domingo, setembro 22, 2013

UM MUNICÍPIO EXEMPLAR

Um Convênio Internacional, em meados dos anos noventa, celebrou o esforço conjunto BrasilxAlemanha para a preservação e conservação de antigas casas do século XIX edificadas pelos imigrantes alemães no sul do Brasil.
Foram responsáveis pelo acordo o Centro Alemão de Johannesberg em Fulda, a Feevale, tendo como coordenadora a historiadora Angela  Thereza Sperb e a arquiteta Maria Criastina Hofer do Instituto Brasileiro do Patrimônio Cultural, realizando estudos especializados na Alemanha. O município de Ivoti, através de seu prefeito municipal Arnaldo Kney interessou-se pelo projeto e o subscreveu, indicando o Núcleo da Feitoria Nova, adquirindo imóvel para restauro.

Um Curso de Recuperação e Saneamento de Estruturas de Madeira foi desenvolvido em dois módulos: um teórico no Campus da Feevale, com palestras do Dr.Engº Manfred Gerner sobre  Construções em Madeira e Estruturas Enxaimel e Contribuição das Construções em Madeira e seu legado Cultural. O Chefe de Marcenaria Bernd Kuschnick falou sobre Métodos de Investigação e ferramentas/instrumentos. O arq.Edgar B.da Luz, relatou Experiências de Restauração no RGS pelo IPHAN.

No curso prático junto às casas da Feitoria Nova, as pessoas que passavam pela rua a pé ou de carro, paravam e perguntavam o que estava sendo feito. Ao saberem do restauro alguns elogiavam, a maioria ridicularizava ou criticava o gasto de dinheiro público em casas velhas. Passados mais de dez anos, a Prefeitura de Ivoti deu uma resposta altamente positiva: urbanizou o local recuperando o arroio que inundava as casas, as ruas estão calçadas, casas restauradas e ocupadas.

Para felicidade de Ivoti o Prefeito Arnaldo Kney foi eleito para um novo mandato, calou os críticos antigos:  restaurou com sua equipe técnica e apoio da comunidade a Feitoria Nova que estava abandonada e agora trata de preservar um imóvel no centro da cidade: a Casa Hotter, considerada a maior casa em enxaimel do Estado.

Vemos em alguns municípios prédio doado pela comunidade desabar pelo abandono do poder público ou goteiras que ameaçam danificar os cômodos e mobiliários de uma casa símbolo da imigração alemã. Em Ivotí ao contrário, a Prefeitura com apoio da comunidade, restauram um bairro inteiro e agora preservam também um imóvel no centro da cidade. Ivoti é sem dúvida alguma: Um Município Exemplar!

Foto: http://ivoti.rs.gov.br/pontos-turisticos

sábado, setembro 07, 2013

O REI DA ROLETA

Quando jovem participava de uma viagem de estudos. Na visita ao Rio de Janeiro, decidimos conhecer Petrópolis, a cidade imperial. No almoço paramos no hotel Quitandinha. Impressionados com a grandeza e o estilo europeu do hotel, perguntamos ao funcionário quem era o proprietário. E ele nos disse: É o Dr. Joaquim Rolla. Ele é um gênio! Um grande homem!



Muitos anos depois aqui em N.H. tomo conhecimento da biografia de Rolla, graças ao meu colega de roda cultural do Café Luna, EngºQuímico Altino Silva.
Joaquim Rolla,nascido em 1899,em S.Domingos da Prata, Minas Gerais, homem simples foi vaqueiro, açougueiro, tropeiro e construtor de estradas.
 À sombra do Governo Vargas, com incentivo ao turismo e regulamentação dos cassinos criou mais de vinte grandes empreendimentos de relevância nacional, tornando-se grande personagem da vida social, política e empresarial. Criou a Folha da Noite Mineira e a Agencia Difusora de Anúncios. O jovem Carlos Lacerda foi seu funcionário. Gente do governo como Felinto Müller(Chefe da Polícia Política) e Benjamin Vargas(irmão mais jovem de Getulio Vargas) eram frequentadores assíduos do cassino da Urca, adquirido por Rolla em um jogo de cartas.


Aproveitou bem a política de boa vizinhança com a América Latina do presidente Franklin Roosevelt, dos Estados Unidos. Astros e estrelas como Josephine Baker e Bing Crosby e o famoso Cotton Club apresentaram-se nos palcos da Urca. O produtor Walt Disney hospedou-se no hotel do cassino e Orson Welles, beberrão e muiherengo, filmou parte do seu filme “It´s all True” e a Atlântida Cinematográfica produziu as suas famosas “chanchadas”. Foi nos palcos do cassino da Urca que Lee Schubert, produtor, conheceu Carmen Miranda levando-a para Holywood.

Com a eleição do general Eurico Gaspar Dutra em 1946, este proibiu os jogos e o funcionamento dos cassinos causando um duro golpe nas finanças de Rolla, o qual foi obrigado a desfazer-se da maioria de suas empresas.
 Vivendo aposentado e auferindo de rendas de seus negócios faleceu em seu apartamento de Copacabana em 1972, após praticar jogos de peteca(seu esporte preferido) desobedecendo ordens médicas de evitar esforços físicos.
 O sobrinho Neto de Rolla João Perdigão e o empresário Euler Corradi são os autores de um livro contando a história da vida de Joaquim Rolla “O Rei da Roleta.”



  

O ATELIER DE DONA CRISTINA

Nesse inverno, além do frio intenso, recebemos a má notícia do falecimento da artista plástica e professora Cristina Emma Klein Marquardt, aos  89 anos de idade. Era natural de Getulio Vargas, residindo há 37 anos em NH. Desde  garota dedicou-se ao desenho e à pintura com indomável espírito, moderna e irrequieta, construiu espaço invejável na educação e nas artes.

Em sua confortável residência, organizou um amplo atelier, com todas as condições de uma verdadeira escola de artes. Uma biblioteca especializada em artes e cultura geral servia de consulta permanente para Dona Cristina e seus alunos de todas as idades: jovens, adultos e veteranos, recebiam a atenção e o carinho da professora, a qual, com exemplo de força e tenacidade compartilhavam seus conhecimentos e sensibilidade artística.

Em 2012 realizou a exposição “Personalidades” no Espaço Cultural Albano Hartz com uma série de retratos a óleo de personalidades de destaque nas artes, na tradição e folclore, na política e no serviço público em geral. Destacamos os nomes de João Carlos Paixão Côrtes, Ariadne Becker, Ana Amélia Lemos, Tarcísio Zimmermann e sua esposa Sílvia Zimmermann.
Como amigos e vizinhos estávamos sempre em contato com Dona Cristina, que fazia questão de mostrar seus desenhos e quadros. Em seu estúdio particular e no atelier apreciamos retratos a óleo da Presidenta da República Dilma Roussef e da artista plástica e marchand Aninha Hauschild, dentre outros.

A professora e artista plástica Cristina Marquardt participou da fundação de várias entidades dedicadas às artes e à cultura em geral, doando-se para o bem da comunidade era uma resistente defendendo o patrimônio cultural.
Em diálogo com a artista plástica Ana Aline Bender Becker, Presidente da Associação de Artistas Plásticos de NH, essa registrou o quanto dona Cristina era querida e extraordinária colaboradora da Associação, exibindo sempre uma invejável energia, vitalidade e obstinação admiráveis.


UM MUNICÍPIO EXEMPLAR


Um Convênio Internacional, em meados dos anos noventa, celebrou o esforço conjunto BrasilxAlemanha para a preservação e conservação de antigas casas do século XIX edificadas pelos imigrantes alemães no sul do Brasil.

Foram responsáveis pelo acordo o Centro Alemão de Johannesberg em Fulda, a Feevale, tendo como coordenadora a historiadora Angela  Thereza Sperb e a arquiteta Maria Criastina Hofer do Instituto Brasileiro do Patrimônio Cultural, realizando estudos especializados na Alemanha. O município de Ivoti, através de seu prefeito municipal Arnaldo Kney interessou-se pelo projeto e o subscreveu, indicando o Núcleo da Feitoria Nova, adquirindo imóvel para restauro.

Um Curso de Recuperação e Saneamento de Estruturas de Madeira foi desenvolvido em dois módulos: um teórico no Campus da Feevale, com palestras do Dr.Engº Manfred Gerner sobre  Construções em Madeira e Estruturas Enxaimel e Contribuição das Construções em Madeira e seu legado Cultural. O Chefe de Marcenaria Bernd Kuschnick falou sobre Métodos de Investigação e ferramentas/instrumentos. O arq.Edgar B.da Luz, relatou Experiências de Restauração no RGS pelo IPHAN.

No curso prático junto às casas da Feitoria Nova, as pessoas que passavam pela rua a pé ou de carro, paravam e perguntavam o que estava sendo feito. Ao saberem do restauro alguns elogiavam, a maioria ridicularizava ou criticava o gasto de dinheiro público em casas velhas. Passados mais de dez anos, a Prefeitura de Ivoti deu uma resposta altamente positiva: urbanizou o local recuperando o arroio que inundava as casas, as ruas estão calçadas, casas restauradas e ocupadas.

Para felicidade de Ivoti o Prefeito Arnaldo Kney foi eleito para um novo mandato, calou os críticos antigos:  restaurou com sua equipe técnica e apoio da comunidade a Feitoria Nova que estava abandonada e agora trata de preservar um imóvel no centro da cidade: a Casa Hotter, considerada a maior casa em enxaimel do Estado.

Vemos em alguns municípios prédio doado pela comunidade desabar pelo abandono do poder público ou goteiras que ameaçam danificar os cômodos e mobiliários de uma casa símbolo da imigração alemã. Em Ivotí ao contrário, a Prefeitura com apoio da comunidade, restauram um bairro inteiro e agora preservam também um imóvel no centro da cidade. Ivoti é sem dúvida alguma: Um Município Exemplar!

domingo, junho 09, 2013

MEMÓRIA DO SETOR COUREIRO-CALÇADISTA

Plínio Dall´Agnol

“Memórias do Setor Coureiro-Calçadista: Pioneiros e Empreendedores do Vale do Rio dos Sinos”, de Cláudia Schemes e outros, é uma publicação da Feevale com apoio da FAPERGS.Na apresentação do livro o Prof.Dr.Cleber Prodanov destaca a preservação da memória dos mais importantes segmentos produtivos do Estado, registros contendo depoimentos de alguns personagens da região, berço de todo processo industrial ligado ao couro e calçado. Eles foram selecionados por grupo de atividade profissional: estilistas, trabalhadores, empresários, representantes comerciais, transportadores, imprensa, exportadores, ativistas comunitários e detentores de cargos públicos.
O professor Prodanov concluiu sua apresentação do livro afirmando: “O Vale do Sinos ergueu-se magnificamente construído com o trabalho e o desejo de transformar uma realidade colonial em uma sociedade industrial e, cabe a nós, historiadores e homens da ciência, não permitir que essa história seja esquecida.”
Com uma linguagem bem acessível a todos leitores e sem o ranço acadêmico, o livro descreve, dentre outros, a forma cordial de trabalho entre os empresários e operários, alguns chegavam a financiar a casa própria de seus funcionários, as grandes dificuldades de comunicação nos anos 60, quando iniciaram-se as exportações, a 1ª FENAC em 1963, tendo como primeiro presidente Agostinho Emilio Cavasotto, na administração do prefeito Martins Avelino Santini, a realização dos “Raids” nacionais do calçado, para divulgar pelo país a FENAC, foram organizados pelos líderes da imprensa hamburguense. Foi grande a repercussão na mídia nacional desse trabalho de nossos representantes. O 1º Raid foi patrocinado pelos empresários Cláudio Strassburguer( Campo Bom) e Aquiles Gerhardt(São Leopoldo).
São tantas e tão preciosas as informações contidas neste livro que vale a pena conhecê-lo! Recomendamos a todos que tem interesse em saber um pouco mais sobre o nosso desenvolvimento econômico e social.

Plínio Dall´Agnol é professor e Pós-Graduado em Antropologia Cultural





O NOVO CAFÉ AVENIDA

O NOVO CAFÉ AVENIDA

Plínio Dall´Agnol

"Café Avenida, a esquina do pecado: folkcomunicação, comércio e publicidade em Novo Hamburgo",   é fruto de um trabalho apresentado ao NFK(NP Folkcomunicação da Intercom), da Profª Drª Maria Berenice da Costa Machado e de Marcelle Silveira dos Santos, Acadêmica de P&P, ambas da Feevale.
Esse texto aguçou minha curiosidade e passei a procurar e saber das heranças do antigo Avenida. Para tanto visitei o Novo Avenida e falei com a Bety( Elisabeth Bender) a qual com sua irmã Heloisa, são as atuais proprietárias. O Novo Café não repete o Antigo é obvio ,porém, está plenamente revestido de um charme e elegância próprios: recebe seus clientes fiéis e visitantes eventuais com o mesmo carinho e atenção. Os moradores do Centro, os empresários e funcionários das empresas  e escritórios,  têm a oportunidade de saborear o melhor café colonial e almoço caseiro alemão, italiano com pitadas de brasileiro. Tudo isso a preços módicos e com um serviço de primeira qualidade, liderado pelas irmãs Bender com apoio de uma equipe qualificada de funcionários.
Nada melhor do que consta no trabalho das pesquisadoras citadas no início desta crônica para falar do Novo Café e Restaurante Avenida: "Desde janeiro de 2004, a marca Café Avenida foi comprada por Elisabeth e Heloisa Bender, filhas de Otávio Bender, falecido relações públicas da Prefeitura de NH e freqüentador da esquina do pecado(anteriormente a licença de uso do nome Avenida pertenceu a Josiane Algayer). As duas irmãs instalaram na Lima e Silva, duas ruas distantes do Calçadão, uma nova cafeteria e restaurante, conservando na entrada quatro mesas originais, com as marcas do tempo e do quanto foram usadas: as suas pernas, na altura do assento das cadeiras apresentam desgastes pelo atrito. No novo ambiente, a decoração é contemporânea, com detalhes que remetem a um aromático passeio ao passado: nas paredes estão fotos da esquina do pecado, há objetos antigos espalhados".
Mini posters com foto antiga e crônica estão sobre as  mesas e um hino a Novo Hamburgo, de autoria de Ione Jaeger,  pintado numa das paredes do Novo Café e Restaurante Avenida, evocam o amor pela cidade.


Plínio Dall´Agnol é professor e Pós-Graduado em Antropologia  

PERFÍS DE JORNALISTAS

PERFIS DE JORNALISTAS

Plínio Dall´Agnol

“A imagem social dos jornalistas nunca foi das melhores. No início do século XIX quando a imprensa começava a ter em suas mãos poder político e o negócio de informar já era lucrativo na Europa, o jornalista e sua atividade eram encarados com desconfiança e desprezo.”(Carlos Eduardo Lins da Silva).
No passado, a literatura de Honoré de Balzac, Elias Canetti  e outros insistiram em retratar negativamente o jornalismo. Nos dias modernos “Cidadão Kane” de  Orson Welles no cinema é a personificação negativa do homem de negócios e jornalista inescrupuloso. O resgate da honorabilidade profissional jornalística acontece através das reportagens  investigativas de dois jornalistas americanos Bob Wodward e Carl Bernstein, do Washington Post . Eles desmascararam as tramas de agentes do partido republicano contra os  democratas. O “Escândalo de Watergate”, como foi chamado a trapaça, acabou por derrubar o governo republicano de Richard Nixon o qual afirmava que “não sabia de nada”! Aliás, coisas semelhantes parecem acontecer nos dias de hoje.
O conteúdo dessa crônica é inspirado no trabalho excepcional desenvolvido pelos professores e jornalistas Dr.José Marques de Mello e Carlos Eduardo Lins da Silva  da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo-ECA/USP. Eles propiciaram aos alunos de jornalismo um trabalho de conclusão baseado em entrevistas com 20 profissionais da imprensa.  Alguns com diploma de jornalista e outros não. Esses últimos reconhecendo a importância do diploma universitário. Para não estender  essa crônica selecionamos alguns nomes.
O primeiro foi Antonio Carlos Fon: Quando tentava uma vaga no vestibular para jornalismo nas  Faculdades de Santos, o Padre Quevedo afirmou: “Sinto muito, mas você nunca será um jornalista”!! O Padre estava equivocado. Antonio Carlos Fon atuando como jornalista já ganhou 3 Prêmios Vladimir Herzog, Prêmios da Editora Abril e Esso de jornalismo. Atuou nos mais destacados órgãos da imprensa brasileira (O Globo, O Dia, Diário Popular, Isto É, Veja).
Luis Nassif, outro entrevistado pelos alunos de jornalismo da ECA/USP foi enfático: “Manual de redação é um início importante para se implantar regras. Mas depois que todo mundo aprendeu a tocar por partitura, deve-se começar a tocar de ouvido, com criatividade.” Disse ainda: “Dentro do jornalismo é preciso ter o escoteiro  e também aquele  cara de atuação individual que vai atrás da notícia. Afinal, a busca da informação é basicamente individual.”
Dividindo atribuições com Wanuza L. de Souza, que o diga Geraldo Haubert, experiente repórter, com brilhante passagem por importantes órgãos da imprensa falada e escrita, agora diretor e editor de mais de mil semanas da Tribuna da Cidade!
Plínio Dall´Agnol é professor/pós-graduado em Antropologia Cultural


UMA BIOGRAFIA HONROSA

UMA BIOGRAFIA HONROSA

Plínio Dall´Agnol

Há poucos dias a comunidade hamburguense  perdeu uma  respeitável e destacada personalidade:  A Sra. Leslie Waltrudes Schröer, faleceu, prestes a completar 89 anos de idade( domingo, dia 23).Graças a sua neta Deyse Brandt, conheci melhor  o currículo da avó ilustre. Dona Leslie, como a chamávamos, era formada pela Fundação Evangélica. Possuía importantes cursos de aperfeiçoamento na área de finanças públicas, com cursos na Alemanha  e estágios em Berlim e Eckernförde. Começou a vida profissional em 1939, classificada em 1º lugar no Concurso Público da Prefeitura Municipal, onde exerceu os mais importantes cargos.
Assessorada pela filha Dilú Engel que viria a substituí-la posteriormente, exerceu  a Coordenação do CERTAM-Centro Regional de Treinamento Municipal, para a Região Sul.Foi Chefe da Divisão Financeira do CLAVESUL-Serviço de Classificação de Produtos Vegetais, a convite do Governo do Estado. Representou o munícipio em inúmeras entidades e comissões e tanto em Novo Hamburgo como em outros municípios.
A Portaria de Louvor Funcional do Prefeito Alceu Mosmann para a Sra.Leslie Waltrudes Schröer, em sua aposentadoria  destaca:
...”Que desempenhando cargos e funções por mais de trinta anos, com patriotismo, honra, lealdade, dedicação, além de ser conhecedora profunda dos problemas municipais, colaborando e emprestando com sua inteligência, integridade e zelo pela coisa pública, assinalados serviços, de modo especial a Secretaria Municipal da Fazenda. A sua retidão e trato lhe conquistou o respeito, a estima e a amizade dos colegas...nosso agradecimento pela colaboração que nos prestou em muitíssimas oportunidades, em tarefas estranhas à sua Secretaria, tendo sempre pontificado seu espírito público no desempenho seguro de tarefas em pról da dinamização dos serviços administrativos e de interesse da comunidade.”
Nas homenagens de corpo presente estiveram seus familiares, amigos e um expressivo número de ex-funcionários da Prefeitura Municipal.  Além da oração do pastor evangélico, pronunciaram-se de forma emotiva os ex-prefeitos Alceu Mosmann e Níveo Leopoldo Friedrich, reiterando seu reconhecimento pelos elevados serviços prestados por Dona Leslie.
Dialogando com Renato Engel, genro de Dona Leslie, concluímos que ela foi sim uma líder que comandava, nunca pedia, dava com parcimônia e justiça.
Plínio Dall´Agnol é professor/pós-graduado em Antropologia Cultural


segunda-feira, novembro 19, 2012

O ANTIGO CAFÉ AVENIDA


O ANTIGO  CAFÉ  AVENIDA

Plínio Dall´Agnol

Assim como o Café Luna, criado por Rudy Lannius em 1954, passou em 1971 para Plínio Finck , do mesmo modo o Antigo Café  Avenida, criado em 1931 por Eduardo Kraemer, pai do Sr.Sadi Kramer, passou para novos proprietários em 1942( os irmãos Osmar e Oscar Guerreiro).  De acordo com entrevista de Seu Omar à revista Hoje(dez.1992) “ O Café de onde os políticos nunca se afastam. As mesas se tornaram tribunas para os mais conhecidos e os quase anônimos. Onde empresários, trabalhadores, advogados, médicos e seus pacientes, amigos e inimigos dividiam o mesmo espaço, democraticamente”.
Quando em algum sábado conseguia uma folga da Faculdade, vinha ao Centro com meus filhos os quais cumpriam suas tarefas de abastecer-se de guloseimas e revistinhas na Tabacaria do Seu Araújo, e atualizar suas coleções de playmobil   no Bazar Central da Família Selegar. Ao mesmo tempo eu curtia o convívio saudável do antigo Café Avenida próximo, na esquina da Pedro Adams com a General Netto. Meus diálogos com Fausto Wolff lá no Avenida foram marcantes e inesquecíveis: proveitosos e contribuíram para meus conhecimentos nas áreas do jornalismo e literatura. Fui apresentado a ele por sua cunhada, a Profa.Marlise Wolfenbüttel, Diretora da Faculdade de Belas Artes e minha colega na Feevale. Residindo no Rio, vinha a Porto Alegre rever amigos e visitar seus familiares em Novo Hamburgo.
Fausto Wolff, um dos fundadores de “O PASQUIM”, periódico irreverente e crítico da ditadura militar (1964-1985), foi obrigado a exilar-se na Europa por dez anos. Lecionou literatura nas Universidades da Dinamarca, Itália e França. Foi autor de uma valiosa bibliografia, incluindo dezenas de peças teatrais, mais de 20 livros. Era um exímio poliglota, dominando o alemão, norueguês, francês, inglês e italiano. Dividia seu trabalho de tradutor com o jornalismo, televisão e literatura. Nascido em 1940, em Santo Ângelo, faleceu em 2008, no Rio de Janeiro.
Ruy Castro sintetizou: “ Houve época no Rio, em que todos os homens queriam ser Fausto Wolff, Pela inteligência e pelas mulheres que ele conquistava”.
Foi um privilégio conhecer Fausto Wolff, no velho Café Avenida, em Novo Hamburgo.



quarta-feira, setembro 12, 2012

LA CHAUSSURE - O CALÇADO

Esse livro,  LA CHAUSSURE,  de MICHEL JUIGNET, é uma publicação do próprio autor: Paris, 1977. Chez l´auteur, 34, rue de l´Alouette, 94160 Saint-Mandé. Val-de Marne, France.

Michel JUIGNET, nessa edição em francês, conta a história do sapato naquele País, suas lendas, seus sapateiros, e suas associações profissionais mais conhecidas e célebres.
Os vários capítulos, distribuídos em 262 páginas, nos apresentam:

1-O PROFISSIONAL SAPATEIRO E PROFISSÕES AFINS
2-LENDAS DA PROFISSÃO e APELIDOS DOS  PROFISSIONAIS a da PROFISSÃO

3-AS DOENÇAS PROFISSIONAIS DOS SAPATEIROS
4-AS COMEMORAÇÕES CORPORATIVAS DAS ASSOCIAÇÕES CALÇADISTAS NA EUROPA


5-O CALÇADO
6-O FRANCÊS-INGLÊS(FRANGLAICAS) e OS TÊRMOS DESIGNATIVOS DO  CALÇADO

7-MINHAS IMPRESSÕES E REFLEXÕES DE UMA VISITA ÀS EMPRESAS DE CALÇADOS EUROPÉIAS
8-O ESTUDO DO CALÇADO E O SIMBOLISMO DO CALÇADO

9-MUSEUS DO CALÇADO NO MUNDO
10- AS ASSOCIAÇÕES DOS MESTRES/COLEGAS DE OFÍCIO NAS ÁREAS DE SAPATOS E BOTAS NO CIRCUITO FRANCÊS

11- OS ASSOCIADOS de 1975
12-PESSOAS IMPORTANTES NA ÁREA DO CALÇADO E QUE ALCANÇARAM CELEBRIDADE


Reproduções de fotos antigas, ilustram modelos de sandália egípcia, confeccionada em tecido de palmeira, calçado japonês ricamente dourado, sapatilha da Moravia(1923), mocassin de pele de bison, decorado com pérolas, bota russa do século XIX, botinha feminina de Pinet(1870). Marcas registradas de fábricas, modelos de botas: bota amazona, botas e botinas de caça, bota arqueada, sapato napolitano.Há também, a foto de um elegante senhor, em traje de festa, membro de uma associação calçadista no século XIX.
 
Reprodução do desenho feito por um associado (A.Fardin), de uma sede corporativa de calçadistas. Fotos de encontros festivos de sapateiros (calçadistas), em 1892, na localidade de Bordeaux,e em Paris,no ano de 1975. Um quadro, representando antigo sapateiro flamengo.

A publicação do livro foi feita numa época na qual não existiam  as facilidades das comunicações dos anos 2000. É valiosa para o tempo e o espaço que abrange, não tem caráter universal. Merecerá de nossa parte, outro comentário sobre calçados e afins. Foi na segunda metade do século passado que desenvolveu-se uma rica produção coureiro calçadista na América. No Brasil, criou-se uma rede de instituições e profissionais na área: empresários, trabalhadores, associações, caixeiros-viajantes, transportadoras, imprensa( o Grupo Editorial Sinos com o Brazil Export , O Exclusivo,Lançamentos), ANCA,FENAC, FRANCAL, ABICALÇADOS, exportadores, estilistas, escolas do calçado, escola de curtimento, tecnólogos de couros e tecnólogos de calçados da Feevale, museu nacional do calçado. Esse assunto merece uma crônica especial e detalhada.

CAFÉ LUNA BAR É CULTURA


O tradicional Café LUNA BAR foi inaugurado em primeiro de maio de 1954. É administrado pela família FINCK desde seu começo. Referência no centro de Novo Hamburgo ocupou durante décadas, uma das lojas do prédio do antigo Cine Theatro Lumière, na Rua General Neto, atual Calçadão Osvaldo Cruz, no coração da cidade.
Recentemente, teve que obedecer a ordem legal de despejo, patrocinada pela nova dona do  prédio, a igreja do pastor Edir Macedo. Embora o infortúnio, o LUNA não desapareceu. Ressurgiu qual Fênix revivida, num espaço novo, maior e melhor, na Rua Bento Gonçalves, ao lado da Escola Osvaldo Cruz e em frente ao Calçadão que leva o mesmo nome.

É um ambiente aconchegante, que vem agradando a seus frequentadores habituais, bem como, aos  novos clientes: a decoração de bom gosto, os  móveis de madeira vergada, dão uma sensação de conforto. Suas amplas paredes laterais internas são tomadas por quadros que ilustram os últimos sessenta anos de arte musical e cinematográfica. Podemos contemplar  James Dean, as motocicletas de Peter Fonda e Dennys Hopper, e m "Easy Ryder", a inesquecível Marilyn Monroe, os gênios musicais de Elvis Aaron Presley, Led Zeppelyn, Rolling Stones, Pink Floyd, o nosso Legião Urbana, de Renato Russo, e outros mais.
 
As tribos de fiéis clientes revezam-se nos vários turnos, da manhã à noite, da segunda-feira ao sábado. O atendimento é personalizado, os produtos oferecidos, da melhor qualidade, e o café tirado pelo barista chef Geraldo Finck, fazem a delícia de seus apreciadores. Israel (filho de Geraldo) e Dona Luíza são os colaboradores no atendimento da clientela.

Nesse ano, quem esteve no LUNA, teve a oportunidade de acompanhar pela TVHD, Il Giro d´Italia, Tour de France, O Torneio de Wimbledon, o US  Open e os Jogos Olímpicos de Londres, dentre outros. Os donos de Lap Tops/Notebooks, aproveitam a internet do LUNA.
Empresários, esportistas, professores, artistas plásticos, sejam quais forem as profissões, aposentados ou não, casais de todas as idades, trocam informações, batem papo, discutem política, alguns tentam salvar o país do mensalão.

Um aspecto que chama a atenção é a troca e empréstimo de CDs, livros e periódicos. No grupo que acompanho, circulam livros de economia, de História, Antropologia, Política, e até Auto Ajuda. Nomes de Eduardo Galeano, Mario Vargas Llosa, Miriam Leitão, Mário Simonsen, dentre outros, foram citados ou lidos. Recortes de jornais e revistas, com "a notícia ou a charge do dia", são frequentes.
Uma amiga relatou-me um episódio envolvendo seu filho, aluno de primeiro grau, na vizinha Escola Osvaldo Cruz: O garoto dirigiu-se à professora, solicitando permissão para sair da Escola durante o recreio. Explico o motivo: queria ir até o Luna, dar um alô para o vovô, o qual, segundo a vovó afirmara "passava todas as manhãs no Luna". Embora o simpático pedido da criança, a professora fez ver da responsabilidade e cuidados que a Escola deve ter, não autorizando a saída de alunos durante o período de aulas. Como podemos constatar, o Café Bar Luna, além de espaço de lazer e cultura, também é família.

Longa vida ao Café Bar Luna, um dos mais antigos e tradicionais pontos do Centro de Novo Hamburgo.

segunda-feira, agosto 27, 2012

O Livro de Ouro da História da Música


O Arte-educador e Professor Adalberto Xavier Barcellos   ofereceu-me a oportunidade de conhecer um extraordinário trabalho de erudição, um guia exemplar para os interessados e estudiosos da música: "O LIVRO DE OURO DA HISTÓRIA DA MÚSICA", de Otto Maria Carpeaux, editado pela Ediouro Publicações S/A, do Rio de Janeiro.
O autor, de origem judaica, nasceu na Áustria, em 1900, diplomou-se em  filosofia e letras, em 1925, pela Universidade de Viena. Era um estudante inveterado onde também estudou as matérias de física, química e matemática. Somou ainda estudos de sociologia, história e música.

Em 1939 saiu da Áustria indo para a Bélgica, residindo em Antuérpia para trabalhar num jornal em língua holandesa. Perseguido pelo  nazismo, veio para o Brasil, onde naturalisou-se em 1944. De sua residência inicial em São Paulo, foi para o Rio de Janeiro, onde trabalhou no Jornal Correio da Manhã. Foi Diretor da Biblioteca da Faculdade Nacional de Filosofia, de 1942  a 1944. Publicou seu primeiro livro "A Cinza do Purgatório", em 1942. De 1944 a 1949, dirigiu a Biblioteca da Fundação Getulio Vargas. É autor ainda de : Pequena Bibliografia Crítica da Literatura Brasileira(1949), Uma Nova História da Música(1958), Literatura Alemã(1964), História da Literatura Ocidental(1959 a 1966). De suas crônicas em jornais e revistas, publicou em 1964 "Brasil no Espelho do Mundo" e "A Batalha da América Latina", em 1965.

Oto Maria Carpeaux faleceu em 1978, no Rio de Janeiro.

Seu consagrado livro de História da Música, em 525 páginas, analisa com propriedade AS ORIGENS DA MÚSICA, A  POLIFONIA VOCAL, O BARROCO, A MÚSICA CLÁSSICA, OS ROMANTISMOS(analisando intensamente,desde a definição do romantismo na música, o fantástico, os semiclássicos, desde Schubert a Mendelsohn, a Ópera, Os nacionalistas, os franceses, italianos, alemães, tchecos, russos, escandinavos, até a Escola de Franck.), A CRISE DA MÚSICA EUROPÉIA, A MÚSICA NOVA. Um Apêndice A, traz a CRONOLOGIA DOS COMPOSITORES, e um Apêndice B, A CRONOLOGIA DAS OBRAS, e por fim um ÍNDICE ONOMÁSTICO.

Destacamos algumas palavras de um oportuno e detalhado comentário de HELOISA FISCHER, a respeito da História da Música, de Otto Maria Carpeaux:

"Fundamental para  a bibliografia musicológica em língua portuguesa desde o lançamento em 1958, este clássico(ou seria erudito ) de  Carpeaux é essencial na estante dos que têm música pulsando nas veias."

segunda-feira, agosto 20, 2012

Dia do Patrimônio Histórico





Dia 17 de agosto é comemorativo do Patrimônio Histórico. O ideal seria chamar-se "Dia do Patrimônio Cultural". Mais abrangente. Vale no entanto o esfôrço e o interesse, tanto público como particular, na preservação e conservação de nossos acêrvos culturais: a memória, as edificações, as bibliotecas, as culturas indígenas, os usos e costumes das nossas mais variadas etnias nacionais e de imigrantes aquí chegados, e tudo mais que possa interessar em matéria de patrimônio cultural.
 
Felizmente em Novo Hamburgo, a Organização não Governamental DEFENDER, entidade civil, sem fins lucrativos, decidiu organizar e promover O FÓRUM ''PATRIMÔNIO CULTURAL E PAISAGEM URBANA DE NOVO HAMBURGO".

Os Delegados, local e regional, bem como a presidência da DEFENDER, foram muito felizes na elaboração do programa e na listagem dos convidados conferencistas: A Superintendente Regional do IPHAN, Ana Goelzer Meira, o Arquiteto Eduardo Hann, do IPHAE, a Promotora Pública, especialista em Direito do Patrimônio Cultural Dra. Ana Marchesan, dentre outros.

O Delegado Regional da DEFENDER DEFESA CIVIL DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO, Jorge Luís Stocker, entrevistado pela jornalista Stephany Sander(Correio do Povo, 20/8/2012), assim se pronunciou:"A nossa missão é trazer este debate para o seio da comunidade e mostrar que possibilidades existem e são muitas. A oportunidade de que estamos proporcionando é inédita, pois buscamos finalidades práticas"!

Maiores detalhes e informações mais precisas, podem ser colhidas no site da DEFENDER:
ww.defender.org.br/forum

terça-feira, agosto 14, 2012

Capital da Cultura


Algumas cidades são privilegiadas em termos culturais. Um caso muito especial é de São Leopoldo. Localizada a 33 km ao norte de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul.
Berço da colonização alemã no RS, São Leopoldo possui uma das maiores e melhores universidades que temos o privilégio de conhecer: A UNISINOS, Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Mantida e administrada pela competente experiência de 5 séculos dos Padres Jesuitas. Além de seus tradicionais e conceituados cursos de graduação, especialização, mestrado e doutorado, possui um avançado parque tecnológico, abrigando empresas locais e internacionais, desenvolvendo produtos de ponta na área da informática e automação industrial. A Universidade participa de vários programas e projetos nacionais e internacionais(Programa na Antártida, em biologia e geologia). O Instituto Anchietano de Pesquisas, dirigido pelo Pe.Dr.Pedro Ignácio Schmitz, destaca-se em História, Arqueologia e Antropologia. As pessoas interessadas em conhecer melhor a Unisinos, podem entrar em seu site.


Podemos ainda destacar nessa cidade:


MUSEU DO TREM
Rua Lindolfo Collor, 40, Centro

MUSEU DA HISTÓRIA GEOLÓGICA
Av.Unisinos, 950, prédio 61, Fone 3591.1122

MUSEU ANTROPOLÓGICO ANCHIETANO
Rua Brasil, 725, Centro, Fone 3590.8409

MUSEU DO RIO
Rua da Praia, 50, Bairro Rio dos Sinos, Fone 3589.4343

MUSEU HISTÓRICO VISCONDE DE SÃO LEOPOLDO
Rua Dom João Becker,491, Fone 3592.4557,e-mail:museuhistoricosl@terra.com.br

CASA DO IMIGRANTE/CASA DA FEITORIA
Av. Feitoria, 3291, Bairro Feitoria, Fone 3592.4557

MUSEU ESCOLAR PROF.ARNILDO HOPPEN-MEPAH
Rua Mário Sperb, 874, Morro do Espelho, Fone 3592.1584
O museu mantem visitas guiadas para escolas, e durante o ano exposições temáticas: Uniformes, Fotos - Sinodal ontem e hoje. Livros de ex-professores e ex-alunos(autores).

MEMORIAL PADRE REUS
Rua Leonel França,134, Bairro Fião, Fone 3592.1574
Visitas ao Santuário e ao túmulo do Padre Reus

MEMORIAL JESUÍTA
Av.Unisinos, 950, Bairro Cristo Rei, Fone 3591.1122
Guarda Obras Raras e Especiais, e-mail: memorialsj@unisinos.br

quarta-feira, dezembro 09, 2009

PRESERVANDO A CASA ADAMS

A casa localizada à Rua Silveira Martins n° 780, esquina com a Rua Julio de Castilhos, no Bairro Centro, chama a atenção das pessoas que por ela passam, por sua beleza arquitetônica,embora atualmente encontra-se em estado lamentável: problemas no telhado e pichações em suas portas e paredes externas.

É uma construção em alvenaria de tijolos salpicados, em sua cobertura possui manzardas, telhas canal, telhas francesas (as que são em número maior) e telhas de zinco. Possui uma cúpula externa na fachada lateral. Na fachada principal possui elementos em alto relevo com formas geométricas, óculo com vitral colorido e cachorro de madeira no beiral. Paredes internas, pisos e forro são confeccionados em madeira, do mesmo modo as portas e janelas internas e externas. O piso geral é de madeira com exceção do banho e cozinha que são de ladrilhos e as paredes de alvenaria. Há um espaço lateral externo com frente para a Rua Júlio de Castilhos, que serviu como um jardim com duas grandes árvores que prejudicam o prédio, principalmente alicerces e o telhado. Poda ou remoção das mesmas deveriam ser providenciadas para salvaguarda da casa.

Pode-se dizer que o estado atual da casa é regular, exigindo uma restauração o mais urgente possível, pois sua deterioração está a caminho.

De acordo com a assessoria dos proprietários atuais, existe o interesse em restaurá-la e conservá-la, assim que tiveram a autorização da Prefeitura Municipal para as devidas obras de restauração, e demais obras.

A Casa Adams possui 188m² de área construída, encontra-se na extremidade nordeste de um terreno de 5.166 m² de área, que também abriga o que resta da antiga fábrica de Calçados Adams. A empresa passou ao controle do Banco do Brasil em meados dos anos 70, sendo a seguir adquirida por uma das empresas do Grupo Franciscano.


Essa casa, cuja data de construção é da primeira metade do século passado, foi residência da Família Pedro Adams Filho por três gerações.

A importância de sua preservação, restauração e conservação, pode ser comprovada através dos meios de comunicação, principalmente o Jornal N.H.(exemplo: edição de 17 de outubro de 2000, página 4). Crônicas e fotos do Fotógrafo e Jornalista Alceu Mário Feijó e outros cronistas.

O escritor hamburguense Paulo Henrique Kern, escreveu, e Ariadne Decker ilustrou, um interessante livro “ Ruas e Praças de Novo Hamburgo- Quem é Quem”. Em sua 2ª edição, de 2002, Novo Hamburgo, RS, edição do autor. Nele está registrada a importância de Pedro Adams Filho, dando nome à Avenida Pedro Adams Filho,que cruza a zona Central da cidade,de norte, do Bairro Operário, do Guarani, Vila Rosa, passando pelo Centro e seguindo ao sul na direção de Pátria Nova, Ouro Branco-Pátria Nova, novamente Ouro Branco, Rondônia e Industrial, Santo Afonso e Industrial novamente.

Para Paulo Henrique Kern “PEDRO ADAMS FILHO (1870-1935), o pioneiro da indústria calçadista do Vale do Rio dos Sinos, nasceu no município de Lajeado, iniciou as atividades profissionais aos dezoito anos de idade, quando ele e seu pai se estabeleceram com sapataria e selaria em Dois Irmãos. Naquela época,começou a confeccionar chinelos. Mudou-se para Novo Hamburgo em 1898. Utilizando maquinaria importada da Alemanha, instalou a primeira fábrica de calçados da Cidade. Essa empresa teve extraordinária importância, pois serviu de escola a muitos sapateiros que depois fundaram outras indústrias. Adams foi também o primeiro a vender seus produtos no Estado de São Paulo. Participou ainda da criação de uma empresa geradora e distribuidora de eletricidade, denominada Energia Elétrica Hamburguesa Limitada. Atuando na política, fez parte do Conselho Municipal de São Leopoldo ( correspondente à atual Câmara Municipal de Vereadores), desde 1917 até a emancipação de Novo Hamburgo,em 5 de abril de 1927. Teve participação ativa na campanha emancipacionista. Foi presidente da Sociedade Ginástica de Novo Hamburgo no período de 1910 a 1911.”

Pela Lei Municipal 47, de 1964, a avenida foi oficializada como via pública principal de Novo Hamburgo.

A Profª Ms. Claudia Schemes et allii, também registra de forma enfática, a importância de Pedro Adams Filho, no livro do qual é co-autora “Memória do Setor Coureiro-Calçadista: Pioneiros e Empreendedores do Vale do Rio dos Sinos”, editora da Feevale, 2005, Novo Hamburgo, RS, Brasil.

No capítulo “Empresários e Trabalhadores”, à pagina 17, os autores citam :

“Um dos marcos do crescimento da atividade calçadista em Novo Hamburgo foi a criação da primeira fábrica de calçados,em 1898, por Pedro Adams Filho, que já trabalhava desde os 18 anos com seu pai, também sapateiro, na confecção de chinelos.

Ele foi, portanto, o pioneiro da indústria calçadista de Novo Hamburgo e Vale dos Sinos. ...Esta primeira fábrica chamada Pedro Adams Filho & Cia. Ltda. Produziu itens diversificados, pois não havia especialização nem critérios na linha de produtos fabricados. O maquinário utilizado era da marca Moenus, importado da Alemanha, entretanto, durante a 1ª Guerra Mundial pressões econômicas e políticas o obrigaram a trocar estas máquinas por outras norte-americanas. Além disso, técnicos italianos e uruguaios foram contratados para melhorar o sistema de produção.

Pedro Adams tinha idéias bastante avançadas para a época.

A empresa que só fabricava calçados femininos e masculinos,em 1930, passou a concentrar as atividades na produção de sandálias masculinas. As botinas, que também eram fabricadas, eram vendidas por vendedores que utilizavam o cavalo ou a mula como meio de transporte para chegar ao interior do Estado.”

E mais adiante (página 18) “Este empresário, portanto, pode ser considerado uma das figuras mais importantes do complexo industrial do Vale dos Sinos, pois foi ele que financiou grande parte das indústrias de calçados e curtumes da região”.

Cabe dizer também, que a Empresa de Energia Elétrica, por ele criada, além de fornecer energia para a fábrica de calçados e o Curtume Hamburguez ( também criado por Pedro Adams Filho), era a fornecedora de energia para a cidade.

Os couros produzidos no Curtume de Adams Filho eram de tal qualidade que em 1917 passaram e ser exportados para a Suiça.

Da entrevista de Pedro Adams Neto (pág.19 a 26,op. cit.), extraímos alguns comentários bem interessantes:

- Meu primeiro trabalho foi no Curtume do Adams (Curtume Hamburguez), onde eu recebia os couros do matadouro Provenzano...Utilizando o método que aprendi com o Barreto,químico responsável do Curtume Hamburguez – a curtição de nonato deu certo.

...Com esse empreendimento, consegui formar capital para comprar uma participação no Adams S/A.

...A partir de então meu pai chamou-me para trabalhar na fábrica de sandálias do Adams, fazendo com que eu passasse por todas as máquinas e aprendesse todo o processo de fabricação.

...Depois fui ao Rio e São Paulo acompanhar a comercialização, trabalhando em depósitos de couros e calçados. Na volta, fui para a fábrica de calçados Adams, já como diretor.

De Ronaldo Romeu Meurer, um trabalhador entrevistado ( pág.53 a 59 ), extraímos algumas observações:

- Comecei a trabalhar com 14 anos de idade com carteira assinada...

-Na firma (Adams) passei por várias seções ( solaria, aviamento, corte, etc)...

- Dentro da firma eu me sentia muito bem. Tive propostas para trocar,mas eu me sentia bem dentro dessa firma, nunca fiz questão de mudar... foram 30 anos de serviço.

- A pedido dos patrões, depois de 30 dias aposentado, fui convidado a voltar, promovido a chefe de seção...

- Coisa boa acontecia diariamente porque tínhamos muitos amigos e os próprios patrões eram muito bons. Eu, mais dois irmãos e minha mãe trabalhávamos todos na mesma firma e os patrões deram-nos uma casa para morar, para pagarmos da maneira que podíamos pagar. Se pudesse pagar um mês estava bom; se não pudesse pagar num mês, não fazia mal. Isso é uma das coisas boas que tenho lembrança...

- O nome do patrão era Urbano Adams. Foi muito bom trabalhar ali, eles nos auxiliaram muito. O Adams fazia calçado de homem, um calçado de primeira classe...

No jornal NH de 17 de outubro de 2000 (pág.4), destacamos algumas considerações importantes do economista e Consultor da Associação de Curtumes do RS-AICSul, André Maurício dos Santos, a respeito do pioneiro Pedro Adams Filho:

-O impulso decisivo para o crescimento da emergente indústria calçadista aconteceu em 1888, com a criação da primeira fábrica de calçados propriamente dita: a Pedro Adams Filho & Cia. Ltda., de Pedro Adams Filho, proprietário de um curtume e fábrica de arreios. O Sr.Adams construiria,em 1901, um prédio de alvenaria na cidade, que mais tarde passaria por sucessivos aumentos...

- Pedro Adams se tornou agente do Banco da Província, cargo que lhe teria facilitado o acesso a empréstimos para sua fábrica...

Muito mais poderia ser dito a respeito de Pedro Adams Filho e sua trajetória extraordinária como pioneiro da indústria,empresário inovador, político, e líder social. Acima de tudo, um humanista exemplar para muitos outros donos de fábrica( como gostava de dizer o Professor Ernest Sarlet).

É mister inadiável a restauração da Casa Adams,e não só isso, sua preservação e manutenção como um Memorial para conhecimento dessa e das futuras gerações.

Esperamos que o entorno degradado possa também dar lugar a novos empreendimentos, incluímos aqui também a área da antiga Fábrica de Molduras P.Alles.

Todas essas áreas ociosas ( Adams, P.Alles, e arredores) voltem a ser revitalizadas, oferecendo novos espaços de negócios e empregos, os quais poderão trazer e atrair novos capitais e renda para os empresários, os trabalhadores e para o município através da arrecadação de impostos.

Uma área central do município, com antigos prédios industriais em petição de miséria, servindo apenas para abrigo de morcegos e atelier de pichadores, merece uma atenção melhor.

Projetos inovadores com aproveitamento adequado merecem o apoio e incentivo das autoridades e o aplauso da comunidade.

quinta-feira, dezembro 25, 2008

Feliz 2009!

Hospital Municipal: De seu início até o futuro

por: Prof. Ms. Plínio Dall´Agnol *

As origens do Hospital Municipal de Novo Hamburgo remontam ao ano de l939. Naquela época, um grupo de cidadãos hamburguenses, preocupados com o bem estar e saúde da comunidade, lideraram a fundação da Associação Maurício Cardoso.

O objetivo principal da entidade era a construção de um hospital para atender principalmente a classe trabalhadora e população carente que pudesse oferecer serviços gratuitos.

O historiador e político Leopoldo Petry foi muito feliz ao detalhar o ocorrido na ocasião: -“Dado o interesse despertado pela nobre iniciativa, a novel associação pôde, desde logo, contar com o apoio da sociedade local, e já no mesmo ano, foi possível lançar a pedra fundamental do útil empreendimento. Porém, por motivos vários, as obras não puderam ser concluídas de imediato, permanecendo paralisadas durante vários anos. Em vista das dificuldades surgidas, foi o patrimônio da mencionada associação, transferido à Cruz Vermelha Brasileira, mas, posteriormente, em 1944, foi, por escritura pública, instituída a Fundação Maurício Cardoso, sendo então, novamente assumida, por esta entidade, o patrimônio da antiga Associação do mesmo nome, reiniciados os trabalhos da construção da obra iniciada, que foi inaugurada em 1º de novembro de 1947, com o nome de Hospital Operário Darci Vargas.”

O historiador citado, lembra que a primeira doação ao empreendimento foi da Sra.Vva. Elisabetha Friedrich e seus filhos Germano, Luís e Carlos Friedrich, os quais fizeram a doação de uma área de terras de 10.000 metros quadrados: -“Posteriormente, a administração do Hospital adquiriu mais uma área, ficando a instituição com o total de 15.467 metros quadrados de terras, com o que poderão ser realizadas ampliações no bloco hospitalar e até a construção de um Asilo.”

Destacamos alguns números relativos aos atendimentos do Hospital Operário Darci Vargas, atual Hospital Municipal de Novo Hamburgo:

Movimento de 1957 (relatado por Leopoldo Petry)

Atendimentos:

Indigentes*. 581

Pagantes* 1.372

Nascimentos vivos 406

Exames de Raio X:

Indigentes 64

Pagantes 286

* À época, indigente era todo aquele que não tinha condições de pagar pelo atendimento (SUS).E, pagante era todo aquele que tinha condições de custear seu tratamento.

Movimento parcial de 2008 (de janeiro á setembro).

Atendimentos:

Urg/Emerg-N. Hamburgo 91.312

Pacientes internados 6.773

Partos normais 1.078

Nº Nascimentos/Vivos 1.468

Cesarianas 389

Exames de Raios-X 41.255

Com a finalidade de atender as necessidades atuais e futuras de leitos hospitalares, a administração municipal está construindo um novo prédio, com capacidade para 60 leitos,incluindo os Serviços de Nutrição e Dietética. que deverá estar com as obras concluídas até final de março de 2009. O Projeto de autoria da Arquiteta Andréa Schütz, da Diretoria de Planejamento da Prefeitura Municipal, foi submetido à apreciação e aprovado pelos Conselhos Deliberativo e Fiscal do HMNH, do Conselho Municipal de Saúde e da Vigilância Sanitária Estadual.

Atualmente, o HMNH, é um órgão de administração indireta, sendo uma autarquia municipal desde 2001. O HMNH é 99% SUS, e atende outros 40 municípios da região. Sede operacional do SAMU, é referência em urgência e emergência na condição de Hospital Base para recebimento de pacientes encaminhados pelo SAMU. É também referência em alta complexidade em Cardiologia para 12 municípios. Médicos, Enfermeiros e Técnicos de Enfermagem prestam atendimentos neste Hospital, referencia para a região. O HMNH oferece atendimentos em Neurocirurgia, Clínica Geral, Cirurgia Geral, Traumatologia, Psiquiatria e UTI adulto. Na maternidade possui a UTI Neonatologia e Clinica de Obstetrícia. Psicologia e Assistência Social contribuem de forma decisiva para o melhor atendimento de pacientes e familiares. O Pronto Atendimento – PA, no Centro da cidade é uma extensão do HMNH.

Um Programa permanente de Capacitação, Treinamento e Atualização para todos os servidores do HMNH, está sendo reestruturado pela atual administração, através de uma comissão provisória, até a reformulação do organograma institucional.

O Orçamento anual aprovado para 2008 foi de 23.699.000,00, mais as suplementações recebidas durante o ano.

Fontes para pesquisa:

Hospital Municipal de Novo Hamburgo-HMNH. Acervo Fotográfico, Novo Hamburgo, RS, diretoria.hmnh@terra.com.br, pliniodall.hmnh@terra.com.br

Hospital Municipal de Novo Hamburgo-HMNH. Relatórios Trimestrais de Gestão.

Novo Hamburgo, RS, diretoria.hmnh@terra.com.br, 2005 a 2008.

Petry, Leopoldo. O Município de Novo Hamburgo-Monografia.Edit.Rotermund, S.Leopoldo, RS, 2ªedição, 1959.

* Plínio Dall´Agnol é pós-graduado em Administração Hospitalar, Antropologia Cultural e Master of Sciences.