sexta-feira, março 30, 2018

RAMON FERNANDO O REITOR MAGNÍFICO

RAMON FERNANDO O REITOR MAGNÍFICO

* Plínio Dall´Agnol

Com a saída do professor João Carlos Schmitz da direção da FEEVALE, a sua Mantenedora, ASPEUR, decidiu inovar, trazer sangue novo (segundo seus critérios) e para tanto contrataram um Doutor aposentado da UFRGS. A experiência não durou dois anos. A seguir contrataram o Assessor Financeiro de uma importante empresa da região. Parece que os resultado s não foram tão satisfatórios, já que voltaram a confiar no corpo administrativo e docente da FEEVALE. Uma feliz iniciativa.

Dentre essas novas escolhas felizes destacamos o professor Ramon Fernando da Cunha. Bacharel em Ciências Contábeis, Pós-Graduado em Administração de Gerência Mercadológica e Mestre em Administração da UFRGS. Foi também Diretor e professor da Faculdade de Ciências Contábeis da FEEVALE.

A Assessoria de Imprensa da Associação Comercial e Industrial assim definiu o caráter e a importante trajetória de Ramon Fernando:

-”Desempenhou suas complexas atividades com imenso brilhantismo, transparência e interlocução institucional, deixando para todos que buscam aperfeiçoamento pessoal e acadêmico, um exemplo ímpar de liderança e humanismo.”

Sofrendo um Acidente Vascular Circulatório-AVC em 2014 , ficou impossibilitado de exercer suas atividades sociais e profissionais, vindo a falecer no final do mês de fevereiro passado.

O Reitor Ramon Fernando da Cunha, natural de Tubarão, Santa Catarina, deixou uma filha e um neto, e um legado de homem digno, que honrou sua família, seus amigos, alunos e colaboradores. Foi sem dúvida alguma o Reitor Magnífico da Universidade FEEVALE.



Plínio Dall´Agnol é professor, Pós-Graduado em Antropologia Cultural



O ANIVERSÁRIO DA BIBLIOTECA



O ANIVERSÁRIO DA BIBLIOTECA

*Plinio Dall´Agnol

Num País onde a leitura não é das melhores, o 50º aniversário de uma Biblioteca Pública Municipal deve ser comemorado com grande ênfase e júbilo. Trata-se da Biblioteca Municipal Manoelito de Ornelas, de Tramandaí. Embora não tenha uma sede própria a Prefeitura não tem que pagar aluguel, pois, a Biblioteca encontra-se localizada num conjunto de salas do município, no Ginásio Municipal.

Como todo órgão da área cultural essa Biblioteca sofre da pouca atenção e cuidados das autoridades, tanto do executivo quanto dos vereadores, pois enquanto é gasto na promoção de shows musicais, alguns de qualidade discutível, não dispõe de verbas para aquisição de novos acervos como livros e assinatura de jornais e revistas.

Na Biblioteca, a bibliotecária Grazieli Demoliner e uma estagiária bolsista, assim mesmo recebem o público de forma exemplar com fidalguia seus interessados, orientando, dando informações e auxiliando os leitores em suas dúvidas. Assim mesmo, essa biblioteca pode ser considerada privilegiada, porque das 2.545 Escolas do Estado, apenas 28 possuem bibliotecário profissional.

Cabe ainda lembrar que Manoelito de Ornelas, jornalista, escritor, professor, poeta, Diretor da Biblioteca Pública Estadual, é autor do livro Sepé Tiarajú, o primeiro grande líder nativo gaúcho a morrer na luta contra os invasores espanhóis que exterminaram com as Missões Jesuíticas.

De acordo com o professor Rene Faustino, da UFRGS, existe na população do Brasil pessoas que fazem uso da leitura com alta qualidade e assiduidade, outros em grande número lêem pouco e sem o devido cuidado com a qualidade. Por isso a importância estratégica para a população e existência de Bibliotecas Públicas.

*Plínio Dall´Agnol, é professor, Pós-Graduado em Antropologia Cultural

MEMÓRIA DAS SETE COLINAS DE ROMA





MEMÓRIA DAS SETE COLINAS DE ROMA

Plínio Dall´Agnol

Na última Feira do Livro de Novo Hamburgo o sistema de Troca-Troca de Livros da Biblioteca Pública Municipal, motivou-me a fazer várias trocas interessantes.

Obtive o livro de Carlos Heitor Cony “QUASE MEMÓRIA” que ativou minha memória de filmes antigos que tive oportunidade de assistir. Foi “As Sete Colinas de Roma”, o que facilitou minha primeira visita à Cidade Eterna. Na ocasião tive o privilégio de ser orientado por meu companheiro de viagem num Congresso Internacional de Música: Era o Maestro e Regente Musical Nestor Wenholz, com Pós-Graduação na Alemanha e conhecedor dos melhores lugares culturais da Europa, em particular da Itália.

O livro de Cony relembrou minhas visitas e passeios com o Maestro Wenholz ao contemplar a arquitetura moderna herança do regime fascista do ditador Mussolini, bem como a infindável coleção de lugares antigos e novos que marcam de forma indelével a passagem de antigos romanos aos novos governantes, de modo particular a Igreja Romana.

O começo da visita foi nos charmosos Jardins do Vaticano, O Museu com um acervo riquíssimo de tapetes orientais, esculturas e quadros dos mais famosos e importantes autores. A Basílica de São Pedro com seus capitéis, as Colunas de Bernini no Altar Mór, a Capela Sistina com sua decoração impressionante, invadida por inúmeros turistas fotografando por todos os cantos, no lugar de ver melhor as imagens e figuras angelicais.

Percorrendo a cidade estivemos no Coliseu, nas termas de Caracala, a imponencia do Fórum Romano, a tumba de Trajano, agora denominada Castelo de Sant´Angelo, a Piazza Navona, Os vários Palácios públicos e privados, as Igrejas e Basílicas distribuídas pelas colinas romanas.

É um conforto para a alma e o corpo a ocasião para visitar e conhecer lugares novos, senão pessoalmente ao menos pelos livros.

Plínio Dall´Agnol é professor, Pós-Graduado em Antropologia Cultural 


segunda-feira, outubro 16, 2017

ATAQUES TERRORISTAS

ATAQUES  TERRORISTA

O leitor deve imaginar que os ataques terroristas em vários países são ocasionados por problemas políticos ou religiosos. Puro engano. É uma situação que vem acontecendo através dos tempos. Desde antigamente são atos brutais que horrorizam os mais diferentes países e comunidades.

A palavra terrorista surgiu com a Revolução Francesa de 1789 registrada como um “sistema  ou domínio do terror”. No entanto nos primeiros registros da história eram considerados “grupos de pessoas que assustavam ou aterrorizavam  outros para fazê-los acatarem suas crenças e práticas religiosas”. Os zelotes da antiga Judéia atacavam  as autoridades dominadoras gregas e romanas. Os sicários eram outros judeus que aterrorizavam judeus que se haviam desviado de sua fé religiosa.
Na antiga Rússia também são conhecidos movimentos revolucionários que usavam a palavra terrorismo.

A Ex Primeira  Ministra da Grã-Bretanha Margaret Tatcher foi categórica:”Devemos tentar encontrar formas de matar o terrorista de fome e o ladrão do oxigênio da publicidade da qual eles dependem”!!

O terrorismo moderno começou com a Ku Klux Kan na Guerra Civil Americana em 1865 contra a abolição dos escravos e a reconstrução do País, pela supremacia branca contra negros, semitas e  outras minorias étnicas.

A Al Quaeda e o Estado Islâmico são os mais recentes movimentos que praticam atos terroristas contra populações civis. São alvos prioritários do terrorismo os países aliados na lutas que ocorrem na Síria, Iraque e Afganistão principalmente.

O livro das pesquisadoras Anne Williams e Vivian Head com o título de ATAQUES TERRORISTAS- A Face Oculta da Vulnerabilidade, detalha com objetividade e segurança os movimentos terroristas em todo mundo. Sua leitura é esclarecedora e a forma imparcial e científica de construção do texto merecem nossa total confiança.
É uma leitura séria apresentada de forma a esclarecer um dos temas quem tem preocupado a humanidade.

domingo, outubro 15, 2017

DOIS GÊNIOS DA HUMANIDADE

DOIS  GÊNIOS  DA  HUMANIDADE


Se o Prêmio Nobel de Literatura existisse nos anos 1600, sem dúvida alguma, em determinado ano, seria dividido entre Miguel de Cervantes Saavedra e William Shakespeare.
O bardo inglês nasceu na pequena cidade de Stratfford-upon-Avon em 1564, filho de família humilde, estudou numa “grammar school", onde o latim era muito importante, porém nunca foi ao ensino superior. Em 1599 passou a ser sócio do teatro Globe. Os personagens de Shakespeare “são a legítima prole da humanidade comum”, também segundo autores “O nobre e o plebeu, o elevado e o baixo, o erudito e o popular, o trágico e o cômico mesclam-se com liberdade inaudita na obra de Shakespeare”. Todos lembram ou conhecem Romeu e Julieta, Antonio e Cleópatra, Henrique V, Macbeth, Rei Lear, As Alegres Comadres de Windsor ou Hamlet.

Para o professor James  Shapiro da Universidade de Columbia “Seu consagrado teatro foi perseguido pelos puritanos numa época em que o catolicismo era contestado pelos membros da Igreja Anglicana.Com a ascenção de James I, seu grupo passou a ter sua proteção.”
Ele é sem  dúvida alguma o maior nome da literatura e teatro Inglês.

Cervantes foi a inauguração do romance moderno. Para Miguel de Unamuno era a “Bíblia espanhola”. No seu Dom Quixote de La Mancha, o cavaleiro andante é um trapalhão acompanhado por seu servidor Sancho Pança.
Ferido na famosa Batalha de Lepanto ao voltar à Espanha é aprisionado por piratas e só libertado 5 anos depois, após resgate.
Ao retornar à Espanha encontra um país decadente econômica e politicamente. Casa-se e adota o sobrenome Saavedra. Divide-se entre a literatura e o emprego de coletor de impostos. Acusado de desvios é preso novamente. Lá inspira-se no Quixote. Ao ser libertado finalmente diz na sua obra: “A liberdade Sancho, é um dos mais preciosos dons que os céus deram aos homens”.

Segundo o historiador e literato italiano Italo Calvino “Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer.” Para a Veja “É o que explica a perenidade de um Rei Lear ou de um Dom Quixote. É o que explica a capacidade desses dois gênios  de emocionar o leitor do terceiro milênio com textos escritos no Século XVII. A emoção da grande literatura sempre poderá comover  aqueles que se abrem para ela”.

 

quinta-feira, setembro 28, 2017

O CIDADÃO DE DOIS MUNDOS

O CIDADÃO  DE  DOIS  MUNDOS

Meu nome não faz parte dos endereços sociais da Fundação Scheffel  ( da qual fui Conselheiro antigamente) e nem da Prefeitura Municipal de Novo Hamburgo. Por isso não recebi convite para  a cerimônia do lançamento solene do livro auto-biográfico do nosso consagrado artista plástico e compositor Ernesto Frederico Scheffel. Livro esse denominado SCHEFFEL POR ELE MESMO
.Tive a honra de participar com ele nos anos 70 na Fundação da Seccional do Movimento de Defesa do Patrimônio Cultural Gaúcho.
Nosso grande incentivador na época foi o Dr. Leandro da Silva Telles, Doutor em Direito pela Universidade de Berlim, fundador do Movimento Estadual e autor de um dos primeiros livros em defesa do assunto em pauta.

 O primeiro presidente da  Seccional foi o bancário, tradutor e escritor Tejo Damasceno Ferreira. A dedicação e o esforço dos integrantes do Movimento originou o ato municipal declarando de utilidade pública da Casa Schmidt-Presser, tudo sob a liderança incansável de  Scheffel, o qual foi presidente e vice-presidente da Seccional.

E.F.Scheffel foi responsável pela criação do Grupo Amigos de Hamburgo Velho que saiu pintando muros e paredes acinzentadas, imprimindo um colorido alegre e jovial ao sisudo e conservador Bairro de Hamburgo Velho à época. Por muitos anos dividiu residência na bela Itália ( antes em Florença e desde 1996 na Toscana em uma acolhedora Villa do interior italiano) e finalmente com a Fundação de Hamburgo Velho no Brasil. Em virtude disso sua obra de arte encontra-se em dois mundos, na Europa e um expressivo conjunto de esculturas e pinturas na sede da Fundação Ernesto Frederico. 

Seu legado contribui para a formação e incentivo de jovens e adultos desta e futuras gerações. O atual Diretor da Fundação é Angelo Reinheimer que dedica-se de forma exemplar no atendimento dos visitantes e pesquisadores, com o apoio de funcionários cuidam da administração e preservação desse valioso patrimônio.
O  Executivo hamburguense com suporte legal da Câmara de Vereadores  fixa uma dotação anual  para a  Fundação.

segunda-feira, julho 24, 2017

AUTORES DA IMIGRAÇÃO ALEMÃ



AUTORES DA IMIGRAÇÃO ALEMÃ

A oportuna iniciativa dos jornais NH e VS do Grupo Editorial Sinos trata da publicação de textos e entrevistas  na língua alemã. Mais precisamente do dialeto hunsrich  da região alemã  originária da maioria dos imigrantes que aportaram em nosso  Estado em 25 de julho de 1824. “Für Immer” ( “Para Sempre”) é fruto do trabalho de Moacir Fritzen, Marcello Coller e Gabriel Guedes.

Esse evento provocou-me pesquisar em minha biblioteca particular não catalogada, o que tenho de Autores da Imigração Alemã.  Historicamente mais importante é o leopoldense Vianna Moog, nascido em 1906, membro da  Academia Brasileira de Letras com uma rica produção literária, destacando-se “ Um Rio Imita o Reno”  com a vida e obras dos imigrantes à margem do Rio dos Sinos.  O  jornalista hamburguense Felipe Kuhn Braun com 12 livros sobre Cidades ( Bom Princípio, Dois Irmãos, Linha Nova, Novo Hamburgo ). Memoriais, Cartas e Relatos de Imigrantes Alemães, Histórias.

“Canaã” de Graça Aranha, “O Continente” de Érico Veríssimo, “A Ferro e Fogo” de Josué Guimarães e “Videiras de Cristal” de Luiz Antonio de Assis Brasil podem ser considerados clássicos trazendo relatos de vida dos imigrantes.

“O Incidente” de Diva Walzer Kuhn , “Os Amores de Jacobina” do Pastor Martin Dreher publicados neste ano pela Editora Oiko. Tive o privilégio de receber seus autógrafos com tocante dedicatória.

Podemos ainda enumerar Telmo Lauro Müller “Colônia Alemã: Histórias e Memórias”,
Daniel Hillebrand “Registro da chegada dos imigrantes alemães em São Leopoldo”, Jean Roche “A Colonização Alemã e o Rio Grande do Sul”.

Minha relação de autores da imigração alemã é ainda maior, dado o espaço que tenho disponível nesta crônica fico por aqui desejando a todos uma boa leitura.

sexta-feira, junho 30, 2017

O ARQUITETO ALEMÃO






Tive o inusitado prazer de encontrar pela primeira vez o professor KURT WALZER nos idos anos setenta quando criamos o Movimento em Defesa do Acervo Cultural Gaúcho, incentivados pelo Dr. Leandro da Silva Telles, doutor pela Universidade de Berlim, fundador do Movimento e autor de um dos primeiros livros que tratam   da preservação e conservação do patrimônio cultural.


Um grande companheiro, o prof. Walzer era uma pessoa de elevada cultura e muito bom humor. Tratava com extrema cortesia a todos e em particular seus alunos de matemática e física. Carismático, tornou-se popular com os quais teve a oportunidade de conviver. Ele nasceu em Strassburg, no Estado da Alsácia, à época Alemanha, hoje território francês. Quando concluiu seus estudos de Pedagogia, candidatou-se para um emprego fora da Alemanha, pois era difícil emprego em alguma Escola da Alemanha, e esse cronista acredita também que era por não estar inscrito no Partido Nacional (nazista). Teve 3 opções: Hong-Kong, Espanha e sul do Brasil.


Tendo optado pelo Brasil foi contratado pelo padre jesuíta Michael Meier, diretor da Escola Normal Católica de Hamburgo Velho, onde lecionou em alemão(os alunos entendiam o idioma de Goethe), simultaneamente estudava português após 3  meses falava seu novo idioma. Exímio violinista, lecionou música organizando várias orquestras.

 A Escola teve de seus 38 projetos arquitetônicos nas várias construções 22 foram de autoria do prof.Walzer.
 No dia do colono de 1939, o discurso  de  um aluno da escola irritou o Secretário de  Educação do Estado  do Rio Grande  do Sul
 Dr. J.P.C. Coelho de Souza, representante da ditadura Vargas, o que ocasionou o fechamento da Escola e os professores perseguidos e presos. O prof. Walzer foi um dos levados à Casa de Correção (cadeia pública), teve bens apreendidos e ao ser libertado só recebeu uma  parte de volta.
 
Mais detalhes dessa extraordinário biografia podem ser conhecidos no livro INCIDENTE da historiadora Diva Walzer Kuhn, filha do mestre Kurt Walzer.
















domingo, maio 07, 2017

CINQÜENTA ANOS DE LIBERATO SALZANO



No início de 1967 em reunião na Associação Comercial e Industrial de Novo Hamburgo fui incentivado por Lauro Diogo de Jesus, Coordenador da ACI/NH e cronista do jornal N.H., a participar do concurso para os cargos de funcionários e professores da Escola Liberato Salzano Vieira da Cunha.

O Diretor recém nomeado pelo Governo do Estado era o professor Orlando Razzera, matemático e físico do Colégio Júlio de Castilhos, o famoso "Julinho". Após entrevista com o Diretor e tendo ainda o crédito de ter sido aprovado em primeiro lugar no Concurso Estadual para o cargo de Secretário de Escola, fui nomeado Secretário Executivo.

A aula inaugural foi ministrada pelo Dr.Níveo Leopoldo Friedrich, líder empresarial e Prefeito Municipal que falou do Convênio tripartite Governo Federal (Obras e Equipamentos) Municipal (doação de uma área de terras de 20 hectares) e Estado (pessoal e custeio de manutenção).

O início em 12 de abril deveu-se ao atraso pelo Governo do Estado(como sempre?) para publicação dos Atos de criação da Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, com os Cursos Técnicos em IIº Grau em Química em 1967.

Eletrotécnica coordenado por Fernando Fabiano da Rosa, formado pela E.T.Parobé de Porto Alegre e especializado em Eletrecité de France   e Mecânica, coordenado pelo Engenheiro Adolf Sajovic, com especialização na Europa, ambos começaram  em 1968.
O Corpo Docente altamente qualificado comprovou através dos anos o sucesso do empreendimento com a formação de técnicos profissionais competentes aceitos pelas melhores empresas e mesmo órgãos governamentais no Estado, no País e no exterior. Lembramos que alguns estagiários de Química receberam bolsas de estudo no exterior (América Latina, Alemanha e Suécia por exemplo).

Importante salientar que os Cursos eram à época totalmente gratuitos e como funcionavam  em tempo integral os alunos, funcionários e professores recebiam o almoço na Escola sem ônus para eles.

Com o decorrer do tempo e por necessidades do mercado foram criados novos cursos e passou-se também a prestar serviços de assessoria e assistência técnica às empresas tendo em vista a alta qualidade e precisão dos equipamentos, laboratórios e recursos humanos da Fundação.



sexta-feira, abril 21, 2017

A RELIGIÃO DE JACOBINA



No meu tempo de criança lembro que era hábito em minha família, a leitura de livros, revistas e jornais. Antes do almoço ou do jantar nosso pai fazia a leitura de um ou dois capítulos de um livro.  À época chamou-me a atenção o livro do Padre Jesuita Ambrósio Schupp " OS MUCKERS". Episódio histórico extrahido da vida contemporânea nas colônias alemãs do Rio Grande do Sul.


Ficamos sabendo agora que era um livro antimucker já que ..."Não foram ouvidos Mucker nem avaliados os autos do processo...os informantes de Schuppestavam todos eles do outro lado da trincheira, particularmente o Delegado de Polícia"...Sua finalidade didática era alertar sobre os perigos que surgem quando pessoas se afastam dos ensinamentos da Igreja e preparar jovens jesuítas que se dirigiam ao Brasil quanto aos perigos que os esperavam"...caracterizando a intolerância religiosa nas época.

 O primeiro livro a defender os Mucker foi publicado em 1957 por Leopoldo Petry "O Episódio do Ferrabraz( Os Mucker), contestando as leituras de Schupp, convertendo-se em libelo, no qual os Mucker são transformados de criminosos em vítimas.
O Pastor Martin N. Dreher, Doutor em História da Igreja e consagrado autor,  lança o livro "A RELIGIÃO DE JACOBINA" em boa hora pela Editora Oikos.Segundo Leandro Karnal " O autor penetrou fundo no pantanoso mundo da memória sobre os Mucker...trouxe uma contribuição essencial para o conhecimento dos fatos que abalaram os anos da década de 1870... quais os limites da religião e religiosidade na colônia de ascendência alemã...a reação forte à comunidade apelidada pejorativamente de Mucker ? Como fazer de Jacobina uma pessoa capaz de trazer à luz as contradições e tensões da sociedade  do Vale dos Sinos e adjacências?...respostas tratadas com profissionalismo e brilho por Martin Dreher".

Vale a pena conhecer esse Livro!!




domingo, dezembro 11, 2016

MEU TIPO INESQUECÍVEL

Quando o Prefeito Alceu Mosmann organizou uma comissão para estudar a viabilidade

de uma Universidade Regional fui convidado a participar da equipe do projeto pelo

Deputado e ex-prefeito Martins Avelino Santini presidente da ASPEUR que seria a

mantenedora da Universidade. O Secretário de Educação e Cultura João Carlos Schmitz

foi designado Diretor do Projeto Universidade e colocou uma equipe da SEMEC à

disposição, elegendo meu nome como Secretário Executivo e tive então a feliz

oportunidade de conhecer os funcionários da SEMEC e o Coordenador do Serviço

Militar Tenente Tito Alvim da Silva Borges, exímio datilógrafo e redator integrando à

equipe.

Foi nessa ocasião que tive o privilégio de conhecer e conviver durante meses com

Arlindo Feiten apelidado de “Gringo”. Esse apelido inusitado era fruto provável de sua

maneira expansiva e descontraída de dirigir-se às pessoas, contrário ao vigente

costume circunspeto e reservado daqueles de origem alemã de um modo geral,

contrário aos de origem italiana.

Era Arlindo Feiten um dos melhores e mais destacado funcionário da Prefeitura

Municipal de Novo Hamburgo, ótimo datilógrafo ( atualmente seria um digitador).

Entendia com perfeição os “garranchos” dos textos redigidos à mão que chegavam até

ele para decifrar documentos e dar redação final. Não tinha vergonha nem escrúpulos

para perguntar quando havia alguma dúvida ou mal entendido.

O que mais me cativou tornando o “Gringo” meu tipo inesquecível foi que durante 45

anos, desde o início do Projeto, nas manhãs do dia de meu aniversário Arlindo Feiten

ligava para minha casa e cantava o parabéns à você. Fiquei sabendo que era um hábito

cordial dele para seus amigos íntimos, colegas e familiares. O que leva uma pessoa a

ser tão polida e cordial¿

Para Éric Mension-Rigau “A polidez mostra-se sobretudo como um meio de civilidade

cujos instrumentos são ao mesmo tempo a linguagem verbal e corporal, a polidez

confere aos gestos, ao discurso, à maneira de caminhar, propriedades distintivas que

são insígnias de classe.”

E o Professor Ernest Sarlet dizendo: “- Para ser amigo basta ter sentimento, ter

coração, saber falar, calar, mas sobre tudo saber ouvir, saber conversar de coisas

simples, poder contar a ele o que ouviu de bom, dos anseios das realizações, dos

sonhos e realidades.”

Nesse ano, após comemorarmos juntos nossos aniversários, Arlindo Feiten deixou-nos

para a vida eterna...

*Plínio Dall´Agnol é professor Pós-Graduado em Antropologia Cultural

LUTAR, MATAR e MORRER

Foi por intermédio de meu colega e amigo Domingos Rodrigues da Universidade Federal de

Pelotas que tive o inusitado prazer de tomar conhecimento de “SOLDADOS, SOBRE LUTAR,

MATAR e MORRER”, Livro da Companhia das Letras, relatando de forma objetiva as práticas

bárbaras de soldados na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a maioria reveladas em

gravações secretas.



A inteligência aliada criou e desenvolveu um departamento específico integrado por espiões

e equipamentos de escuta clandestina para flagrar as conversas de soldados alemães

prisioneiros em vários locais. Eram em torno de um milhão de presos.

Sem que houvesse esse objetivo, também comprovou-se junto aos militares italianos a sua

grande revolta pela corrupção administrativa dos militares fascistas do Governo de

Mussolini, o que inclusive atingiu de forma letal o moral de suas tropas em combate.

Revelou-se a obediência cega e a decisão de não render-se ao inimigo por parte dos

soldados japoneses e o fanatismo suicida dos “kamikaze” que jogavam seus aviões sobre os

alvos inimigos tanto em terra como e principalmente no mar.



Foi comentado também o fanatismo dos americanos na Guerra do Vietnam: “O tenente

Calley, por exemplo, que foi condenado à prisão perpétua ( que logo depois foi suspensa)

por sua participação no massacre de My Lai, não hesitava um só instante em considerar

categoricamente como inimigos mesmo crianças e recém nascidos: ”Os velhos, as mulheres,

- as crianças – os nenês – todos eram vietcongues ou se tornariam vietcongues em no

máximo três anos. E dentro das mulheres vietcongues já havia milhares de

vietconguezinhos”!

O Comandante Hans Falber, do Campo de Besançon foi condenado à morte por Hitler em

virtude de não ter acatado ordens de execução de judeus e outros prisioneiros. A família de

Falber foi executada por ordem do Fürer. O Comandante de Auschwitz Rudolf Rüder

reconheceu o absurdo de extermínio de judeus considerando um grande equívoco, um

equívoco absoluto despertando o ódio de todo mundo.



Os alemães Sönke Neitzel e Harald Welzer, professores e pesquisadores renomados

apresentaram essa valiosa obra literário de extensa pesquisa que vale apena ser lida e

conhecida de todos os que se preocupam em saber dos grandes erros e dramas causados

pela ditaduras no mundo.

*Plínio Dall´Agnol é professor Pós-Graduado em Antropologia Cultural

A PROFESSORA DE ALEMÃO

“Se o mundo amanhã se consumisse, eu ainda hoje plantaria a minha macieira e pagaria as

minhas dívidas.” ( Martin Luther )

Essa é a introdução do encantador livro da Professora Erica Dorotéa Sarlet, com uma dedicatória

a mim endereçado. Eu voltara de viagem à Alemanha e sentira falta de poder falar alemão,

embora boa parte da população daquele País saiba vários idiomas, principalmente no comércio e

na cultura.

Resolví então estudar alemão e para tanto fui prontamente auxiliado pelo Professor Ernest

Sarlet, meu colega na Feevale e esposo de Dona Erica. Ele a “convocou democraticamente” para

ser minha professora particular em horário especial. As aulas eram ministradas na Fundação

Evangélica no início da manhã. A professora era ótima, com vasto conhecimento da língua e

cultura alemã, morando por muitos anos em Berlim vivenciou os dias terríveis da II Guerra

Mundial, assistindo as perseguições nazistas e as atrocidades cometidas pelos soldados russos

invasores saqueando, roubando e estuprando. O lado bom desse período é que ela especializou-

se na Universidade de Berlim e no Instituto Goethe de Língua e Civilização Alemã do qual é a

Delegada em nosso Estado.

Dotada de grande paciência me auxiliava nas dificuldades de leitura e pronúncia. Com extremo

bom humor dizia: -“ Plínio! Tu falas alemão como um britânico!”. O motivo é que minha

formação básica de inglês deu-se no Centro de Cultura Inglesa de Porto Alegre, patrocinado pelo

Conselho Britânico. Infelizmente não pude completar meus estudos de alemão, pois a Feevale

não liberou mais horários. Ao menos essa experiência foi válida e sou eternamente grato à Dona

Erica e ao Professor Sarlet que sempre foi meu amigo e principal apoio.

Cabe ainda registrar mais um livro de Erica Sarlet. Trata-se de “Um Abraço com Carinho”, em

conjunto com o Prof.Ernest Sarlet, é uma bela visão fotográfica dos mais encantadores recantos

de Novo Hamburgo. Diz o prefácio de Dona Erica: “- Deixei-me encantar e quem viu as fotos

sugeriu a publicação – eis que surgiu um trabalho a quatro mãos é o nosso livro como

homenagem à cidade que há 45 ano tão bem acolheu o casal Sarlet. Aqui encontramos trabalho

e amigos, os nossos filhos cresceram e estudaram. Eis o nosso lugar que amamos de coração”.

E o Professor Sarlet completa: “- A beleza da cidade é responsabilidade de todos nós! A

qualidade de vida é o resultado do esforço, da colaboração e da contribuição de todos os

cidadãos.”

Sinto-me extremamente honrado pela oportunidade que tive de conhecer esse casal de

ducadores que tanto produziu pela cultura e educação no Brasil.

*Plínio Dall´Agnol é Professor Pós-Graduado em Antropologia Cultural

segunda-feira, agosto 15, 2016

EM PREJUÍZO DOS AGRICULTORES

O  cientista Louis Pasteur afirmava que “o vinho é a mais saudável das bebibas ingeridas às refeições”. Infelizmente parece não ser esse o mesmo parecer e opinião do governo federal brasileiro. Esse acaba de sobretaxar as chamadas bebidas destiladas ( dentre essas a cachaça, o uísque, a vodka) somando a essas o vinho que nós cidadãos comuns consideramos um complemento alimentar, não é uma bebida de elevado teor alcoólico, portanto não deveria ser incluída entre as chamadas bebidas quentes
.O vinho é considerado um patrimônio cultural e complemento alimentar em países europeus como a Itália, a França, Portugal e outros países. Na América destacamos o uso saudável e valorização do vinho em várias regiões como a Califórnia norte-americana e em nossos hermanos vizinhos do Uruguai,  Argentina e Chile.Respeitáveis instituições nacionais e internacionais de pesquisas,
 Universidades e Centros Especializados vem demonstrando os efeitos benéficos do vinho sobre o corpo humano ( nos ossos, coração, aparelho digestivo e cérebro dentre outros).  É claro que tudo isso vem acompanhado da recomendação oportuna do consumo adequado e moderado.
 Outro lamentável equívoco do governo federal brasileiro refere-se ao prejuízo que essa tributação excessiva sobre os vinhos pode causar à uma grande cadeia de  produtores  agrícolas nas várias regiões de vitivinicultura. Nesses locais a prática é exercida  em pequenas e médias propriedades, algumas reunidas em cooperativas, de famílias de imigrantes e outros descendentes que colhem seu sustento na vitivinicultura. Além do mais com a extensão  à novas regiões como a campanha do Estado, vários pequenos municípios e exitosas cooperativas  passam  a ser punidos pelo governo federal brasileiro.
Como afirma o deputado estadual Sérgio Turra, descendente de imigrantes, “ No intuito de arrecadar, o governo  federal  brasileiro não efetua a redução de seus gastos( 31 Ministérios e outros penduricalhos)  e para evitar o déficit em suas contas penaliza os produtores e consumidores”.
 Com novas taxas a carga tributária federal atualmente superior a 50% vai se tornar mais pesada para o consumidor ao pagar sua garrafa de vinho.Para o bem de todos, seria de bom alvitre o governo federal ter a coragem de revisar sua atual posição, o que se tornaria bem simpático e até melhorar seus índices de receptividade na opinião pública. Os agricultores agradeceriam e os consumidores comemorariam com um bom cálice de vinho de alta qualidade nacional.
P.S.: Publicado na revista Fundamental de agosto/2016 sob o título O Vinho que Faz Bem

quinta-feira, agosto 11, 2016

UMA ACADEMIA EXEMPLAR


·        
O Estado de São Paulo é considerado tradicionalmente “ A Locomotiva do Brasil” em virtude de possuir o mais expressivo complexo econômico: mais de 50%  da movimentação financeira nacional gira naquele Estado da Federação. Sua  Bolsa de Valores é a principal do país.
 Mas não é só em economia e finanças o destaque, na área cultural a diversidade é enorme: A USP é considerada a melhor na América Latina e é destaque internacional no ensino e pesquisa. O Museu de Arte de São Paulo-MASP, na avenida Paulista possui um acervo de obras de arte de elevado valor, o Museu de Arte Contemporânea da USP  expõe em seu acervo artistas nacionais e internacionais( Modigliani é um exemplo). Além da Academia Paulista de Letras várias cidades  do interior patrocinam suas academias de letras.

Destacamos nesta crônica a Academia Bauruense de Letras da cidade de Bauru Ela reúne um grupo expressivo de escritores, jornalistas, professores e outros autores que atuam em jornais, revistas, universidades, órgãos públicos e igrejas.

Merece comentário a mais recente publicação da Academia Bauruense de Letras, lançada em dezembro passado “Natal Sempre Natal”, uma leitura para  o ano todo pelo seu conteúdo humanístico-afetivo. Cecilia Lara, coordenadora da Oficina da Palavra, prefaciou o livro comentando: - “...fui encarregada por Rosa Leda Accorsi Gabrielli(Organizadora) de coletar as colaborações dos participantes da Oficina da Palavra que quisessem escrever textos em prosa e poesia...cada um expressando um momento marcante...e o resultado final está aqui: uma diversidade muito grande de abordagens sobre lembranças ou reflexões...dentro dessa grande variedade, persiste a expectativa de reafirmação de sentimentos de solidariedade e de fraternidade humanas, pois no fundo, não se pode ignorar certa magia, certa vibração contagiante, que que impele o indivíduo na direção do próximo, como um sopro de alguma coisa que se renova.”...

A Organizadora do livro é a Dra. Rosa Leda Accorsi Gabrielli, advogada, professora de história e geografia, artista plástica e jornalista, formada pelas melhores  Universidades de São Paulo. Possui extensa vida profissional escrevendo textos pastorais da Igreja Católica, membro da União Brasileira de Escritores. É detentora de cadeira na Academia Bauruense de  Letras que tem Cora Coralina como patronesse. Ela é como esse cronista, neta de Bortolo Accorsi, comerciante e produtor rural, co-fundador da Colonia Italiana de São Roque, distrito de Bento Gonçalves.

A Dra.Rosa Leda participa também como autora de dois textos: Um sobre imblóglios de uma família de origem italiana e outro sobre um pai que não comemorava festividades de origem religiosa. Ela está assumindo a presidência da Academia neste ano.

Esse livro é um alento para tornarmos  pessoas melhores, transformar-nos e também ao mundo, conflitos, reflexões sobre o tempo líquido, a fluidez dos relacionamentos...tempo de acreditar e de pensar que sempre vale a pena.