenaria. Há um espaço lateral externo com frente para a Rua Júlio de Castilhos, que serviu como um jardim com duas grandes árvores que prejudicam o prédio, principalmente alicerces e o telhado. Poda ou remoção das mesmas deveriam ser providenciadas para salvaguarda da casa.

Pode-se dizer que o estado atual da casa é regular, exigindo uma restauração o mais urgente possível, pois sua deterioração está a caminho.

De acordo com a assessoria dos proprietários atuais, existe o interesse em restaurá-la e conservá-la, assim que tiveram a autorização da Prefeitura Municipal para as devidas obras de restauração, e demais obras.

A Casa Adams possui 188m² de área construída, encontra-se na extremidade nordeste de um terreno de 5.166 m² de área, que também abriga o que resta da antiga fábrica de Calçados Adams. A empresa passou ao controle do Banco do Brasil em meados dos anos 70, sendo a seguir adquirida por uma das empresas do Grupo Franciscano.


Essa casa, cuja data de construção é da primeira metade do século passado, foi residência da Família Pedro Adams Filho por três gerações.

A importância de sua preservação, restauração e conservação, pode ser comprovada através dos meios de comunicação, principalmente o Jornal N.H.(exemplo: edição de 17 de outubro de 2000, página 4). Crônicas e fotos do Fotógrafo e Jornalista Alceu Mário Feijó e outros cronistas.

O escritor hamburguense Paulo Henrique Kern, escreveu, e Ariadne Decker ilustrou, um interessante livro “ Ruas e Praças de Novo Hamburgo- Quem é Quem”. Em sua 2ª edição, de 2002, Novo Hamburgo, RS, edição do autor. Nele está registrada a importância de Pedro Adams Filho, dando nome à Avenida Pedro Adams Filho,que cruza a zona Central da cidade,de norte, do Bairro Operário, do Guarani, Vila Rosa, passando pelo Centro e seguindo ao sul na direção de Pátria Nova, Ouro Branco-Pátria Nova, novamente Ouro Branco, Rondônia e Industrial, Santo Afonso e Industrial novamente.

Para Paulo Henrique Kern “PEDRO ADAMS FILHO (1870-1935), o pioneiro da indústria calçadista do Vale do Rio dos Sinos, nasceu no município de Lajeado, iniciou as atividades profissionais aos dezoito anos de idade, quando ele e seu pai se estabeleceram com sapataria e selaria em Dois Irmãos. Naquela época,começou a confeccionar chinelos. Mudou-se para Novo Hamburgo em 1898. Utilizando maquinaria importada da Alemanha, instalou a primeira fábrica de calçados da Cidade. Essa empresa teve extraordinária importância, pois serviu de escola a muitos sapateiros que depois fundaram outras indústrias. Adams foi também o primeiro a vender seus produtos no Estado de São Paulo. Participou ainda da criação de uma empresa geradora e distribuidora de eletricidade, denominada Energia Elétrica Hamburguesa Limitada. Atuando na política, fez parte do Conselho Municipal de São Leopoldo ( correspondente à atual Câmara Municipal de Vereadores), desde 1917 até a emancipação de Novo Hamburgo,em 5 de abril de 1927. Teve participação ativa na campanha emancipacionista. Foi presidente da Sociedade Ginástica de Novo Hamburgo no período de 1910 a 1911.”

Pela Lei Municipal 47, de 1964, a avenida foi oficializada como via pública principal de Novo Hamburgo.

A Profª Ms. Claudia Schemes et allii, também registra de forma enfática, a importância de Pedro Adams Filho, no livro do qual é co-autora “Memória do Setor Coureiro-Calçadista: Pioneiros e Empreendedores do Vale do Rio dos Sinos”, editora da Feevale, 2005, Novo Hamburgo, RS, Brasil.

No capítulo “Empresários e Trabalhadores”, à pagina 17, os autores citam :

“Um dos marcos do crescimento da atividade calçadista em Novo Hamburgo foi a criação da primeira fábrica de calçados,em 1898, por Pedro Adams Filho, que já trabalhava desde os 18 anos com seu pai, também sapateiro, na confecção de chinelos.

Ele foi, portanto, o pioneiro da indústria calçadista de Novo Hamburgo e Vale dos Sinos. ...Esta primeira fábrica chamada Pedro Adams Filho & Cia. Ltda. Produziu itens diversificados, pois não havia especialização nem critérios na linha de produtos fabricados. O maquinário utilizado era da marca Moenus, importado da Alemanha, entretanto, durante a 1ª Guerra Mundial pressões econômicas e políticas o obrigaram a trocar estas máquinas por outras norte-americanas. Além disso, técnicos italianos e uruguaios foram contratados para melhorar o sistema de produção.

Pedro Adams tinha idéias bastante avançadas para a época.

A empresa que só fabricava calçados femininos e masculinos,em 1930, passou a concentrar as atividades na produção de sandálias masculinas. As botinas, que também eram fabricadas, eram vendidas por vendedores que utilizavam o cavalo ou a mula como meio de transporte para chegar ao interior do Estado.”

E mais adiante (página 18) “Este empresário, portanto, pode ser considerado uma das figuras mais importantes do complexo industrial do Vale dos Sinos, pois foi ele que financiou grande parte das indústrias de calçados e curtumes da região”.

Cabe dizer também, que a Empresa de Energia Elétrica, por ele criada, além de fornecer energia para a fábrica de calçados e o Curtume Hamburguez ( também criado por Pedro Adams Filho), era a fornecedora de energia para a cidade.

Os couros produzidos no Curtume de Adams Filho eram de tal qualidade que em 1917 passaram e ser exportados para a Suiça.

Da entrevista de Pedro Adams Neto (pág.19 a 26,op. cit.), extraímos alguns comentários bem interessantes:

- Meu primeiro trabalho foi no Curtume do Adams (Curtume Hamburguez), onde eu recebia os couros do matadouro Provenzano...Utilizando o método que aprendi com o Barreto,químico responsável do Curtume Hamburguez – a curtição de nonato deu certo.

...Com esse empreendimento, consegui formar capital para comprar uma participação no Adams S/A.

...A partir de então meu pai chamou-me para trabalhar na fábrica de sandálias do Adams, fazendo com que eu passasse por todas as máquinas e aprendesse todo o processo de fabricação.

...Depois fui ao Rio e São Paulo acompanhar a comercialização, trabalhando em depósitos de couros e calçados. Na volta, fui para a fábrica de calçados Adams, já como diretor.

De Ronaldo Romeu Meurer, um trabalhador entrevistado ( pág.53 a 59 ), extraímos algumas observações:

- Comecei a trabalhar com 14 anos de idade com carteira assinada...

-Na firma (Adams) passei por várias seções ( solaria, aviamento, corte, etc)...

- Dentro da firma eu me sentia muito bem. Tive propostas para trocar,mas eu me sentia bem dentro dessa firma, nunca fiz questão de mudar... foram 30 anos de serviço.

- A pedido dos patrões, depois de 30 dias aposentado, fui convidado a voltar, promovido a chefe de seção...

- Coisa boa acontecia diariamente porque tínhamos muitos amigos e os próprios patrões eram muito bons. Eu, mais dois irmãos e minha mãe trabalhávamos todos na mesma firma e os patrões deram-nos uma casa para morar, para pagarmos da maneira que podíamos pagar. Se pudesse pagar um mês estava bom; se não pudesse pagar num mês, não fazia mal. Isso é uma das coisas boas que tenho lembrança...

- O nome do patrão era Urbano Adams. Foi muito bom trabalhar ali, eles nos auxiliaram muito. O Adams fazia calçado de homem, um calçado de primeira classe...

No jornal NH de 17 de outubro de 2000 (pág.4), destacamos algumas considerações importantes do economista e Consultor da Associação de Curtumes do RS-AICSul, André Maurício dos Santos, a respeito do pioneiro Pedro Adams Filho:

-O impulso decisivo para o crescimento da emergente indústria calçadista aconteceu em 1888, com a criação da primeira fábrica de calçados propriamente dita: a Pedro Adams Filho & Cia. Ltda., de Pedro Adams Filho, proprietário de um curtume e fábrica de arreios. O Sr.Adams construiria,em 1901, um prédio de alvenaria na cidade, que mais tarde passaria por sucessivos aumentos...

- Pedro Adams se tornou agente do Banco da Província, cargo que lhe teria facilitado o acesso a empréstimos para sua fábrica...

Muito mais poderia ser dito a respeito de Pedro Adams Filho e sua trajetória extraordinária como pioneiro da indústria,empresário inovador, político, e líder social. Acima de tudo, um humanista exemplar para muitos outros donos de fábrica( como gostava de dizer o Professor Ernest Sarlet).

É mister inadiável a restauração da Casa Adams,e não só isso, sua preservação e manutenção como um Memorial para conhecimento dessa e das futuras gerações.

Esperamos que o entorno degradado possa também dar lugar a novos empreendimentos, incluímos aqui também a área da antiga Fábrica de Molduras P.Alles.

Todas essas áreas ociosas ( Adams, P.Alles, e arredores) voltem a ser revitalizadas, oferecendo novos espaços de negócios e empregos, os quais poderão trazer e atrair novos capitais e renda para os empresários, os trabalhadores e para o município através da arrecadação de impostos.

Uma área central do município, com antigos prédios industriais em petição de miséria, servindo apenas para abrigo de morcegos e atelier de pichadores, merece uma atenção melhor.

Projetos inovadores com aproveitamento adequado merecem o apoio e incentivo das autoridades e o aplauso da comunidade.

quinta-feira, dezembro 25, 2008

Feliz 2009!

Hospital Municipal: De seu início até o futuro

por: Prof. Ms. Plínio Dall´Agnol *

As origens do Hospital Municipal de Novo Hamburgo remontam ao ano de l939. Naquela época, um grupo de cidadãos hamburguenses, preocupados com o bem estar e saúde da comunidade, lideraram a fundação da Associação Maurício Cardoso.

O objetivo principal da entidade era a construção de um hospital para atender principalmente a classe trabalhadora e população carente que pudesse oferecer serviços gratuitos.

O historiador e político Leopoldo Petry foi muito feliz ao detalhar o ocorrido na ocasião: -“Dado o interesse despertado pela nobre iniciativa, a novel associação pôde, desde logo, contar com o apoio da sociedade local, e já no mesmo ano, foi possível lançar a pedra fundamental do útil empreendimento. Porém, por motivos vários, as obras não puderam ser concluídas de imediato, permanecendo paralisadas durante vários anos. Em vista das dificuldades surgidas, foi o patrimônio da mencionada associação, transferido à Cruz Vermelha Brasileira, mas, posteriormente, em 1944, foi, por escritura pública, instituída a Fundação Maurício Cardoso, sendo então, novamente assumida, por esta entidade, o patrimônio da antiga Associação do mesmo nome, reiniciados os trabalhos da construção da obra iniciada, que foi inaugurada em 1º de novembro de 1947, com o nome de Hospital Operário Darci Vargas.”

O historiador citado, lembra que a primeira doação ao empreendimento foi da Sra.Vva. Elisabetha Friedrich e seus filhos Germano, Luís e Carlos Friedrich, os quais fizeram a doação de uma área de terras de 10.000 metros quadrados: -“Posteriormente, a administração do Hospital adquiriu mais uma área, ficando a instituição com o total de 15.467 metros quadrados de terras, com o que poderão ser realizadas ampliações no bloco hospitalar e até a construção de um Asilo.”

Destacamos alguns números relativos aos atendimentos do Hospital Operário Darci Vargas, atual Hospital Municipal de Novo Hamburgo:

Movimento de 1957 (relatado por Leopoldo Petry)

Atendimentos:

Indigentes*. 581

Pagantes* 1.372

Nascimentos vivos 406

Exames de Raio X:

Indigentes 64

Pagantes 286

* À época, indigente era todo aquele que não tinha condições de pagar pelo atendimento (SUS).E, pagante era todo aquele que tinha condições de custear seu tratamento.

Movimento parcial de 2008 (de janeiro á setembro).

Atendimentos:

Urg/Emerg-N. Hamburgo 91.312

Pacientes internados 6.773

Partos normais 1.078

Nº Nascimentos/Vivos 1.468

Cesarianas 389

Exames de Raios-X 41.255

Com a finalidade de atender as necessidades atuais e futuras de leitos hospitalares, a administração municipal está construindo um novo prédio, com capacidade para 60 leitos,incluindo os Serviços de Nutrição e Dietética. que deverá estar com as obras concluídas até final de março de 2009. O Projeto de autoria da Arquiteta Andréa Schütz, da Diretoria de Planejamento da Prefeitura Municipal, foi submetido à apreciação e aprovado pelos Conselhos Deliberativo e Fiscal do HMNH, do Conselho Municipal de Saúde e da Vigilância Sanitária Estadual.

Atualmente, o HMNH, é um órgão de administração indireta, sendo uma autarquia municipal desde 2001. O HMNH é 99% SUS, e atende outros 40 municípios da região. Sede operacional do SAMU, é referência em urgência e emergência na condição de Hospital Base para recebimento de pacientes encaminhados pelo SAMU. É também referência em alta complexidade em Cardiologia para 12 municípios. Médicos, Enfermeiros e Técnicos de Enfermagem prestam atendimentos neste Hospital, referencia para a região. O HMNH oferece atendimentos em Neurocirurgia, Clínica Geral, Cirurgia Geral, Traumatologia, Psiquiatria e UTI adulto. Na maternidade possui a UTI Neonatologia e Clinica de Obstetrícia. Psicologia e Assistência Social contribuem de forma decisiva para o melhor atendimento de pacientes e familiares. O Pronto Atendimento – PA, no Centro da cidade é uma extensão do HMNH.

Um Programa permanente de Capacitação, Treinamento e Atualização para todos os servidores do HMNH, está sendo reestruturado pela atual administração, através de uma comissão provisória, até a reformulação do organograma institucional.

O Orçamento anual aprovado para 2008 foi de 23.699.000,00, mais as suplementações recebidas durante o ano.

Fontes para pesquisa:

Hospital Municipal de Novo Hamburgo-HMNH. Acervo Fotográfico, Novo Hamburgo, RS, diretoria.hmnh@terra.com.br, pliniodall.hmnh@terra.com.br

Hospital Municipal de Novo Hamburgo-HMNH. Relatórios Trimestrais de Gestão.

Novo Hamburgo, RS, diretoria.hmnh@terra.com.br, 2005 a 2008.

Petry, Leopoldo. O Município de Novo Hamburgo-Monografia.Edit.Rotermund, S.Leopoldo, RS, 2ªedição, 1959.

* Plínio Dall´Agnol é pós-graduado em Administração Hospitalar, Antropologia Cultural e Master of Sciences.

quinta-feira, março 13, 2008

Hospital Municipal implanta programa 5s

- Publicado em 30/05/2007 às 08:50

Tornar o ambiente mais agradável, seguro e produtivo por meio da disciplina e responsabilidade de todos é o principal objetivo do programa 5s que, a partir de junho, começa a ser implantado no Hospital Municipal de Novo Hamburgo (HMNH). O programa será operacionalizado pelo diretor da Qualidade da Associação Gaúcha pela Qualidade (AGQ), Marcelo Bernardes, juntamente com outros voluntários da empresa. O primeiro encontro que reunirá a direção do hospital e os coordenadores da casa de saúde, ocorrerá no dia 19 de junho, às 9h, no Núcleo de Estudos Universitários da Feevale, localizado nas dependências do Hospital Municipal. “A proposta é que, por meio dessa filosofia oriental, os colaboradores do hospital promovam mudanças simples, mas que geram grandes resultados inclusive a auto-disciplina”, explica Bernardes.
Para expor o método de organização, ele utiliza diversos recursos que tornam o encontro agradável e dinâmico. “O encontro se transforma num momento motivacional porque utilizo, entre outras técnicas, a música por meio de paródias”, destaca.
O administrador hospitalar do HMNH, Plínio Dall’Agnol ressalta que o auxilio da AGQ é uma oportunidade para que a direção e os funcionários do hospital possam atualizar suas rotinas de trabalho que se refletirá em um atendimento cada vez melhor em prol da comunidade.
Saiba mais sobre o programa 5s:
O programa 5s surgiu no Japão, após a segunda guerra mundial e foi desenvolvido por Kauoru Ishikawa com o objetivo de tornar os processos de trabalho mais eficientes e melhorar o bem-estar dos trabalhadores. Contribui efetivamente para a redução dos desperdícios de materiais, tempo e espaço. A denominação decorre de cinco palavras do idioma japonês iniciadas com a letra “S” e que determinam os princípios a serem adotados:
Seiri: Senso de Utilização
Seiton: Senso de Organização
Seisou: Senso de Limpeza
Seiketsu: Senso de Saúde ou Melhoria Contínua
Shitsuke: Senso de Autodisciplina

fonte: Portal de Novo Hamburgo (http://www.novohamburgo.rs.gov.br/index.php?language=&content=news&id=221)

Hospital Municipal de NH implanta programa de qualidade

- Processo é formado por cinco etapas, para melhorar o atendimento da instituição.

Novo Hamburgo - O Hospital Municipal de Novo Hamburgo (HMNH) passou a adotar nesta segunda-feira o programa de qualidade baseado no sistema 5S. A primeira etapa, que corresponde à Seleção, já está sendo aplicada e consiste na separação, pelo grupo de trabalho, de tudo o que for realmente útil dentro de cada setor e o descarte do desnecessário. Como o planejamento é trocar as etapas a cada semana, em sete dias deve entrar em operação o processo denominado organização, que consiste em padronizar o local de cada objeto e identifica-lo para um maior rendimento no trabalho. Depois ocorrem as etapas Higienização - que ensina que não sujar é muito melhor do que limpar - e conservação, que mostrará que mantendo o ambiente limpo e organizado é possível conquistar saúde, bem estar e confiança. A última parte é denominada continuidade, e incentiva todos a sempre levarem os ensinamentos consigo e transforma-lo em prática diária. Segundo o coordenador do programa 5S no hospital, Plínio Dall’Agnol, o programa foi aplicado pela Associação Gaúcha de Qualidade (AGQ). Para o diretor administrativo, José Clóvis Breitenbach, a implantação do programa é uma prova da filosofia de trabalho da instituição, onde o usuário não é um detalhe ou produto. “Para nós é uma vida que está sendo cuidada”.

fonte: Jornal NH Online
(http://www.ziptop.com.br/jornalnh/noticias/noticias_interna.asp?canal=8&ed=60&ct=196&cd=109761)

terça-feira, novembro 14, 2006

Atelier Livre e o Sentido da Criatividade

Em crônica anterior tive a oportunidade de dar algumas pinceladas a respeito da estrutura e funcionamento do Atelier Livre Municipal. Agora retorno ao mesmo para constatar a aplicação prática da sua filosofia e encontrar o mais vivo e agradável calor humano. Volto a afirmar que aquí é uma Casa das Artes para Todos. O apoio comunitário é representado pela Associação Pró Atelier Livre, presidida por André Inácio Schmitt e Ana Alice Bender Gaertner, vice-presidente. Desde a chegada na portaria, encontro a atenção dos funcionários, na recepção, secretaria e serviços auxiliares. Os antigos e desconfortáveis elevadores são esquecidos, quando vejo as paredes dos corredores do Atelier, cobertas de belos quadros coloridos. São obras de arte dos alunos que circulam também em exposições públicas externas. Acompanhado pela diretora, Márcia Willers Deves, sou recebido amavelmente nas salas de desenho, pintura e dança, onde alunas e alunos parecem representar em movimento, figuras conhecidas dos quadros de pintores impressionistas.
Um ambiente alegre, disciplinado e de respeito coletivo, permite o debate sobre os programas estabelecidos, gerando a integração e liberdade para criar.
Isso faz lembrar-me de Ingrid Olbricht e Ursula Baumgardt,em seu “Um Caminho para Começar de Novo”, confirmando o êxito da orientação do Atelier: - ..”.Para ser criativo, o homem precisa de uma atmosfera encorajadora...A atmosfera que possibilita o nascimento de um processo criativo é uma atmosfera de liberdade e de segurança... Um ponto importante do princípio da criatividade é que ele não impõe, mas estimula e possibilita que cada pessoa atue de modo correspondente aos seus talentos...”
- “O ser criativo se dispõe muito mais a aceitar novas situações, pois tem a urgência de estar em contato com o mundo à sua volta e de participar dele.”
-“Em nossas vidas, a criatividade nos dá força para estar em contato com o mundo e reagir, perguntar, trabalhar e nos expressar - em suma, dá-nos a prova de que existimos e estamos vivos, de que estamos aqui.”
Por isso, o sentido da criatividade por ser entendido da forma mais diversa, de acordo com o objetivo de cada pesquisador: para o historiador da arte ela significa um produto criativo. Para os artistas, ela significa um processo. De acordo com Olbricht & Bamgardt, -“Educadores, psicólogos e psicanalistas, interessados na previsibilidade da criatividade, voltarão seus interesses para a personalidade criativa.”
Por fim, da Agenda do Atelier, selecionei textos para saber o que as pessoas dizem do processo criativo e participativo : -“Cada vez mais se torna fundamental que uma cidade preserve um espaço para a arte, garantindo o direito de criação e expressão, cultivando a sensibilidade para a arte da vida...esta é uma conquista para todos nós que acreditamos na liberdade dos homens, que acreditamos na beleza da vida.”( Maristela Guasselli, Secretária de Educação e Desporto), mantenedora do Atelier.
-“É o local onde me realizei como pessoa e profissional, através das trocas de experiências com meus alunos”.( Janice Corrêa da Silva, professora).
-“Lugar mágico de aprendizado e convívio, onde aflora o melhor do ser humano”. Através da dança, da música...”( Aurea Juliana Feijó, professora).
-“Um lugar onde as artes se encontram. Onde há troca, amor, fé e paixão pelo trabalho”. ( Luciana Maria Strack, professora).
-“Lugar de sonhar, realizar, cantar, aprender, dançar, pintar, amar, viver. Eu posso tudo,basta querer. Esse é o meu, o seu, o nosso Atelier.” ( Issur Israel Koch, professor).

Profissões e Preconceitos

Crianças, jovens e adultos deliciaram-se,uma ou mais vezes, assistindo os filmes de Walt Disney. Desses, um que chama nossa atenção é “Alice no país
Das Maravilhas”, baseado no livro homônimo de Lewis Carrol. Num dos episódios do filme aparece o “chapeleiro maluco”. A origem dessa maluquice estaria relacionada com os produtos químicos, utilizados antigamente pelos chapeleiros, para o tratamento de peles e outros materiais para a confecção dos chapéus.
Esse tratamento químico, feito sem os devidos cuidados na época, poderia trazer malefícios, disturbios mentais a esses profissionais. Daí a expressão inglesa “as mad as a hatter” ( doido como um chapeleiro ).
Claude Lévi-Strauss, antropólogo belga, nasscido em Bruxelas é conhecido dos estudiosos brasileiros, pois foi um dos grandes colaboradores da implantação da Universidade de São Paulo. Esse pesquisador e professor, analisou com muita propriedade aspectos relativos às culturas e o que chamava de “traços de personalidade associados à prática de um ofício”.
Em certa ocasião, retornando de navio, dos Estados Unidos para o Brasil, conta num de seus estudos, as conversas que mantivera durante a viagem, com um regente de orquestra francês.:
- “ Um dia ele me disse que, ao longo de sua carreira profissional, observara que o temperamento dos músicos geralmente afina com o timbre de seus instrumentos e o modo de tocá-los. Para se dar bem com a sua orquestra, o maestro deve estar atento e levar isso em conta. Assim, acrescentou, em qualquer país que estivesse, podia prever que o oboista seria fechado e suscetível, o trobonista, expansivo , bem humorado e jovial...”.
De longa data, o ser humano tem procurado verificar se existem efetivamente, as razões para esse tipo de analogia: Seria realidade ou criação de mitos que influenciariam a relação da atividade profissional com o temperamento dos indivíduos.
Tanto Belmont(1984), como Lévi-Strauss(1985), fazem referência ao antropólogo francês Sebillot, o qual, nos anos mil e oitocentos, efetuou uma interessante classificação de profissões, que tradicionalmente possuem determinados tipos de comportamento ou personalidade. As classificações poderiam ser feitas através da aparência física: os alfaiates (costureiros), por trabalharem sentados, eram imaginados doentes ou defeituosos. O mesmo poderia ser dito dos sapateiros. Os açogueiros, por trabalharem em pé, movimentando-se, às vezes, transportando grandes peças de carne às costas, fazendo constante ruído, eram considerados indivíduos que gozavam de boa saúde. O segundo aspecto analisado para classificar as profissões era relacionado à honestidade ou moralidade. Na tradição européia, por exemplo, profissionais que recebiam produtos “in natura” (matérias-primas), para processamento, eram considerados suspeitos de roubarem, não devolvendo ao proprietário as quantidades certas das matérias primas entregues para processamento. Nesse rol estavam todos os profissionais que atuavam em moinhos, tecelagem ou alfaiataria (costureiros). Os padeiros, citaDOS POR Lé-Strauss, eram acusados de utilizar produtos de baixa qualidade, muitas vezes disfarçados de boa aparência. O terceiro critério de classificação das profissões, relacionava-secom o comportamento psicológicamente afetado. Os produtos químicos utilizados pelos pintores de paredes, alegres e alcoólatras; os trabalhadores de serrarias e lenhadores, grosseiros e mal-humorados; os ferreiros e forjadores, criadores de peças em metal, eram vaidosos; os sapateiros seriam tipos alegres; Os barbeiros e cabeleireiros, quase uma unanimidade até nossos dias: muitos seriam fofoqueiros e tagarelas.
É característica das mais variadas culturas, a criação demitos atingindo a honorabilidade de profissionais, pelo exercício de trabalhos específicos. Os artesãos, por sua especialidade, podem em alguns casos, sofrer a inveja daqueles que não possuem o dom de criar peças originais.Muitas vezes a tragédia e a comédia apresentadas pelas trupes circences, nos picadeiros e praças das vilas e cidades, aguçavam a imaginação popular, como as novelas televisivas de nossos dias, que chegam a confundir a cabeça de certas pessoas, não distinguindo o que éficção e o que é realidade.
Claude Lévi-Strauss cita o pesquisador Sébillot, elaborando de forma bem humorada, uma síntese desses mitos e crenças, em torno das várias atividades
Profissionais, exercidas pelas pessoas na sociedade:
-“Se existissem cem padres que não fossem gulosos, cem alfaiates que não fossem alegres, cem sapateirosque não fosssem mentirosos, cem tecelões que não fossem ladrões, cem ferreiros que não fosssem sedentos e cem velhas que não fossem faladeiras, o rei poderia ser coroado sem medo”.

terça-feira, outubro 31, 2006

Memorial do Rio Grande do Sul

Se uma pessoa deseja saber de suas origens, seus antepassados, sua árvore genealógica, pode encontrar numa instituição pública: o Memorial do Rio Grande do Sul. Lá, crianças, jovens e adultos, são atendidos para visitas, cursos, oficinas de treinamento profissional, pesquisa ou lazer. O Memorial tem por finalidade privilegiar a cultura gaúcha, sem esquecer as influências e vinculações com as demais, tanto em âmbito nacional como internacional.
O local é privilegiado. Instalado na antiga sede dos Correios e Telégrafos, na Praça da Alfândega, entre o Museu de Artes e o Santander Cultural, no Centro de Porto Alegre. De acordo com o site
www.memorial.rs.gov.br/ “...Um centro de informação e divulgação da história, reunindo objetos, mapas, gravuras, fotos, livros, imagens iconográficas e depoimentos importantes sobre os principais fatos ocorridos no Rio Grande do Sul. O riquíssimo acervo está exposto através de uma concepção museográfica moderna aliada a novas tecnologias, permitindo assim, a integração com o público e o fácil entendimento dos conteúdos...o projeto é do arquiteto alemão Theo Wiedersphan, no início do século passado. A firma de Rodolfo Ahrons executou a obra, sendo o estilo arquitetônico marcado pela tendência às formas abarrocadas. ... Ahrons foi escolhido por seu conceito e representar a comunidade alemã, que vinha se constituindo em importante segmento econômico da sociedade gaúcha. O Governo positivista julgava importante se aproximar dessa comunidade, pois ela representava um importante aliado político. A decoração do prédio ficou sob responsabilidade da oficina de esculturas de João Vicente Friederichs.” Cedido pelo Governo Federal, o prédio foi recuperado, as fachadas receberam tratamento especial e internamente, suas instalações foram adaptadas às novas funções, como a climatização para os cuidados com os documentos do Arquivo Histórico do Estado. Uma agência Filatélica e um Museu Postal, mantém uma vinculação com as funções originais do prédio. Desde 2001, temos um local destinado à memória cultural do Estado, digno de sua preservação e manutenção. Projetos de interesse público têm sido desenvolvidos com universidades e entidades públicas ou privadas, visando atender o maior número de pessoas. Experiências bem sucedidas no âmbito regional tem sido patrocinadas em convênios da Secretaria Estadual da Cultura, através do Memorial, com a Secretaria de Educação. Desse modo, um número expressivo de estudantes tem o benefício de importantes informações sobre o resgate cultural do Estado. As ações atualmente desenvolvidas para a preservação e conservação do patrimônio cultural, são documentadas pelos relatórios anuais. Temos os Cadernos de História, publicados em linguagem acessível a todos, no máximo 40 páginas.Destacamos alguns que chamaram nossa atenção: “Os Maragatos e o Partido Federalista” de Sérgio da Costa Franco; A pesquisadora tradicionalista Elma Sant´Ana, nos oferece de forma didática a passagem dos revolucionários José e Anita Garibaldi; O Prof.Voltaire Schilling nos oferece um resumo do pensamento existencialista de Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir.A missão cultural e sócio-educativa do Memorial se mantém viva graças aos esforços de seus administradores, conselheiros, pesquisadores, funcionários, voluntários, e principalmente, à iniciativa de um grupo de empresas e bancos que tornaram possível essa realidade. Do poder público, a cultura continua sendo a filha mais pobre.

sábado, agosto 12, 2006

Ação para a Cultura e Turismo

Elaborar uma Política Pública Cultural para o município, tomando como base o sentido amplo da cultura.
Assim começa o texto do plano de trabalho da ACART-Associação Cultural dos Amigos das Artes. Fui convidado a participar da análise do mesmo, e fiquei duplamente satisfeito. A autora do documento básico, Luíza Leane Vitório, e a presidenta da ACART, Ione Rocha Jaeger, foram líderes estudantís, enquanto eu era diretor acadêmico. Naqueles tempos, não vou negar que elas, com outros colegas de diretório acadêmico, deram-me um bocado de trabalho, no bom sentido, é claro. Sempre tinham sugestões, propostas ou protestos. Penso que essa liderança e espírito crítico, desenvolvidos na universidade, colhem frutos nos dias atuais.
Um exemplo prático é essa proposta de estratégia de ação que elas apresentam à Câmara de vereadores, à comunidade, aos Conselhos Municipais de Cultura e Turismo e à própria Secretaria. Do projeto apresentado, destacamos alguns objetivos: Geração de empregos e renda aliada à cultura, à produção, difusão e valorização do patrimônio e fomento ao turismo; incentivar artistas e fazedores de arte; agregar turismo comercial com o turismo cultural e gastronômico; combater a violência e a discriminação social, através de projetos de inclusão social(cursos para desempregados).
Para alcançar essses e outros objetivos são necessárias ações preliminares de motivação e convencimento dos poderes públicos, empresas, entidades sociais e educacionais e meios de comunicação. É o que as autoras denominam de “União de todos em prol de uma causa comum”. Uma sondagem e diagnóstico poderão oferecer dados para a conceituação e análise da capacitação de Novo Hamburgo para constituir-se num pólo cultural e turístico. Serão elaborados um mapeamento da infra-estrutura turística, inventário dos bens culturais, recursos humanos e institucionais existentes no município. Isso permitirá o fortalecimento e autonomia da SECULT; busca de recursos externos (leis de incentivo, investidores nacionais e estrangeiros). Novo Hamburgo terá uma indústria turística não poluidora, com maior número de empregos, e espaços públicos ociosos serão melhor aproveitados (é o caso atual da nossa tradicional FENAC).A comunidade hamburguense, destinada a enfrentar crises econômicas periódicas, tem à sua disposição agora, essa proposta corajosa de Luiza Leane Vitório e Ione Rocha Jaeger, visando criar alternativas sócio-econômicas para o município. Esperamos que as autoridades públicas também sejam sensíveis e analisem com propriedade essa oferta de grande valor: Colaborar com o poder público na implantação de políticas que visem à melhoria da qualidade de vida da população de Novo Hamburgo.

quinta-feira, agosto 10, 2006

O enigma da SEMEC II

A Revista do Globo, de 20 de dezembro de 1963, publicava uma reportagem, com fotos de João Vieira e texto de Eduardo Pinto. O tema era “Luta da arte pela arte: Instituto de Belas Artes de Novo Hamburgo”. O subtítulo era significativo: “Quando ensinar é quase um milagre”. E o texto não deixa por menos – “ Já é uma constante no Brasil, que os empreendimentos de caráter cultural e educativo tenham que enfrentar toda uma enorme série de dificuldades e obstáculos. Tal como nos folhetins que fizeram a delícia de nossas vovós, o “mocinho” sofria as malvadezas do “vilão” para poder ao final, à custa de sofrimentos de toda a ordem, triunfar penosamente. Se, essas iniciativas de cultura conseguem também vencer, afinal, tanto melhor. Infelizmente isso nem sempre acontece”.
A seguir, o autor fala sobre a cidade – “Uma das mais importantes...verdadeiro fenômeno industrial...uma cidade limpa,com um bom centro comercial e principalmente fábricas. Fábricas por todos os lados, em qualquer “canto” onde exista um barracão. Uma colmeia de trabalho impressionante. Entre seus pontos de visita obrigatórios, figura o Instituto de Belas Artes.” Sua primeira diretora foi a professora Emilia Margareth Sauer, que anteriormente lecionava,em sua própria residência, música, piano e acordeão. O sucesso foi tão grande que em 1963, um corpo docente, integrado por 15 profissionais altamente qualificados, atendia 270 alunos, nos cursos de Artes Plásticas, Música, Ballet, Escolinhas Infantís, Decoração de Interiores e Arte Floral. A sede do Instituto, alugado pela Prefeitura Municipal, era na Avenida Primeiro de Março, 59, atualmente conhecida como SEMEC II. O pedido de reconhecimento junto ao Ministério da Educação, tramitou até julho de 1968, quando recebeu a chancela federal, a primeira Faculdade de Novo Hamburgo. Era diretora, nessa época, a professora e artista plástica Maria Beatriz Furtado Rahde. Esse demorado processo merece uma crônica específica.
Fizemos essas considerações preliminares, para tentar decifrar o enigma que vem tornando difícil alguma forma de intervenção no prédio, popularmente denominado SEMEC II, que atualmente não tem condições de habitabilidade. O local possui um significado todo especial, é afetivo. Está destinado a ser palco da resistência cultural de Novo Hamburgo. Doado por Leo Campani ao município, serviu de sede do Tiro de Guerra ( Serviço Militar ). Foi Centro de Recrutamento do Exército, Secretaria Municipal de Educação e Cultura, representação do Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação. Sediou ainda o Coral e a Banda Municipal, a AHTADAC e a Escola Municipal Octávio Rosa.
A ASSOCULT- Associação para a Preservação e Conservação do Patrimônio Cultural, iniciou uma campanha visando a reforma do prédio, num custo estimado em torno de R$ 500 mil. A Prefeitura não tem previsão orçamentária para tal. No entanto, a Secretária de Planejamento, Silvia Mosmann, e o Diretor de Planejamento Urbano, Alvício Luís Klases Neto, tem oportunizado reuniões para análise da situação. O Secretário de Cultura e Turismo, Frederico Momberguer Neto, declarou-se favorável ao projeto, alertando para a necessidade de parcerias.
Em boa hora, chega a oferta do arquitetoAloisio Eduardo Daudt – registrou doação no Cartório de Registro de Títulos e Documentos ( Tabelionato Fischer): “Em favor das Artes e da Cultura, das pessoas que lutaram e lutam por ela, eu, Aloísio Eduardo Daudt, dôo a Concepçao Arquitetônica da SEMEC II ( Antigo Instituto de Belas Artes ), para acelerar o Processo Construtivo desta edificação, à Prefeitura Municipal de Novo Hamburgo.”Na próxima terça-feira, apresentaremos o parecer técnico e comentários do arquiteto.